Questão 014 caderno branco ENEM 2014 3ª Aplicação 1° Dia

 Em 2010, de acordo com o IBGE, a expectativa de vida do brasileiro era de 73,5 anos e mantinha-se uma grande disparidade entre a expectativa de vida masculina e feminina. As mulheres viviam, em média, 77,3 anos e os homens, 69,7 anos.

Disponível em: www.ibge.gov.br. Acesso em: 19 dez. 2012 (fragmento).

A disparidade mencionada no texto associa-se

a) à maior mortalidade violenta de jovens do sexo masculino.

b) ao trabalho mais intenso dos homens em relação às mulheres.

c) à falta de um sistema de saúde universal que atenda ambos os sexos.

d) ao menor tempo de trabalho exigido para a aposentadoria das mulheres.

e) a melhores condições físicas de saúde das mulheres em relação aos homens.

✍ Resolução Em Texto

Matérias Necessárias para a Solução da Questão

  • Demografia
  • Interpretação de Dados Estatísticos
  • Sociologia (fenômenos sociais brasileiros)

Tema/Objetivo Geral: Compreensão das causas sociais que influenciam a disparidade na expectativa de vida entre homens e mulheres no Brasil.

Nível da Questão
Médio. – A questão não se resolve apenas com a leitura do texto-base. Ela exige que o candidato mobilize um conhecimento prévio sobre a realidade social brasileira para identificar, entre as opções, o fator de maior impacto estatístico. A simples interpretação do fragmento não é suficiente; é preciso conectar o dado (a disparidade) com suas causas externas mais prováveis.

Gabarito
A) à maior mortalidade violenta de jovens do sexo masculino. – Esta alternativa aponta para o fator de maior peso estatístico que reduz drasticamente a média de vida dos homens no Brasil: as “causas externas” (homicídios, acidentes de trânsito) que vitimam desproporcionalmente a população masculina jovem.


1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

  • Decodificação do Objetivo: A questão nos dá um fato (no Brasil, homens morrem, em média, quase 8 anos antes que as mulheres) e nos pede para apontar o principal motivo social por trás dessa diferença alarmante.
  • Simplificação Radical (A Analogia Central): Pense na expectativa de vida como a média de altura de duas turmas de plantas. Em uma turma, todas crescem até uma altura parecida. Na outra, a maioria também cresce bem, mas um grupo significativo de plantas é cortado pela metade antes de atingir a maturidade. Esse “corte” brusco vai puxar a média de altura de toda a segunda turma drasticamente para baixo. O verdadeiro desafio aqui é identificar que “lâmina” é essa que “corta” a vida dos homens de forma tão prematura e impactante.
  • Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação): Nosso plano será o seguinte:
    1. Entender o conceito-chave: O que “expectativa de vida” realmente significa e por que é uma média.
    2. Analisar a “disparidade”: Quantificar a diferença e entender que um gap tão grande precisa de uma causa muito forte.
    3. Investigar as causas: Avaliar qual fator social no Brasil afeta a mortalidade de homens e mulheres de forma tão diferente, especialmente em idades precoces.

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Para este caso, vamos abrir um Dossiê Investigativo sobre o principal suspeito por trás da disparidade.

🕵️‍♂️ DOSSIÊ DO CASO: “O FENÔMENO DA SOBREMORTALIDADE MASCULINA” 🕵️‍♂️

  • Pista 1: O que é “Expectativa de Vida”?
    • Definição: É um cálculo estatístico, uma média. Representa o número de anos que se espera que um grupo de pessoas nascidas no mesmo ano viva, se as taxas de mortalidade observadas naquele ano se mantiverem constantes.
    • Ponto Crítico: Por ser uma média, ela é extremamente sensível a mortes que ocorrem muito cedo. Cada jovem de 20 anos que morre “puxa” a média geral para baixo com muito mais força do que um idoso de 80 anos que falece.
  • Pista 2: O que é “Sobremortalidade Masculina”?
    • Definição: É o termo técnico para o fenômeno em que, em determinadas faixas etárias (especialmente entre 15 e 29 anos), a taxa de mortalidade dos homens é muito superior à das mulheres.
    • Principal Causa no Brasil: As chamadas “causas externas”. Este não é um termo vago; ele se refere especificamente a mortes não naturais, como:
      • Homicídios
      • Acidentes de trânsito
      • Suicídios
      • Afogamentos e outros acidentes.
  • Pista 3: O Perfil da Vítima (A Conexão Final)
    • No Brasil, as estatísticas de segurança pública e saúde mostram de forma inequívoca que as vítimas da imensa maioria das “causas externas” são homens jovens. Esse fator, sozinho, é a “lâmina” mais afiada que reduz a expectativa de vida masculina no país.

3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Vamos executar nosso plano, detetive.

  1. Analisando os Dados: O texto informa uma diferença de 7,6 anos (77,3 para mulheres vs. 69,7 para homens). Uma diferença tão brutal não pode ser explicada por fatores sutis ou biologia pura. Precisamos de um fator social massivo e violento.
  2. Aplicando as Ferramentas: Nosso dossiê nos ensinou que a “expectativa de vida” é uma média sensível a mortes precoces. A “sobremortalidade masculina” por “causas externas” é exatamente o fenômeno que causa essas mortes precoces em larga escala. A conexão é direta: a violência e os acidentes que matam milhares de jovens do sexo masculino todo ano estão “roubando” anos da média geral, criando a disparidade que o IBGE aponta.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO! O erro mais comum aqui é cair em generalizações baseadas no senso comum, como “homens fazem mais trabalho pesado” ou “mulheres se cuidam mais”. Embora esses fatores possam ter alguma influência, eles não têm o impacto estatístico brutal e concentrado da mortalidade violenta na juventude. O examinador colocou essas alternativas para testar se você consegue diferenciar uma influência marginal de uma causa demográfica primária.

  • A Bússola (O Perfil do Culpado):
    • Síntese do raciocínio: A disparidade de quase 8 anos na expectativa de vida é explicada principalmente por um pico de mortalidade precoce (na juventude) que atinge de forma desproporcional a população masculina, sendo as causas violentas (externas) o principal motor desse fenômeno no Brasil.
    • Expectativa: A alternativa correta deve apontar diretamente para uma causa de morte precoce que seja significativamente mais comum entre homens do que entre mulheres.

4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

  • a) à maior mortalidade violenta de jovens do sexo masculino.
    • Análise de Correspondência: Esta alternativa é um encaixe perfeito com a nossa “Expectativa”. Ela menciona a “mortalidade violenta” (causa de morte precoce) e especifica o grupo mais atingido, “jovens do sexo masculino”, que é o epicentro da sobremortalidade no Brasil.
    • Conclusão: ✔️ Alternativa correta.
  • b) ao trabalho mais intenso dos homens em relação às mulheres.
    • A “Narrativa do Erro”: O candidato pode pensar no estereótipo do homem em trabalhos braçais e perigosos.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Generalização Excessiva e Reducionismo. Este argumento ignora a dupla/tripla jornada feminina (trabalho formal, doméstico, cuidado com os filhos) e, mais importante, não explica o pico de mortes na juventude, muitas vezes antes mesmo da entrada consolidada no mercado de trabalho mais perigoso.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • c) à falta de um sistema de saúde universal que atenda ambos os sexos.
    • A “Narrativa do Erro”: O candidato pensa que qualquer problema de saúde no Brasil é culpa da “falta” de sistema.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Falsa Premissa. O Brasil possui um sistema de saúde universal, o SUS (Sistema Único de Saúde), que, com todos os seus desafios, atende a ambos os sexos. A questão não é a falta de um sistema, mas outros fatores sociais.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • d) ao menor tempo de trabalho exigido para a aposentadoria das mulheres.
    • A “Narrativa do Erro”: O candidato faz uma associação superficial entre longevidade e aposentadoria.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Confundir Causa com Consequência. A regra de aposentadoria é uma política pública, em parte, baseada em outras realidades sociais (como a dupla jornada). Ela não é a causa da morte precoce de homens de 20 anos. Um jovem vítima de violência não morre por causa das regras de aposentadoria.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • e) a melhores condições físicas de saúde das mulheres em relação aos homens.
    • A “Narrativa do Erro”: O candidato recorre a uma explicação biológica simplista, quase um determinismo.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Reducionismo Biológico. Embora existam diferenças biológicas e hormonais (mulheres tendem a ter sistemas imunológicos mais robustos e proteção cardiovascular), elas não explicam uma diferença tão massiva de quase 8 anos. O fator social (violência, comportamento de risco) é muito mais determinante neste caso.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

  • Frase de Fechamento: Fica evidente que a alternativa A é a correta, pois a mortalidade violenta de jovens do sexo masculino é o fator demográfico de maior impacto que arrasta a média da expectativa de vida masculina para baixo no Brasil.
  • Resumo-flash (A Imagem Mental): A expectativa de vida masculina não diminui suavemente; ela é derrubada pela âncora pesada da violência na juventude.
  • 🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro): Este mesmo princípio de análise de médias se aplica à Economia e Finanças. Pense na “renda média” de um país. Se um número muito pequeno de bilionários (1%) concentra uma quantidade gigantesca de riqueza, a “renda média” pode parecer alta e saudável. No entanto, assim como as mortes precoces distorcem a expectativa de vida, essa concentração de renda distorce a percepção da realidade, escondendo a pobreza da maioria da população. Em ambos os casos, olhar apenas para a média, sem investigar os extremos que a influenciam, leva a um diagnóstico completamente errado da situação real.

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