
Você escreve, reescreve, manda para correção e a nota trava na casa dos 800. O texto parece bom e ninguém aponta um erro grave. Mas os 40 pontos que faltam em cada competência separam a lista de espera da vaga em Medicina.
Boa parte dessa trava vem de não saber exatamente o que o corretor procura na redação do Enem. As competências da redação do Enem são cinco critérios fixos, cada um valendo até 200 pontos. Já a correção da redação do Enem segue regras públicas, descritas pelo Inep na cartilha do participante. Cada texto passa por pelo menos dois corretores, e a nota final é a média entre eles.
Aqui você vai entender como a correção funciona na prática e o que cada competência avalia. Também vai ver o que zera o texto e onde quem mira Medicina mais perde pontos.
Confira a seguir:
ToggleComo a redação do Enem é corrigida?
Segundo a cartilha “A Redação do Enem 2026”, publicada pelo Inep em setembro, cada texto é lido por pelo menos dois corretores, de forma independente. Um não vê a nota do outro.
Pela cartilha, esses avaliadores são graduados em Letras ou Linguística. Cada corretor dá de 0 a 200 pontos em cada uma das cinco competências da redação do Enem, sempre em degraus de 40: 0, 40, 80, 120, 160 ou 200. A soma das cinco forma a nota daquele corretor, que pode chegar a 1.000. A sua nota final é a média entre as duas notas totais.
Um exemplo: se o primeiro corretor deu 880 e o segundo deu 920, a sua redação fica com 900.
Quando entra o terceiro corretor?
A cartilha define que há discrepância quando as duas notas totais se distanciam em mais de 100 pontos, ou quando a diferença passa de 80 pontos em qualquer competência isolada. Nesses casos, a redação vai automaticamente para um terceiro corretor, sem que você precise pedir nada.
A nota final passa a ser a média entre as duas notas totais mais próximas. Se o terceiro corretor também discrepar, o texto segue para uma banca de três avaliadores, que define a nota final.
Na prática, isso significa que uma única leitura muito severa (ou muito generosa) dificilmente decide o seu resultado. O sistema foi desenhado para premiar quem é consistente aos olhos de leitores diferentes.
O que isso muda no seu treino?
Se o sistema exige concordância entre leitores, o texto que pontua alto é o texto que não deixa margem para dúvida. Tese clara, argumentos que se encaixam e proposta completa. Quando a sua redação depende de o corretor “entender o que você quis dizer”, ela fica vulnerável a notas diferentes em cada leitura.
Quais são as 5 competências da redação do Enem?
As competências da redação do Enem estão descritas na Matriz de Referência e detalhadas na cartilha do Inep.
Cada uma olha para um aspecto diferente do texto, mas elas conversam entre si o tempo todo. Uma falha de compreensão do tema, por exemplo, se espalha para outras notas.
Veja como as competências da redação funcionam no exame!
| Competência | O que avalia | Valor máximo |
| Competência 1 | Domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa | 200 |
| Competência 2 | Compreensão da proposta e uso de repertório para desenvolver o tema | 200 |
| Competência 3 | Seleção, organização e interpretação de informações e argumentos | 200 |
| Competência 4 | Mecanismos linguísticos de coesão | 200 |
| Competência 5 | Proposta de intervenção que respeite os direitos humanos | 200 |
Competência 1: domínio da norma culta
Aqui o corretor avalia gramática, ortografia, acentuação, concordância, regência, pontuação e a construção das frases. Para tirar 200, a cartilha aceita desvios apenas como exceção e sem reincidência. Não existe uma cota fixa de erros permitidos.
Na prática, um “onde” usado para retomar algo que não é lugar, repetido em vários parágrafos, já pode ser lido como reincidência.
O detalhe que pouca gente nota: estrutura sintática também conta. Períodos longos demais, frases truncadas e orações sem verbo principal derrubam a nota tanto quanto um acento esquecido. Escrever com clareza vale mais do que usar vocabulário rebuscado.
Competência 2: compreensão da proposta e repertório
Essa competência confere se você entendeu o tema, respeitou o recorte e escreveu um texto dissertativo-argumentativo de verdade. Também avalia o repertório sociocultural: dados, obras, conceitos ou fatos históricos que sustentam a sua argumentação.
Segundo a cartilha, o repertório precisa ser legitimado (reconhecido socialmente), pertinente (ligado ao tema) e produtivo (usado para argumentar, não só para enfeitar). Pelo segundo ano seguido, o Inep reforçou o alerta contra o chamado repertório de bolso, aquela citação decorada que serve para qualquer tema, como noticiou O Liberal.
Ler a proposta com calma faz diferença aqui. Quem passa rápido demais pelos textos motivadores costuma perder o recorte e escorregar para o tangenciamento.
Competência 3: seleção e organização dos argumentos
A Competência 3 olha para o seu projeto de texto: se existe um ponto de vista claro, se os argumentos foram escolhidos com estratégia e se cada parágrafo cumpre uma função. Para os 200 pontos, a cartilha pede informações consistentes, organizadas e com autoria, ou seja, uma leitura própria do problema.
Textos que só repetem o que já estava nos textos motivadores ficam limitados aos níveis mais baixos. Por isso, construir uma tese de redação forte logo na introdução é o que dá direção para o resto do texto.
Competência 4: coesão
Aqui entram os conectivos, as retomadas e a ligação entre frases e parágrafos. O corretor observa se você articula as partes do texto com recursos variados e bem empregados.
Ter uma lista de conectivos na cabeça ajuda, mas não resolve sozinho. Usar “ademais” em todo início de parágrafo mostra repertório limitado. A nota máxima vem quando as retomadas aparecem de formas diferentes (pronomes, sinônimos, expressões que resumem a ideia anterior) e cada conexão faz sentido lógico.
Competência 5: proposta de intervenção
Na Competência 5, o corretor avalia a sua solução para o problema discutido. A cartilha lista cinco elementos que uma proposta completa precisa ter:
- agente — quem vai executar a ação;
- ação — o que deve ser feito;
- meio ou modo — como a ação será realizada;
- efeito ou finalidade — para que ela serve;
- detalhamento — uma informação extra sobre algum dos elementos anteriores.
A proposta também precisa estar articulada à discussão feita no desenvolvimento e respeitar os direitos humanos. Uma proposta que os desrespeite recebe zero nessa competência.
O que zera a redação do Enem?
A nota zero é mais comum do que parece. Segundo dados do Inep divulgados pelo portal Vestibulando Web, mais de 211 mil participantes tiveram a redação zerada no Enem 2025.
A cartilha 2026 lista as situações que levam a isso:
- fuga total ao tema;
- não atender ao tipo dissertativo-argumentativo;
- texto com até 7 linhas;
- folha de redação em branco;
- parte do texto deliberadamente desconectada do tema;
- texto predominante ou totalmente em língua estrangeira;
- impropérios, desenhos ou outras formas propositais de anulação;
- assinatura, nome ou rubrica fora do local indicado.
Atenção a um detalhe: linhas copiadas dos textos motivadores não contam para o mínimo. Se você copiou quatro linhas e escreveu cinco de autoria própria, a redação é tratada como texto insuficiente.
Fique de olho também no tangenciamento, que não zera, mas chega perto. Segundo a cartilha, quem aborda o assunto geral sem enfrentar o recorte do tema fica limitado a 40 pontos nas Competências 2, 3 e 5. A redação inteira despenca.
Em qual competência quem mira Medicina mais perde pontos?
Quem disputa Medicina já costuma dominar o básico. A gramática está razoável, a estrutura em quatro parágrafos está no automático e a proposta de intervenção aparece. O problema é que, nesse nível, a nota de corte para Medicina exige uma redação perto do topo, e cada degrau de 40 pontos pesa.
Pelos critérios da cartilha, as competências da redação do Enem que mais separam um texto de 880 de um texto de 960 são as que dependem de autoria: a 2 e a 3. Os níveis máximos delas pedem repertório produtivo e projeto de texto com leitura própria do problema. Não basta ter um texto correto.
E há um agravante recente. Segundo O Liberal, um documento enviado aos corretores do Enem 2025 determinou que a Competência 2 dialogue com a Competência 3. Na prática, um repertório fraco ou forçado passou a pesar nas duas notas, e não só em uma.
A Competência 5 é a terceira armadilha. Muita gente escreve uma proposta com agente, ação e finalidade, mas esquece o meio ou o detalhamento. Um elemento a menos já tira a nota do nível máximo.
Onde você perde pontos nas competências da redação do Enem?
Antes de entregar uma redação de treino, faça quatro perguntas ao seu texto.
- A tese aparece com clareza na introdução? Se o leitor precisa adivinhar, a Competência 3 é a primeira a sentir.
- Cada repertório sustenta um argumento? Se dá para trocar a citação por outra sem mudar nada, ele está só enfeitando.
- Os parágrafos de desenvolvimento preparam a conclusão? A proposta precisa responder aos problemas que você discutiu.
- A proposta tem os cinco elementos? Confira agente, ação, meio, finalidade e detalhamento, um por um.
Se você está se sentindo perdido sem saber onde estão os seus pontos, leia os comentários dos corretores em cada uma das competências da redação do Enem e procure o padrão que se repete.
Para entender os deslizes mais comuns, vale conferir os erros de redação que derrubam a nota para a casa dos 700 e comparar com os seus textos.
Treinar com correção que mostra onde cada ponto foi perdido é o caminho mais curto até a nota alta. Para isso, conheça a Plataforma Assaad e a aplicação completa de Redação, pensada para quem quer uma redação no nível que Medicina exige.
Perguntas frequentes sobre as competências da redação do Enem
Quantos pontos vale cada competência da redação do Enem?
Cada uma das cinco competências da redação do Enem vale de 0 a 200 pontos, em degraus de 40: 0, 40, 80, 120, 160 ou 200. A soma das cinco forma a nota de cada corretor, que pode chegar a 1.000. A nota final é a média entre as notas totais dos dois corretores, conforme a cartilha do participante publicada pelo Inep.
Quantos corretores avaliam a redação do Enem?
Pelo menos dois, de forma independente. Se as notas totais se distanciarem em mais de 100 pontos, ou em mais de 80 pontos em uma competência, um terceiro corretor avalia o texto. Se a discrepância continuar, uma banca de três avaliadores define a nota final, segundo a cartilha do Inep.
O que é repertório de bolso na redação do Enem?
É uma citação ou referência decorada e usada de forma genérica, como se servisse para qualquer tema, sem ligação real com a proposta. O Inep desestimula esse uso na cartilha, porque o repertório precisa ser legitimado, pertinente e produtivo. Um repertório forçado prejudica a Competência 2 e pode afetar também a Competência 3.
Quais são os 5 elementos da proposta de intervenção?
Agente, ação, meio ou modo, efeito ou finalidade e detalhamento. Para alcançar 200 pontos na Competência 5, a proposta precisa trazer os cinco elementos, estar articulada à discussão do texto e respeitar os direitos humanos. Na correção da redação do Enem, esquecer um deles já basta para a nota cair nessa competência.
Quantas linhas precisa ter a redação do Enem?
A redação do Enem tem limite de 30 linhas. Textos com até 7 linhas são considerados insuficientes e recebem nota zero. Linhas copiadas dos textos motivadores não contam para esse mínimo. Não existe nota extra por escrever mais, mas desenvolver dois argumentos completos e uma proposta com os cinco elementos pede boa parte das 30 linhas.
Artigo escrito por
Plataforma Assaad


