Questão 110 caderno verde ENEM 2017 Libras 2° Dia

 Conhecer o movimento das marés é de suma importância para a navegação, pois permite definir com segurança quando e onde um navio pode navegar em áreas, portos ou canais. Em média, as marés oscilam entre alta e baixa num período de 12 horas e 24 minutos. No conjunto de marés altas, existem algumas que são maiores do que as demais.

A ocorrência dessas maiores marés tem como causa

A) a rotação da Terra, que muda entre dia e noite a cada 12 horas.

B) os ventos marítimos, pois todos os corpos celestes se movimentam juntamente.

C) o alinhamento entre a Terra, a Lua e o Sol, pois as forças gravitacionais agem na mesma direção.

D) o deslocamento da Terra pelo espaço, pois a atração gravitacional da Lua e a do Sol são semelhantes.

E) a maior influência da atração gravitacional do Sol sobre a Terra, pois este tem a massa muito maior que a da Lua.

Resolução Em Texto

Matérias Necessárias para a Solução da Questão:

  • Física (Lei da Gravitação Universal)
  • Astronomia (Movimentos da Terra, Lua e Sol)
  • Geofísica (Fenômeno das Marés, Marés de Sizígia)

Nível da Questão:Fácil.

  • Detalhe: A questão aborda um conceito fundamental e amplamente conhecido da geografia física e astronomia. As alternativas incorretas apresentam erros conceituais evidentes, que são facilmente descartados com um conhecimento básico sobre o tema, tornando a identificação da resposta correta bastante direta.

Gabarito:C) o alinhamento entre a Terra, a Lua e o Sol, pois as forças gravitacionais agem na mesma direção.

  • Explicação Resumida: Quando Sol, Lua e Terra se alinham, suas forças gravitacionais se somam, resultando em uma “puxada” combinada muito mais forte sobre os oceanos, gerando marés excepcionalmente altas (e baixas).

1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Decodificação do Objetivo: A missão é descobrir a causa por trás das “super marés altas” (conhecidas como marés de sizígia ou marés vivas). Não basta saber o que causa uma maré normal; precisamos identificar o evento cósmico específico que a amplifica.

Simplificação Radical (A Analogia Central): Pense nisso como um cabo de guerra cósmico, onde os oceanos da Terra são a corda. A Lua é o participante principal, sempre puxando a corda. O Sol é um participante secundário, menos eficaz por estar muito longe. A questão é: em que situação a “puxada” na corda será a mais forte possível? A resposta é óbvia: quando a Lua e o Sol param de competir e puxam a corda juntos, na mesma direção.

Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação):

  • Entender a Maré Normal: Usaremos um diálogo para explicar como a Lua, sozinha, já consegue criar as marés.
  • Introduzir o Cúmplice: Vamos adicionar o Sol à equação e entender por que sua influência é diferente da Lua.
  • Encenar o “Crime Perfeito”: Descreveremos o cenário astronômico exato em que as forças da Lua e do Sol se unem para o efeito máximo.
  • Analisar os Álibis: Faremos uma autópsia de cada alternativa, explicando o erro conceitual por trás das incorretas.

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Para entender as marés, precisamos de um pouco de física gravitacional. Vamos usar um diálogo para tornar isso claro.

  • Diálogo Mentor-Aluno: O Segredo dos Dois Bojos 🕵️‍♂️ & 🧠
    • 🧠 Mentor, eu sei que a Lua causa as marés, mas como exatamente?
    • 🕵️‍♂️ O segredo é a diferença de força. A Lua puxa a água do lado próximo da Terra com mais força do que puxa o centro do planeta. Isso cria um “bojo” de água apontado para a Lua.
    • 🧠 Ok, mas por que temos duas marés altas por dia?
    • 🕵️‍♂️ Ótima pergunta! A Lua também puxa o centro da Terra com mais força do que puxa a água do lado distante. O resultado é que a Terra é “puxada para longe” da água no lado oposto, criando um segundo bojo lá também.
    • 🧠 Entendido! E o Sol? Por que a influência dele é menor, mesmo ele sendo gigante?
    • 🕵️‍♂️ Porque a força de maré é extremamente sensível à distância. O Sol está muito longe. Por isso, a proximidade da Lua faz com que seu efeito de maré seja mais que o dobro do efeito do Sol.
    • 🧠 Então, para ter a “super maré”, precisamos que o Sol ajude a Lua?
    • 🕵️‍♂️ Exatamente! Quando a Terra, a Lua e o Sol se alinham, a força do Sol se soma à da Lua. É o cabo de guerra cósmico: os dois puxam na mesma linha, criando as marés mais fortes.

3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Nossa investigação inicial apontou para a Lua e o Sol. Agora, vamos aprofundar a análise forense para entender exatamente como eles interagem e desarmar as pistas falsas mais perigosas.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO! A física aqui nos prega uma peça, e a alternativa (E) é a isca perfeita. O erro está em confundir Força Gravitacional Total com Força de Maré.
Força Gravitacional Total do Sol sobre a Terra é imensa, e é ela que nos mantém em órbita. Contudo, a Força de Maré não é sobre a força total, mas sobre a DIFERENÇA dessa força entre um lado do planeta e o outro. Como a Lua está muito mais perto, a diferença de atração que ela exerce entre o lado próximo e o lado distante da Terra é enorme. Já o Sol, por estar muito longe, nos puxa de forma mais uniforme, gerando uma diferença menor. Por isso, a Lua é a principal agente das marés.

O Mapa do Crime Cósmico: A Geometria do Poder

Para entender o que causa as “maiores marés”, precisamos analisar a geometria da interação entre Sol, Lua e Terra. Usaremos uma lista para detalhar os dois cenários principais:

  • Cenário 1: A Conspiração (Maré de Sizígia ou Maré Viva)
    • Descrição: Este é o cenário das “maiores marés”. Ele ocorre quando o Sol, a Lua e a Terra se encontram posicionados em uma linha reta no espaço. Isso acontece em duas situações: na Lua Nova (quando a Lua está entre o Sol e a Terra) e na Lua Cheia (quando a Terra está entre o Sol e a Lua).
    • Efeito Físico: Neste alinhamento, as forças de maré da Lua e do Sol atuam na mesma direção e no mesmo sentido, somando-se. É o cabo de guerra cósmico em sua força máxima. O resultado é um puxão combinado muito mais intenso sobre os oceanos, o que causa as marés altas mais altas do que a média e, por consequência, as marés baixas mais baixas do que a média.
  • Cenário 2: O Desacordo (Maré de Quadratura ou Maré Morta)
    • Descrição: Este cenário, que serve de contraste, ocorre quando as marés são as mais fracas do mês. Acontece quando a linha Terra-Lua forma um ângulo de 90 graus com a linha Terra-Sol. Vemos isso nas fases de Quarto Crescente e Quarto Minguante.
    • Efeito Físico: Nesta posição, a Lua e o Sol estão puxando os oceanos em direções perpendiculares. O efeito é que a força de maré do Sol atua contra a força de maré da Lua, cancelando-a parcialmente. O resultado é um puxão líquido mais fraco sobre os oceanos, gerando as marés altas mais baixas do mês e as marés baixas mais altas.
  • A Bússola (O Perfil do Culpado):
    • Síntese do raciocínio: A investigação forense do cosmos é clara: as super marés não são um ato solo, mas uma conspiração gravitacional. Elas são o resultado de uma sinergia perfeita, que ocorre apenas quando a geometria do sistema permite que a Lua e o Sol alinhem suas forças sobre a Terra.
    • Expectativa (O Retrato Falado do Culpado): A alternativa correta deve ser um mandado de busca com três informações precisas:
      1. Identidade dos Agentes: Deve mencionar o trio Sol, Lua e Terra.
      2. Modus Operandi: Deve descrever a condição geométrica do ALINHAMENTO.
      3. A Consequência Física: Deve explicar que as forças se SOMAM ou agem na mesma direção.

4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

Vamos agora confrontar nossa expectativa com as alternativas, dissecando o erro em cada uma.

  • A) a rotação da Terra, que muda entre dia e noite a cada 12 horas.
    • O Erro Conceitual: Confundir a causa da frequência das marés com a causa da sua intensidade máxima.
    • Análise do Erro: A rotação da Terra explica o ciclo de maré alta e baixa, mas não por que alguns desses ciclos são mais intensos que outros.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • B) os ventos marítimos, pois todos os corpos celestes se movimentam juntamente.
    • O Erro Conceitual: Atribuir um fenômeno astronômico a uma causa meteorológica.
    • Análise do Erro: Ventos causam ondas, não marés. Marés são um fenômeno gravitacional de escala global.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • C) o alinhamento entre a Terra, a Lua e o Sol, pois as forças gravitacionais agem na mesma direção.
    • Análise de Correspondência: Esta alternativa é um encaixe perfeito com a nossa Bússola. Identifica os agentes (Terra, Lua, Sol), a condição (alinhamento) e o mecanismo (forças agindo na mesma linha, somando seus efeitos).
    • Conclusão: ✔️ Alternativa correta.
  • D) o deslocamento da Terra pelo espaço, pois a atração gravitacional da Lua e a do Sol são semelhantes.
    • O Erro Conceitual: Falsa equivalência entre as forças de maré.
    • Análise do Erro: O efeito de maré da Lua é mais que o dobro do efeito do Sol. Eles não são “semelhantes”.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • E) a maior influência da atração gravitacional do Sol sobre a Terra, pois este tem a massa muito maior que a da Lua.
    • O Erro Conceitual: Ignorar o papel crucial da distância na força de maré.
    • Análise do Erro: Esta é a “Armadilha Clássica”. A força gravitacional total do Sol é maior, mas a força de maré é dominada pela Lua devido à sua proximidade.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

  • Frase de Fechamento: Confirmamos que o Gabarito é C, pois as maiores marés são um espetáculo de sinergia cósmica, ocorrendo quando o alinhamento de Sol, Lua e Terra permite que suas forças de maré trabalhem em equipe.
  • Resumo-flash (A Imagem Mental): Maré gigante = Lua e Sol em cabo de guerra cósmico, puxando a Terra para o mesmo lado.
  • 🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro): O mesmo princípio de “força de maré” que move nossos oceanos é uma das forças mais destrutivas do universo. Quando uma estrela se aproxima demais de um buraco negro, a diferença na atração gravitacional entre a parte próxima e a parte distante da estrela é tão brutal que ela é literalmente esticada e rasgada. Esse processo, chamado de “espaguetificação”, é o cabo de guerra cósmico levado ao seu extremo mais violento. A física que explica a maré alta na praia é a mesma que explica a destruição de uma estrela.

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