Questão 101 caderno azul ENEM 2009 2° Dia

Quanto às variantes linguísticas presentes no texto, a norma padrão da língua portuguesa é rigorosamente obedecida por meio 

A) do emprego do pronome demonstrativo “esse” em “Por que o senhor publicou esse livro?”.

B) do emprego do pronome pessoal oblíquo em “Meu filho, um escritor publica um livro para parar de escrevê-lo!”

C) do emprego do pronome possessivo “sua” em “Qual foi sua maior motivação?”.

D) do emprego do vocativo “Meu filho”, que confere à fala distanciamento do interlocutor.

E) da necessária repetição do conectivo no último quadrinho.

    Matérias Necessárias para a Solução da Questão
    Gramática da Língua Portuguesa (Morfologia e Sintaxe), Colocação Pronominal, Emprego de Pronomes, Variação Linguística.

    Tema/Objetivo Geral:
    Identificar, em um texto que mescla registros formal e informal, a passagem que obedece rigorosamente à norma-padrão da língua portuguesa.

    Nível da Questão
    Médio – A questão exige conhecimento específico de regras gramaticais que muitas vezes são flexibilizadas na fala cotidiana, como o uso de pronomes demonstrativos e a colocação pronominal (ênclise). O fato de possuir duas alternativas corretas, levando à sua anulação, também a torna mais complexa, pois o aluno precisaria validar mais de uma opção como gramaticalmente impecável.

    Gabarito
    ANULADA – A questão foi anulada porque as alternativas B e C apresentam exemplos de usos que estão em total conformidade com a norma-padrão da língua portuguesa, havendo, portanto, mais de uma resposta correta.


    Resolução Passo a Passo

    🔎 Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo

    Transcrição Essencial
    “Quanto às variantes linguísticas presentes no texto, a norma padrão da língua portuguesa é rigorosamente obedecida por meio”

    O que está sendo pedido?
    A questão pede para encontrar, entre as alternativas, o exemplo de construção frasal que segue perfeitamente as regras da gramática formal do português.

    Objetivo Cristalino
    Nosso objetivo é atuar como um “fiscal da gramática”, analisando cada uma das cinco construções destacadas e julgando se elas estão 100% de acordo com a norma-padrão, sem nenhuma informalidade ou desvio.

    Pergunta de Atenção
    Você já reparou que o jeito que a gente fala no dia a dia nem sempre é o mesmo jeito que a gente precisa escrever numa redação formal? É exatamente essa diferença entre o uso coloquial e a norma-padrão que a questão está testando!


    📚 Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários

    Para julgar as alternativas, precisamos revisar algumas regras gramaticais importantes.

    Conceito Definição Simplificada Exemplo do Cotidiano
    Pronomes Demonstrativos (esse vs. este) Na norma-padrão, “este” se refere ao que está perto de quem fala ou ao tempo presente. “Esse” se refere ao que está perto de com quem se fala (ouvinte) ou a um tempo passado recente. Se eu estou segurando um livro, digo: “Este livro é meu”. Se você está segurando o livro, eu pergunto: “Esse livro é seu?”.
    Colocação Pronominal (Ênclise) É a posição do pronome oblíquo átono (me, te, se, o, a, lhe) depois do verbo. A ênclise é a regra geral, sendo obrigatória, por exemplo, quando o verbo está no infinitivo. Na fala comum dizemos “Vou te ajudar”, mas a norma-padrão para a escrita formal pede a ênclise após o infinitivo: “Vou ajudar-te“.
    Pronomes Possessivos (seu/sua) Indicam posse. Quando tratamos alguém formalmente por “o senhor” ou “a senhora” (que usam o verbo na 3ª pessoa), os possessivos correspondentes são “seu” e “sua”. Se você pergunta a um professor: “O senhor poderia corrigir sua prova?”, o uso de “sua” está perfeitamente alinhado ao pronome de tratamento “senhor”.
    Vocativo É um termo usado para chamar ou interpelar o ouvinte. Ele fica isolado por vírgulas na escrita. Quando você diz “Mãe, preciso de ajuda!”, a palavra “Mãe” é um vocativo.
    Polissíndeto É uma figura de linguagem que consiste na repetição de uma conjunção (geralmente “e”) para dar ênfase, ritmo ou ideia de acúmulo. Dizer “Ele corria, e pulava, e gritava, e cantava” é um exemplo. É um recurso expressivo, não uma necessidade gramatical.

    📝 Passo 3: Tradução e Interpretação do Problema

    Contextualização Simplificada
    A tirinha mostra uma conversa com falas formais (do repórter) e informais (o desabafo do escritor). A questão nos desafia a encontrar, no meio disso tudo, um trecho que seja um exemplo perfeito da gramática “de livro”, aquela que seria usada em um documento oficial ou em uma redação nota 1000.

    Estratégia Geral
    Vamos analisar cada alternativa, uma por uma, aplicando as regras da norma-padrão que revisamos. O objetivo é validar ou invalidar cada afirmação, o que nos levará a entender por que a questão tem mais de uma resposta certa.


    🧮 Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio

    Passo a Passo Detalhado

    • Análise da Alternativa A: “emprego do pronome demonstrativo ‘esse’ em ‘Por que o senhor publicou esse livro?’”
      • Regra: “Esse” é usado para algo que está perto do ouvinte. Na cena, o livro (“O fazedor”) está na mão do repórter, que é o ouvinte da pergunta (feita por ele mesmo, mas no contexto da entrevista, ele se dirige a Borges). O uso mais rigoroso, referindo-se a algo próximo do ouvinte, estaria correto. No entanto, há gramáticos que defenderiam “este” por se referir a um objeto presente no diálogo. Essa pequena ambiguidade faz com que não seja o exemplo mais “rigorosamente” perfeito.
    • Análise da Alternativa B: “emprego do pronome pessoal oblíquo em ‘um escritor publica um livro para parar de escrevê-lo!’”
      • Regra: O verbo “escrever” está no infinitivo. A norma-padrão exige que, após verbos no infinitivo, o pronome seja colocado depois (ênclise). A construção “escrever + o” resulta em “escrevê-lo”.
      • Conclusão: Este é um exemplo impecável e rigoroso da norma-padrão.
    • Análise da Alternativa C: “emprego do pronome possessivo ‘sua’ em ‘Qual foi sua maior motivação?’”
      • Regra: O repórter trata o escritor por “o senhor”, um pronome de tratamento formal que exige concordância na 3ª pessoa. O pronome possessivo correspondente a esse tratamento é “sua”.
      • Conclusão: Este também é um exemplo impecável e rigoroso da norma-padrão de concordância.
    • Análise da Alternativa D: “emprego do vocativo ‘Meu filho’, que confere à fala distanciamento do interlocutor.”
      • Análise: “Meu filho” é, de fato, um vocativo. No entanto, a explicação de seu efeito está errada. Neste contexto, ele expressa familiaridade, impaciência ou até superioridade, mas o oposto de “distanciamento”.
    • Análise da Alternativa E: “da necessária repetição do conectivo no último quadrinho.”
      • Análise: A repetição do “e” (“escrever e reescrever e revisar…”) é um recurso estilístico (polissíndeto) para enfatizar o cansaço e a exaustão. Não é uma repetição gramaticalmente “necessária”.

    Possível armadilha
    A principal armadilha seria não reconhecer a correção total das alternativas B e C. Um aluno poderia achar uma delas “mais correta” que a outra, mas, segundo as regras formais, ambas são exemplos perfeitos da norma-padrão.

    Fechamento e expectativa
    Nossa análise rigorosa revelou duas alternativas (B e C) que descrevem construções gramaticalmente perfeitas. Isso confirma a informação de que a questão deveria ser anulada.


    ✅ Passo 5: Análise das Alternativas

    • (🟡)Parcialmente correto, mas passível de debate gramatical, não sendo um exemplo “rigoroso”.
    • (🟢) Correto. É um exemplo perfeito de ênclise (pronome após o verbo) com o verbo no infinitivo, como manda a norma-padrão.
    • (🟢)Correto.
    • (🔴)Incorreto. A justificativa (“confere distanciamento”) está semanticamente errada.
    • (🔴)Incorreto. A repetição é um recurso de estilo (expressividade), não uma obrigação gramatical (“necessária”).

    🏆 Passo 6: Conclusão e Justificativa Final

    Resumo do Raciocínio
    A questão pedia um exemplo de obediência rigorosa à norma-padrão. A análise gramatical mostrou que tanto a construção com ênclise em “escrevê-lo” (Alternativa B) quanto a concordância do possessivo em “sua motivação” (Alternativa C) são exemplos perfeitos e indiscutíveis das regras formais da língua portuguesa.

    Gabarito Reafirmado
    A questão foi ANULADA por possuir duas alternativas corretas: B e C.

    Resumo Final para Revisão 🔍
    Uma questão de múltipla escolha só pode ter uma resposta. Se você encontrar dois exemplos que seguem a regra formal perfeitamente, como a ênclise após infinitivo (B) e a concordância com o pronome de tratamento (C), desconfie: a questão pode ter problemas de formulação.

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