Pela falta de chuvas, a geração de energia eólica, solar e térmica atingiu níveis recordes em agosto de 2021, quando as hidrelétricas ficaram com cerca de 50% do total. Para um professor da Universidade Federal da Bahia, essa queda não é uma surpresa. “Não aconteceu de uma hora para outra. Se olharmos o mapa do Brasil, um dos grandes provedores de água é a Floresta Amazônica. Se você diminui a floresta, diminui a quantidade de água que vai para a atmosfera”, explica.
BORGES, T. O fantasma do apagão. Disponível em: www.correio24horas.com.br. Acesso em: 9 out. 2021 (adaptado).
De acordo com o texto, a dificuldade na produção de energia é causada pela alteração da(s)
A) variável em pesquisas meteorológicas.
B) paisagem em locais estratégicos.
C) demandas em regiões industriais.
D) metas em acordos climáticos.
E) geologia em áreas naturais.

✍ Resolução Em Texto
Matérias Necessárias para a Solução da Questão
- Geografia (Climatologia, Hidrografia, Questões Ambientais)
- Interpretação de Texto
- Biologia/Ecologia (Serviços Ecossistêmicos, Ciclo da Água)
- Conhecimentos Gerais (Matriz Energética Brasileira)
Tema/Objetivo Geral:
A questão busca avaliar a capacidade do candidato de interpretar uma relação de causa e efeito complexa, conectando uma ação ambiental local (desmatamento) a uma consequência em larga escala (crise na produção de energia hidrelétrica).
Nível da Questão: Fácil
- A questão é considerada fácil porque o próprio texto, através da fala do professor, entrega a resposta de forma explícita. Ele estabelece a conexão direta: “Se você diminui a floresta, diminui a quantidade de água”. O único trabalho do candidato é traduzir o conceito de “diminuir a floresta” para a alternativa correspondente, “alteração da paisagem”, o que exige uma inferência mínima.
Gabarito: B
- Esta alternativa está correta pois o texto aponta que a causa da falta de chuvas (e da consequente crise energética) é a diminuição da Floresta Amazônica, que é precisamente uma alteração da paisagem em um local estratégico para a geração de umidade.
PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)
Decodificação do Objetivo: A missão é ler a explicação sobre a crise de energia e identificar a causa raiz do problema. O texto nos dá o sintoma (hidrelétricas em baixa) e nos guia até a origem da “doença”.
Simplificação Radical (A Analogia Central): Imagine que seu bairro inteiro depende de uma grande caixa d’água no topo de uma colina para ter água. Um dia, a água para de chegar. A questão não é sobre a torneira estar seca, mas sim sobre o que aconteceu com a caixa d’água. O texto explica que a “caixa d’água” do Brasil para chuvas é a Floresta Amazônica, e o problema é que ela está sendo danificada. O verdadeiro desafio aqui é nomear corretamente o ato de “danificar a caixa d’água”.
Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação): Nosso plano será o seguinte:
- Identificar o problema principal descrito no texto.
- Seguir a linha de raciocínio do professor para encontrar a causa raiz.
- Traduzir essa causa raiz para os termos apresentados nas alternativas.
- Eliminar as opções que não se encaixam na causa identificada.
PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)
Para visualizar a cadeia de eventos, a ferramenta ideal é um Fluxograma de Raciocínio. Ele nos mostra como um evento leva a outro, como uma fileira de dominós caindo.
O Efeito Dominó: Da Floresta à Tomada
- DOMINÓ 1 (A Causa Raiz):
- Desmatamento e queimadas na Amazônia.
- O texto chama de: “diminui a floresta”.
- A alternativa correta chama de: “alteração da paisagem”.
- DOMINÓ 2 (O Impacto Atmosférico):
- Menos árvores bombeando água para o ar (processo de evapotranspiração).
- O texto chama de: “diminui a quantidade de água que vai para a atmosfera”.
- DOMINÓ 3 (A Consequência Climática):
- Enfraquecimento dos “rios voadores” (massas de ar úmido que saem da Amazônia).
- O texto chama de: “falta de chuvas” em outras regiões.
- DOMINÓ 4 (O Efeito na Geração de Energia):
- Menos chuvas para encher os reservatórios das usinas hidrelétricas.
- O texto descreve como: “as hidrelétricas ficaram com cerca de 50% do total” e há uma “dificuldade na produção de energia”.
Este fluxo mostra que a origem de todo o problema está na mudança física da floresta.
PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)
Vamos executar nosso plano de ataque.
- O Problema Principal: O texto começa descrevendo a “dificuldade na produção de energia” devido à “falta de chuvas”, que fez a participação das hidrelétricas cair.
- A Causa Raiz: O professor é categórico ao explicar a origem da seca: “Se olharmos o mapa do Brasil, um dos grandes provedores de água é a Floresta Amazônica. Se você diminui a floresta, diminui a quantidade de água que vai para a atmosfera”. A causa raiz é, portanto, a destruição da floresta.
- Traduzindo a Causa: “Diminuir a floresta” é uma forma direta de dizer que a paisagem daquele local está sendo alterada. A floresta é a paisagem. E por que o local é “estratégico”? Porque, como o texto diz, é um “grande provedor de água” para o resto do país.
🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO! A armadilha mais comum é focar apenas no efeito imediato (“falta de chuvas”) e associá-lo a alternativas vagas como “variável em pesquisas meteorológicas” (alternativa A). A questão pede a causa do problema, e o texto é claro ao apontar que a seca não é um evento aleatório, mas uma consequência de uma ação específica: a degradação da Amazônia.
- A Bússola (O Perfil do Culpado):
- Síntese do raciocínio: A crise energética é um sintoma da crise hídrica, que por sua vez é causada pela destruição de um ecossistema fundamental para o regime de chuvas.
- Expectativa: A alternativa correta deve descrever a causa raiz, ou seja, a mudança física que ocorre na Floresta Amazônica.
PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)
Agora, vamos confrontar cada suspeito com o perfil que traçamos.
- A) variável em pesquisas meteorológicas.
- A “Narrativa do Erro”: O candidato associa “falta de chuvas” com “meteorologia”.
- O “Diagnóstico do Erro”: Confundir Causa com Ferramenta de Medição. As pesquisas meteorológicas observam e medem a falta de chuva; elas não a causam.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
- B) paisagem em locais estratégicos.
- Análise de Correspondência: Esta alternativa é o encaixe perfeito. A “alteração da paisagem” é exatamente o que significa “diminuir a floresta”. O “local estratégico” é a Amazônia, o “grande provedor de água”.
- Conclusão: ✔️ Alternativa correta.
- C) demandas em regiões industriais.
- A “Narrativa do Erro”: O candidato pensa em crise de energia e associa ao consumo, não à produção.
- O “Diagnóstico do Erro”: Confundir Oferta com Demanda. O texto discute um problema na geração (oferta) de energia, não um aumento no consumo (demanda).
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
- D) metas em acordos climáticos.
- A “Narrativa do Erro”: O candidato conecta a discussão ambiental a políticas e acordos internacionais.
- O “Diagnóstico do Erro”: Fuga ao Tema (Político vs. Físico). Acordos climáticos são ferramentas políticas para tentar evitar o problema. A causa descrita no texto é um processo físico e ecológico que já está acontecendo.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
- E) geologia em áreas naturais.
- A “Narrativa do Erro”: O candidato vê “áreas naturais” e associa a um termo técnico como “geologia”.
- O “Diagnóstico do Erro”: Imprecisão Conceitual. Geologia refere-se à estrutura de rochas e solos. O desmatamento é uma alteração na cobertura vegetal (a biosfera), que compõe a paisagem, e não na geologia do local.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)
- Frase de Fechamento: Confirmamos que a alternativa (B) é a correta, pois a crise na produção de energia é uma consequência direta da alteração da paisagem (desmatamento) em um local estratégico (a Floresta Amazônica), que funciona como o coração do sistema de chuvas do continente.
- Resumo-flash (A Imagem Mental): Lembre-se disto: “Floresta no chão, luz no apagão.”
- 🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro): O mesmo princípio se aplica à economia de uma empresa. Imagine que o departamento de Inovação e Pesquisa é a “Floresta Amazônica” da companhia: ele não gera lucro direto e visível todo dia, mas é o “provedor” de novas ideias e produtos que “irrigam” o futuro da empresa. Se a diretoria, focando apenas em cortar custos imediatos, “desmata” esse departamento, a empresa pode até economizar a curto prazo. No entanto, em alguns anos, ela sofrerá uma “seca” de inovação, perdendo relevância e enfrentando uma “crise de faturamento”, pois a fonte estratégica que garantia seu futuro foi alterada.