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Questão 73, caderno azul do ENEM 2024

As capas dos folhetos de cordel, já então ilustradas por postais fotográficos, desenhos ou fotogramas de filmes, demoravam mais de uma semana para serem transformadas em clichês em Recife ou Fortaleza, o que levou a que santeiros e artesãos locais fossem requisitados para cortar na umburana — madeira preferida para o taco xilográfico pela facilidade do talhe e abundância — princesas, dragões, cangaceiros.

CARVALHO, G. Xilogravura: os percursos da criação popular. Revista do Instituto de Estudos Brasileiros,
 n. 39, 1986 (adaptado).

No inicio do século XX, a incorporação da técnica de produção descrita no texto promoveu uma renovação da

A) manifestação jornalística.

B) narrativa literária.

C) indústria regional.

D) estética editorial.

E) cultura erudita.

✍ “Resolução Em Texto”

Matérias Necessárias para a Solução da Questão
Literatura Brasileira (Literatura de Cordel e Cultura Popular).
História da Arte (Xilogravura e Ilustração).
Produção Editorial (Técnicas de Impressão).

Tema/Objetivo Geral:
Compreender como uma limitação técnica/logística (a demora dos clichês de metal) impulsionou a adoção de uma técnica artística artesanal (xilogravura), alterando a identidade visual (estética) de um produto cultural.

Nível da Questão
Médio.
O aluno precisa distinguir conteúdo (a história contada) de forma (a capa/ilustração). A armadilha é pensar que a mudança da técnica mudou a história (narrativa), quando na verdade mudou a apresentação visual (estética).

Gabarito
Letra D.
A substituição de fotos e clichês industriais pela xilogravura (gravura em madeira) criou a identidade visual clássica do Cordel que conhecemos hoje. Isso é uma mudança na estética editorial (o visual da publicação).


1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Decodificação do Objetivo:
A questão conta uma historinha sobre a produção de livretos no Nordeste. Antes, usavam fotos que demoravam para chegar. Para ganhar tempo, começaram a chamar artesãos para entalhar desenhos na madeira. A pergunta é: O que mudou com essa troca? O texto ficou diferente? O jornalismo mudou? Ou a cara do livro mudou?

Simplificação Radical (A Analogia Central):
Imagine um Youtuber.
No começo, ele usava fotos genéricas de banco de imagens na capa (thumbnail) dos vídeos.
Como demorava para achar a foto perfeita, ele começou a desenhar as próprias capas à mão, com um estilo único e rústico.
O conteúdo do vídeo mudou? Não.
O que mudou foi a Identidade Visual (a estética) do canal.
No Cordel, a xilogravura foi esse “desenho à mão” que substituiu a foto genérica.

Nosso Plano de Ataque será o seguinte:

  1. Identificar o Problema: A demora dos clichês (fotos/metal) vindos da capital.
  2. Identificar a Solução: Usar madeira local (umburana) e artesãos locais (santeiros).
  3. Analisar o Resultado: O surgimento de capas feitas de madeira entalhada (Xilogravura). Isso afeta o visual do produto.

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Vamos usar a ferramenta da Produção Gráfica.

Para entender a questão, precisamos diferenciar as técnicas citadas:

Dossiê das Técnicas de Capa:

Técnica Antiga (Citada) Técnica Nova (Adotada) O que mudou?
Clichê de Metal/Foto Xilogravura (Madeira) A Estética.
Imagem realista, fotográfica, industrial. Imagem rústica, contrastada (preto e branco), artesanal. A “cara” do cordel passou a ser a gravura, não a foto.

Conceito-Chave:
Estética Editorial: É o conjunto de decisões visuais de um livro ou revista: a capa, a fonte, o tipo de ilustração. Ao trocar a foto pela madeira, os editores de cordel mudaram a estética editorial dos folhetos.


3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Vamos seguir a linha do tempo do texto:

  1. O Cenário: As capas eram ilustradas por “postais fotográficos” ou “fotogramas de filmes”. (Visual realista/importado).
  2. O Obstáculo: Demoravam “mais de uma semana” para ficar prontos. O cordel precisa ser rápido (notícia fresca).
  3. A Improvisação Criativa: Chamaram os “santeiros” (quem fazia santos de madeira) para cortar na “umburana” (madeira local).
  4. O Resultado: Eles entalharam “princesas, dragões, cangaceiros”.
    • Note: As princesas e dragões (os temas) já existiam nas histórias. O que mudou foi a forma de representá-los na capa. Agora eles tinham traços de xilogravura.

Síntese:
A técnica (xilogravura) foi incorporada por necessidade logística, mas acabou criando um estilo visual único. Isso é uma renovação da estética.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO com a alternativa B (Narrativa literária).
Muitos alunos leem “princesas, dragões, cangaceiros” e pensam: “Ah, mudou a história!”.
Não! Esses personagens já eram os temas do Cordel. A xilogravura apenas ilustrou esses temas de um jeito novo. A técnica de produção da capa não muda o enredo do texto escrito dentro do folheto. A mudança foi visual (capa), não textual (miolo).

A Bússola (O Perfil do Culpado):

  • Síntese do raciocínio: A substituição de clichês fotográficos industriais por matrizes de madeira talhadas à mão (xilogravura) alterou a aparência visual dos folhetos, consolidando a identidade gráfica do Cordel.
  • Expectativa: A alternativa correta deve conter palavras como “visual”, “imagem”, “ilustração”, “capa”, “gráfico” ou “estética”.

4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

A) manifestação jornalística.

  • Diagnóstico do Erro: Confusão de Gênero.
  • Análise: O Cordel tem função informativa? Às vezes sim. Mas o texto fala de “princesas e dragões”, que são temas ficcionais/fantásticos, não jornalísticos. Além disso, a xilogravura mudou a ilustração, não o método de apuração da notícia.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

B) narrativa literária.

  • Diagnóstico do Erro: Confusão entre Conteúdo e Forma.
  • Análise: Como vimos na “Armadilha”, a forma de contar a história (em versos, rimas, sextilhas) continuou a mesma. O que mudou foi a capa (a ilustração). A técnica de produção citada é visual, não textual.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

C) indústria regional.

  • Diagnóstico do Erro: Contradição de Escala.
  • Análise: A adoção da xilogravura foi um movimento artesanal (“santeiros e artesãos”), justamente porque a indústria (clichês de metal em Recife) era lenta. Foi uma solução manual/manufatureira, não uma renovação industrial em larga escala.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

D) estética editorial.

  • Análise de Correspondência: Perfeita.
  • Estética: A aparência, o estilo visual.
  • Editorial: Relativo à publicação (capas dos folhetos).
  • A xilogravura deu ao Cordel sua “cara” inconfundível. Antes parecia um jornal comum com foto; depois, virou uma obra de arte popular com traços de madeira.
  • Conclusão: ✔️ Alternativa correta.

E) cultura erudita.

  • Diagnóstico do Erro: Oposto do Texto.
  • Análise: O Cordel e a Xilogravura são os maiores expoentes da Cultura Popular brasileira. O texto cita “santeiros” e “criação popular”. Não tem relação com a cultura erudita/acadêmica das elites.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Frase de Fechamento:
A alternativa D é a correta pois reconhece que a xilogravura não alterou o texto do cordel, mas revolucionou sua apresentação visual (estética editorial), transformando a capa em uma obra de arte popular integrada à identidade do folheto.

Resumo-flash:
Sai a foto, entra a madeira: nasce a cara do Cordel.

🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
A xilogravura nordestina tornou-se tão icônica que influenciou o Movimento Armorial, criado por Ariano Suassuna. Suassuna buscava criar uma arte erudita brasileira baseada nas raízes populares. Ele usou a estética da xilogravura (traços fortes, contraste preto/branco) em pinturas, cenários e figurinos. A “estética editorial” do cordel virou estética nacional.

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