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Questão 013 caderno branco ENEM 2014 3ª Aplicação 1° Dia

O gráfico obtido a partir das informações do Censo de 2010 é reflexo da dinâmica populacional do país e apresenta um(a)

a) continuidade da dinâmica demográfica brasileira representada pelo alargamento de sua base e estreitamento do topo.

b) elevação da população adulta, reflexo do baby boom nos anos 2000.

c) divergência no crescimento quantitativo de homens e mulheres de 0 a 14 anos.

d) decréscimo da população jovem e crescente alargamento da parte intermediaria e do topo da pirâmide.

e) declínio da população idosa brasileira visualizada no topo da pirâmide.

✍ Resolução Em Texto

Matérias Necessárias para a Solução da Questão

  • Geografia da População (Demografia)
  • Interpretação de Gráficos (Pirâmides Etárias)
  • Dinâmicas Demográficas do Brasil

Tema/Objetivo Geral: Interpretar uma pirâmide etária para identificar a tendência demográfica de um país.

Nível da Questão: Médio.

  • Por quê? A questão exige mais do que uma simples leitura de dados. É preciso conectar a forma do gráfico (a pirâmide etária) com conceitos demográficos complexos, como transição demográfica, envelhecimento da população e queda da taxa de natalidade. A análise não é apenas visual, mas conceitual.

Gabarito: Letra D.

  • Explicação Resumida: A alternativa descreve com precisão o que o gráfico mostra: uma base mais estreita (menos jovens) e um corpo e topo que estão se alargando (mais adultos e idosos), característico do processo de envelhecimento populacional do Brasil.

1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Decodificação do Objetivo: A missão é olhar para o “retrato” da população brasileira em 2010 (o gráfico) e deduzir qual é a “história” que ele está contando sobre o crescimento e a estrutura de idade do nosso povo.

Simplificação Radical (A Analogia Central): Pense na pirâmide etária como a “árvore genealógica” de um país inteiro em um único ano. Uma árvore com muitos galhos finos na base e um tronco grosso significa que nasceram poucas crianças recentemente, mas há muitos adultos. Nossa tarefa é descrever a forma dessa “árvore” e o que isso significa para o futuro dela. O verdadeiro desafio aqui é traduzir a forma geométrica do gráfico em uma tendência populacional.

Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação):

  • Analisar a Base da Pirâmide: Vamos investigar o que as faixas de 0 a 19 anos nos dizem.
  • Inspecionar o Corpo e o Topo: Em seguida, focaremos nas faixas de adultos e idosos para ver o que elas revelam.
  • Conectar as Partes: Juntaremos as pistas da base, corpo e topo para construir o perfil completo da dinâmica demográfica do Brasil em 2010.

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Para decifrar este enigma, precisamos de uma ferramenta essencial: a habilidade de ler uma Pirâmide Etária. Vamos abrir nosso dossiê sobre ela.

  • Dossiê da Pista Principal: A Pirâmide Etária
    • O que é? Um gráfico que mostra a distribuição da população por idade e sexo. Homens à esquerda, mulheres à direita. A base representa os mais jovens e o topo, os mais velhos.
    • Como Funciona? A forma da pirâmide conta uma história:
      • 🔺 Formato de Pirâmide Clássica (Base Larga): Típico de países jovens. Significa que muitas crianças estão nascendo (alta taxa de natalidade) e a expectativa de vida é mais baixa (topo estreito).
      • 🛢️ Formato de “Barril” (Base Estreita, Corpo Largo): Indica um país em transição ou maduro. A taxa de natalidade diminuiu (menos crianças), e a população adulta é predominante. A expectativa de vida está aumentando.
      • ⚱️ Formato de “Ânfora” (Base mais Estreita que o Topo): Um país envelhecido. A taxa de natalidade é muito baixa, e a população de idosos é muito significativa.

    Nossa missão é identificar em qual desses perfis o Brasil de 2010 se encaixa.


3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Vamos executar nosso plano de ataque, detetive.

  1. Analisando a Base (0-19 anos):
    • Observe as barras das faixas etárias de 0-4 anos (3,7% H | 3,6% M), 5-9 anos (4,0% H | 3,9% M) e 10-14 anos (4,6% H | 4,4% M).
    • Note que a base não é a parte mais larga do gráfico. As barras da faixa de 10-14 anos são maiores que as de 0-4 anos. Isso é um sinal claro: o número de nascimentos está diminuindo. A base está “encolhendo”.
  2. Inspecionando o Corpo (20-59 anos) e o Topo (60+ anos):
    • As barras mais largas da pirâmide se concentram nas faixas de 15 a 39 anos. Isso mostra uma grande população adulta, que é o resultado de taxas de natalidade mais altas no passado.
    • Agora, olhe para o topo. Embora as porcentagens sejam pequenas (ex: 75-79 anos: 0,6% H | 0,8% M), a pirâmide não se afunila abruptamente como uma pirâmide clássica. Ela está se alargando gradualmente, indicando que as pessoas estão vivendo mais.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO! O erro mais comum aqui é olhar para a base e, por ver milhões de crianças, pensar que a população jovem está crescendo. A armadilha é confundir o número absoluto com a tendência. A chave não é quantos jovens existem, mas se a porcentagem de jovens está aumentando ou diminuindo em relação às outras faixas e em comparação com o passado. O estreitamento da base prova que ela está diminuindo.

  • A Bússola (O Perfil do Culpado):
    • Síntese do raciocínio: A análise revela uma pirâmide com base em processo de estreitamento e com corpo e topo em processo de alargamento. Isso é o retrato de um país em plena transição demográfica, com queda na taxa de natalidade e aumento da expectativa de vida.
    • Expectativa: A alternativa correta deve, obrigatoriamente, mencionar a diminuição da população jovem (base estreita) e o aumento da população adulta e/ou idosa (corpo e topo largos).

4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

Agora, vamos confrontar nossa “Expectativa” com os suspeitos (as alternativas).

  • a) continuidade da dinâmica demográfica brasileira representada pelo alargamento de sua base e estreitamento do topo.
    • Análise de Correspondência: Esta alternativa descreve o oposto do que vemos no gráfico.
    • A “Narrativa do Erro”: O aluno olha para a base da pirâmide e vê barras que representam milhões de crianças e adolescentes. Impressionado por esse volume, ele conclui que, se há “muitos jovens”, o número de crianças deve estar aumentando e, portanto, a base está “alargando”. O erro fatal é não perceber que a faixa de 0-4 anos é visivelmente menor que várias faixas superiores (como a de 10-14 anos), o que prova exatamente o contrário: o ritmo de nascimentos está diminuindo.
    • Diagnóstico do Erro: Contradição Direta com a evidência visual. A base está estreitando, não alargando. O aluno confunde um grande número absoluto (ainda existem muitos jovens no Brasil) com uma tendência de crescimento (a base está se expandindo).
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • b) elevação da população adulta, reflexo do baby boom nos anos 2000.
    • Análise de Correspondência: A primeira parte da afirmação (“elevação da população adulta”) é uma observação correta do gráfico, mas a justificativa (“reflexo do baby boom nos anos 2000”) está completamente equivocada em sua cronologia.
    • A “Narrativa do Erro”: O candidato observa corretamente o “corpo” largo da pirâmide e o associa ao termo “baby boom”, que ele conhece como uma “explosão de nascimentos”.
    • Diagnóstico do Erro: Erro de Cronologia Histórica. A alternativa aplica um conceito demográfico famoso a um período de tempo completamente incorreto, ignorando seu contexto histórico real e as consequências visuais que ele teria no gráfico. O erro fatal está na data. O fenômeno histórico conhecido como baby boom ocorreu no pós-Segunda Guerra Mundial, principalmente entre 1945 e 1964. Se um evento desses tivesse ocorrido nos anos 2000, o gráfico de 2010 mostraria uma base extremamente larga (um excesso de crianças na faixa de 0 a 9 anos), que é o exato oposto do que a imagem revela.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • c) divergência no crescimento quantitativo de homens e mulheres de 0 a 14 anos.
    • Análise de Correspondência: O gráfico mostra uma grande similaridade nos percentuais.
    • A “Narrativa do Erro”: O candidato procura um detalhe mínimo para se apegar e nota pequenas diferenças (ex: 0-4 anos, 3,7% H vs 3,6% M), interpretando isso como uma “divergência” significativa.
    • Diagnóstico do Erro: Generalização Excessiva. As diferenças percentuais são mínimas e esperadas (nasce uma leve maioria de homens), não configurando uma divergência de tendência.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • d) decréscimo da população jovem e crescente alargamento da parte intermediaria e do topo da pirâmide.
    • Análise de Correspondência: Perfeito! A alternativa é um resumo exato da nossa Bússola. O “decréscimo da população jovem” corresponde ao estreitamento da base, e o “alargamento da parte intermediária e do topo” corresponde ao corpo largo e ao topo que se expande.
    • Conclusão: ✔️ Alternativa correta.
  • e) declínio da população idosa brasileira visualizada no topo da pirâmide.
    • Análise de Correspondência: O topo da pirâmide, embora pequeno, está se alargando, indicando que a população idosa está crescendo em proporção, não declinando.
    • A “Narrativa do Erro”: O candidato olha para as pequenas porcentagens no topo (0,1%, 0,2%) e interpreta como um “declínio”, sem entender que a tendência histórica é de aumento desses percentuais, refletindo maior longevidade.
    • Diagnóstico do Erro: Contradição Direta com o conceito de envelhecimento populacional.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

5️⃣ O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

  • Frase de Fechamento: Confirmamos que a alternativa D é a correta, pois o gráfico de 2010 captura o Brasil no meio de sua transição demográfica, com menos nascimentos e uma população vivendo cada vez mais.
  • Resumo-flash (A Imagem Mental): A pirâmide brasileira está deixando de ser um “triângulo” para se tornar um “barril”: a base encolhe, o meio se alarga e o topo, aos poucos, se expande.
  • 🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro): Essa mesma lógica de “estreitamento da base e alargamento do topo” não é apenas um conceito demográfico, ela se aplica diretamente à Engenharia de Produção e Gestão de Estoques. Imagine que os “jovens” são a matéria-prima que entra em uma fábrica e os “idosos” são os produtos acabados que saem. Se a entrada de matéria-prima (nascimentos) diminui e o processo de produção (vida) se torna mais eficiente (as pessoas vivem mais), a fábrica (o país) terá, no futuro, menos trabalhadores para sustentar um estoque cada vez maior de “produtos acabados” (aposentados). É a exata lógica por trás do desafio da reforma da previdência.

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