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5 erros de redação que fazem sua nota cair para a casa dos 700 pontos

Os erros de redação são um dos principais fatores que impedem muitos estudantes de sair da faixa dos 700 pontos no ENEM, mesmo quando dominam o tema e têm bons argumentos.

São os pequenos deslizes na estrutura ou na interpretação da proposta que acabam pesando na correção e comprometendo competências inteiras — muitas vezes sem que o candidato perceba onde está errando.

A seguir, você entenderá os cinco erros mais frequentes que mantêm sua nota nessa faixa intermediária — e, principalmente, como evitá-los. Continue a leitura!

Como esses erros de redação impactam no desempenho dos estudantes?

Todos os anos, milhares de candidatos saem da prova do Enem com a mesma sensação: “Meu texto estava bom. Eu sabia o tema. Por que, então, tirei essa nota?” A resposta, na maioria das vezes, não está necessariamente na gramática básica nem na falta de repertório “bonito”, mas em falhas estruturais invisíveis, que a banca penaliza com rigor técnico.

No Enem 2025, pudemos observar isso com maior intensidade ao constatar uma queda no desempenho de diversos alunos que, em edições anteriores, haviam obtido um resultado de excelência (acima dos 900+), e que agora se depararam com uma nota na casa dos 700 pontos em redação.

A redação que estaciona nesse nível costuma apresentar boas intenções, mas mau direcionamento. Ela até toca no assunto, mas não o domina. Argumenta, mas sem projeto. Propõe soluções, mas sem coerência com o que foi discutido.

5 erros de redação mais comuns que prejudicam sua escrita

Abaixo, selecionamos cinco erros que impactam diretamente na sua forma de elaborar a redação e resultam em uma correção que leva à uma nota menor que 700 pontos nessa competência do Exame Nacional do Ensino Médio. Confira!

1. Interpretar o tema de forma genérica (ou tangenciar o recorte)

O erro mais comum — e também o mais perigoso — acontece antes mesmo da escrita: a leitura imprecisa da proposta.

A frase temática do Enem não é um enunciado genérico. Ela possui uma anatomia própria, composta por eixo e recorte temático, além de comandos implícitos que direcionam toda a argumentação.

Quando o candidato identifica apenas o eixo (assunto amplo) e ignora o recorte (delimitação obrigatória), ocorre o tangenciamento. Nessa situação, o texto até “fala do assunto”, mas não responde ao que foi pedido.

Consequência direta: segundo a Matriz de Referência, o tangenciamento impede que a redação ultrapasse o nível 1 (até 40 pontos) nas Competências 2, 3 e 5, criando um teto automático para a nota final.

Exemplo clássico:

No tema “Democratização do acesso ao cinema no Brasil”, falar sobre a importância da cultura ou sobre filmes nacionais não basta. O foco obrigatório está nos obstáculos que impedem o acesso igualitário — e ignorar isso limita toda a avaliação.

2. Não construir um projeto de texto sólido (argumentação sem direção)

Outro erro recorrente em redações na casa dos 700 pontos é a ausência de um projeto de texto consciente. Isso ocorre quando o aluno:

  • escreve argumentos que não dialogam entre si;
  • muda de foco ao longo do desenvolvimento;
  • apresenta causas, consequências e soluções sem hierarquia lógica.

Na prática, o texto parece “bem-escrito”, mas não avança. Falta encadeamento, progressão temática e clareza de tese — elementos centrais da Competência 3.

Grande parte desse problema nasce de um brainstorming mal-orientado. O candidato até tem ideias, mas não filtra quais são:

  • diretamente ligadas ao recorte;
  • argumentativamente produtivas;
  • compatíveis com a proposta de intervenção final.

Regra de ouro: se seus parágrafos de desenvolvimento não preparam o terreno para a conclusão, o projeto de texto está falho.

3. Usar repertório sociocultural de bolso (de forma decorativa ou forçada)

O repertório não serve para “enfeitar” a introdução nem para provar que o candidato é culto. Ele existe para sustentar a tese, aprofundar a análise e qualificar a argumentação.

Nas redações que ficam entre 700 pontos, é comum encontrar:

  • repertórios pouco relacionados ao recorte;
  • referências citadas sem função argumentativa;
  • exemplos genéricos que poderiam caber em qualquer tema.

Além disso, muitos alunos cometem o erro da colagem mecânica da frase temática, em vez de aplicar a técnica correta: a diluição temática.

Quando os termos do tema (ou seus sinônimos) são integrados naturalmente ao raciocínio, o texto ganha coesão e demonstra domínio real da proposta — algo decisivo na Competência 2.

Lembre-se: repertório bom não é o mais sofisticado, mas o mais funcional.

4. Ignorar a natureza da frase temática

Nem toda proposta do Enem pede o mesmo tipo de abordagem. A banca trabalha com diferentes tipologias de frase, e ignorar isso compromete a tese desde o início.

De forma geral, os temas podem apresentar:

  • problematização explícita (ex.: “Desafios”, “Estigma”, “Combate”);
  • frases descritivas (ex.: “Perspectivas”, “Impactos”, “A questão de”);
  • viés positivo (ex.: “A importância”, “O papel”, “A contribuição”).

Um erro frequente é tratar temas de viés positivo como textos meramente expositivos, exaltando a relevância do assunto, sem problematizar os entraves reais que impedem sua efetivação no Brasil.

Estratégia correta: quando o tema destaca algo como “importante”, a tese deve operar por contraste: mostrar que, embora relevante em teoria, esse valor não se concretiza plenamente na prática social brasileira.

5. Construir uma proposta de intervenção incoerente 

A Competência 5 é, muitas vezes, o golpe final que impede a redação de ultrapassar os 700 pontos. Os erros mais comuns incluem:

  • propostas genéricas e desconectadas dos argumentos;
  • ausência de um ou mais elementos obrigatórios (agente, ação, meio, finalidade e detalhamento);
  • soluções que não enfrentam as causas discutidas no texto.

Quando a intervenção parece “encaixada à força”, a banca identifica imediatamente a incoerência. Afinal, a proposta não é um apêndice do texto: ela é o desfecho lógico do projeto argumentativo.

Critério técnico: uma boa proposta responde diretamente ao problema construído ao longo do texto. Se isso não acontece, a nota cai — e arrasta a média geral.

Uma redação de alto nível começa antes da escrita

Se sua redação está parada na casa dos 700 pontos, o problema raramente é falta de conteúdo. Na maioria das vezes, é falta de leitura estratégica, planejamento consciente e coerência estrutural.

Antes de escrever, revise sempre os cinco pilares fundamentais:

  • distinção clara entre eixo e recorte;
  • identificação da tipologia da frase temática;
  • uso legítimo, pertinente e  produtivo do repertório; 
  • segmentação detalhada da proposta;
  • diluição inteligente dos termos do tema.

Atenção: no Enem, não se destaca quem escreve mais, mas quem escreve com direção.

Decodificar corretamente a proposta é o primeiro — e mais decisivo — passo para sair da média e alcançar uma redação de alto desempenho.

Gostou desse conteúdo? Agora acesse o artigo “Notas Máximas do ENEM 2025: o que elas dizem sobre seu desempenho?, para descobrir como interpretar esses resultados e o que eles indicam sobre o seu caminho rumo a uma nota competitiva.

Em resumo

Como os erros de redação impactam na nota final?

Os erros de redação criam limites técnicos na correção, pois afetam diretamente competências como compreensão do tema, organização argumentativa e coerência da proposta de intervenção, reduzindo o potencial de pontuação.

Quais erros de redação fazem a nota cair?

  1. Interpretação superficial do tema;
  2. ausência de projeto de texto;
  3. uso decorativo de repertório;
  4. leitura equivocada da frase temática;
  5. e proposta de intervenção desconectada do desenvolvimento.

Quais os cinco pilares para não cometer erros de redação?

Para evitar erros de redação no ENEM, o candidato deve dominar cinco pilares essenciais:

  1. leitura precisa do eixo e do recorte temático;
  2. identificação da natureza da proposta;
  3. uso legítimo, pertinente e produtivo do repertório;
  4. planejamento lógico da argumentação;
  5. construção coerente da proposta de intervenção.

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