Questão 64 caderno verde ENEM 2017 Libras 1° Dia

Nas imagens constam informações sobre a formação de brisas em áreas litorâneas. Esse processo é resultado de

A) uniformidade do gradiente de pressão atmosférica.

B) aquecimento diferencial da superfície.

C) quedas acentuadas de médias térmicas.

D) mudanças na umidade relativa do ar.

E) variações altimétricas acentuadas.

✍ Resolução Em Texto

Matérias Necessárias para a Solução da Questão:

  • Geografia Física / Climatologia (Climas Litorâneos, Zonas de Pressão)
  • Física / Termodinâmica (Convecção, Calor Específico)
  • Interpretação de Esquemas Visuais

Tema/Objetivo Geral: Identificar o princípio físico fundamental que origina o ciclo das brisas marítima e terrestre.

Nível da Questão: Médio.

  • Detalhe: A questão é de nível médio. Embora as imagens forneçam todas as informações para a dedução, a resolução exige a aplicação de um conceito abstrato da Física (o calor específico e a convecção) a um fenômeno geográfico. O desafio não é apenas ler o mapa, mas entender o “motor” invisível (a diferença de aquecimento) que o faz funcionar.

Gabarito: B) aquecimento diferencial da superfície.

  • Esta alternativa está correta porque a causa primária de todo o processo é o fato de que a terra (continente) e a água (mar) aquecem e resfriam em velocidades diferentes quando expostas à mesma fonte de energia, o Sol.

Resolução Passo a Passo

1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

🕵️‍♂️ Decodificação do Objetivo: A questão nos mostra dois cenários — um de dia (Brisa Marinha) e um de noite (Terral) — e nos pergunta qual é a causa raiz, o gatilho inicial que põe em movimento todo esse sistema de ventos.

🧠 Simplificação Radical (A Analogia Central): Pense em um dia de sol forte na praia. Onde você queima os pés? Na areia. Onde você os refresca? Na água. A areia fica escaldante muito rápido, enquanto a água demora mais para esquentar. Agora, pense na mesma praia à noite. A areia já está fria, mas a água do mar parece morna, pois ela guarda o calor por mais tempo. O verdadeiro desafio aqui é entender que o vento (a brisa) nada mais é do que o ar se movendo por causa dessa “briga de temperaturas” entre a areia e a água. Essa diferença de velocidade para esquentar e esfriar é o segredo de tudo.

📋 Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação): Nosso plano será o seguinte:

  1. Analisar a fundo os esquemas para extrair a cadeia de causa e efeito.
  2. Aplicar os princípios da Física para explicar os movimentos mostrados.
  3. Identificar o fator comum que origina e inverte todo o ciclo.

2️⃣ PASSO 2 – INTERPRETAÇÃO GUIADA : O LAUDO PERICIAL

Para decifrar este enigma, não basta olhar as imagens; precisamos interrogá-las, extraindo a lógica física por trás de cada seta e palavra. Nossa ferramenta será um Laudo Pericial Comparativo, que reconstrói a cadeia de causa e efeito em ambas as cenas.

LAUDO PERICIAL COMPARATIVO: CENA 1 (BRISA MARINHA – DIA) vs. CENA 2 (TERRAL – NOITE)

ETAPA 1: O GATILHO INVISÍVEL (A Causa Primária)

  • Na Cena 1 (Dia): A imagem mostra a TERRA como “QUENTE” e o MAR como “MORNO”. Evidência: durante o dia, a superfície da terra se aqueceu muito mais rápido que a da água.
  • Na Cena 2 (Noite): O esquema inverte a situação. A TERRA está “FRIA” e o MAR continua “MORNO”. Evidência: durante a noite, a terra perdeu seu calor muito mais rápido do que a água.

ETAPA 2: A FÍSICA ENTRA EM AÇÃO (O Efeito Imediato)

  • Na Cena 1 (Dia): Sobre a terra “QUENTE”, o ar se aquece, torna-se mais leve (menos denso) e sobe (movimento de convecção), criando a zona de “BAIXA PRESSÃO” mostrada no diagrama. Sobre o mar mais frio, o ar desce, gerando a “ALTA PRESSÃO”.
  • Na Cena 2 (Noite): O oposto ocorre. Sobre o mar “MORNO” (agora mais quente que a terra), o ar sobe, criando a “BAIXA PRESSÃO” ali. Sobre a terra “FRIA”, o ar mais denso desce, formando a “ALTA PRESSÃO”.

ETAPA 3: O VENTO NASCE (A Consequência Final)

  • Na Cena 1 (Dia): As setas horizontais são claras: o vento se desloca da “ALTA PRESSÃO” (Mar) para a “BAIXA PRESSÃO” (Terra). Surge a Brisa Marinha.
  • Na Cena 2 (Noite): As setas agora apontam no sentido oposto: o vento sopra da “ALTA PRESSÃO” (Terra) para a “BAIXA PRESSÃO” (Mar). Surge o Terral.

VEREDITO DO PERITO: O laudo é conclusivo. A única variável que muda entre as duas cenas e que inverte toda a cadeia de eventos (temperatura → movimento vertical do ar → pressão → vento) é qual das superfícies está mais quente. Portanto, o motor de todo o processo é o aquecimento diferencial da superfície.


3️⃣ PASSO 3 – ARMADILHAS E EXPECTATIVAS

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO! O erro mais comum aqui é focar em uma das consequências e confundi-la com a causa. Um candidato pode olhar para o esquema e pensar que a causa é a “diferença de pressão” (Alternativa A fala de gradiente de pressão). Mas isso é um erro! A diferença de pressão não surge do nada. Ela é um efeito da diferença de temperatura, que por sua vez é um efeito do aquecimento diferencial da superfície. A questão pede a causa raiz, o início da cadeia de dominós.

A Bússola (O Perfil do Culpado):

  • Síntese do raciocínio: O ciclo de brisas é um sistema de convecção de ar. Esse sistema é movido por diferenças de pressão. As diferenças de pressão são criadas por diferenças de temperatura. As diferenças de temperatura são criadas pela capacidade distinta da terra e da água de absorver e perder calor.
  • Expectativa: A alternativa correta deve apontar para essa causa fundamental: a diferença na forma como as superfícies (terra e mar) reagem ao calor.

4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

Vamos interrogar os suspeitos:

A) uniformidade do gradiente de pressão atmosférica.

  • O “Diagnóstico do Erro”: Contradição Direta. O vento só existe porque há uma diferença de pressão (um gradiente), não uma “uniformidade”. Se a pressão fosse uniforme, não haveria vento.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

B) aquecimento diferencial da superfície.

  • Análise de Correspondência: Perfeito. “Aquecimento diferencial” (ou seja, que ocorre de forma diferente) da “superfície” (terra vs. mar) é a descrição técnica exata da causa primária identificada em nossa investigação.
  • Conclusão: ✔️ Alternativa correta.

C) quedas acentuadas de médias térmicas.

  • O “Diagnóstico do Erro”: Reducionismo (Descrever a parte, não o todo). Esta alternativa descreve apenas um aspecto do ciclo (o resfriamento noturno da terra), mas não explica a relação com o mar nem o aquecimento diurno. Não é a causa do processo como um todo.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

D) mudanças na umidade relativa do ar.

  • O “Diagnóstico do Erro”: Descrever Efeito, não a Causa. A umidade do ar é transportada pela brisa (a brisa marinha é úmida), mas ela não é a causa do movimento do ar.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

E) variações altimétricas acentuadas.

  • O “Diagnóstico do Erro”: Fuga ao Tema. Variações altimétricas (relevo) causam outro tipo de brisa (brisas de vale e de montanha), que não é o fenômeno costeiro mostrado no esquema.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

🕵️‍♂️ Frase de Fechamento: Confirmamos que a resposta correta é a letra B, pois o motor que impulsiona o balé diário das brisas litorâneas é a propriedade física fundamental de que a terra e a água respondem ao calor e ao frio em ritmos diferentes.

💡 Resumo-flash (A Imagem Mental): A Terra é uma atleta de tiro curto (esquenta e esfria rápido), o Mar é um maratonista (lento e constante). O vento é apenas o ar correndo para acompanhar quem está mais quente no momento.

🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro): O mesmo princípio de convecção movido por aquecimento diferencial que explica as brisas é fundamental para a engenharia e arquitetura bioclimática. Projetos de construção sustentável usam esse conceito para criar ventilação natural em edifícios. Ao projetar áreas que se aquecem mais rápido (como uma parede escura que recebe sol) e áreas que permanecem mais frias (como um pátio sombreado e com vegetação), os arquitetos criam zonas de baixa e alta pressão dentro da própria casa, gerando um fluxo de ar constante que a resfria sem a necessidade de ar-condicionado. A brisa da praia, em escala reduzida, dentro de sua casa.

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