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Questão 34, caderno branco do ENEM 2011 PPL

A aceleração da taxa de extinção de espécies é um grave e irreversível problema global causado pelos danos às reservas florestais. As previsões das taxas de extinção variam enormemente e, segundo alguns autores, poderão variar entre 20% e 50% de todas as espécies existentes até o final do século, essencialmente, pela destruição do hábitat nos trópicos.

As Reservas Florestais pedem Socorro. Revista Geografia. Ed. 30, abr. 2010 (adaptado).

As taxas atuais de extinção nos países desenvolvidos são baixas em comparação com as das florestas tropicais e isso se deve à:

A) exploração sustentável da enorme diversidade natural existente nesses países.

B) introdução de modernas tecnologias capazes de conter o avanço do desmatamento.

C) degradação já causada anteriormente por pressões advindas do processo de industrialização.

D) conservação de superfícies significativas de ecossistemas pouco alterados pela ação antrópica.

E) incorporação dos recursos florestais à riqueza nacional desses países, favorecendo o extrativismo.

Resolução em Texto

📚 Matérias Necessárias para a Solução da Questão

  • Ecologia (Biodiversidade, Extinção, Impactos Ambientais)
  • Geografia (Recursos Naturais, Relação Norte-Sul, História da Industrialização)
  • Interpretação de Texto

🎯 Tema/Objetivo Geral: Análise histórica e geográfica das causas da diferença nas taxas de extinção de espécies entre países desenvolvidos e países tropicais.

📊 Nível da Questão: Médio.

  • Por quê? A questão exige um raciocínio histórico para entender o problema atual. A resposta correta é contraintuitiva se o aluno pensar apenas no presente. É preciso compreender que a aparente “estabilidade” ambiental dos países desenvolvidos hoje é, em grande parte, o resultado de uma intensa degradação que já aconteceu no passado.

✅ Gabarito: Alternativa C.

  • Resumo: O texto aponta que a principal causa de extinção hoje é a destruição do hábitat nos trópicos. A razão pela qual as taxas são mais baixas nos países desenvolvidos não é porque eles sempre foram “verdes”, mas porque eles já destruíram grande parte de seus ecossistemas originais durante seu processo de industrialização nos séculos XVIII, XIX e XX. O “grosso” da degradação e da extinção lá já aconteceu; agora, a fronteira da destruição está nos países tropicais.

Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo

Transcrição Essencial 📌
“As taxas atuais de extinção nos países desenvolvidos são baixas em comparação com as das florestas tropicais e isso se deve à…”

O que está sendo pedido?
A questão pede para explicarmos por que, hoje, o número de espécies sendo extintas é muito maior nos países tropicais (como o Brasil) do que nos países desenvolvidos (como os da Europa).

Objetivo Cristalino
Nosso objetivo é encontrar a explicação histórica e geográfica para essa diferença. A resposta não está em uma suposta superioridade moral ou tecnológica dos países desenvolvidos, mas em um processo histórico de exploração ambiental.

🧠 Pense na Europa. Quantas grandes florestas primárias, intocadas, como a Amazônia, ainda existem por lá? Muito poucas. O que aconteceu com elas? A resposta a essa pergunta é a chave para a questão.


Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdo Necessários

Definição de Termos 🔖

  • Taxa de Extinção: A velocidade com que as espécies estão desaparecendo. O texto alerta que essa taxa está acelerada.
  • Hotspots de Biodiversidade: São áreas com uma concentração excepcionalmente alta de espécies endêmicas (que só existem ali) e que estão sob forte ameaça de destruição. A maioria dos hotspots do mundo está localizada em regiões tropicais.
  • História da Industrialização e do Desmatamento:
    • Países Desenvolvidos (Europa, América do Norte): O processo de industrialização começou no século XVIII. Para alimentar as fábricas, construir cidades e expandir a agricultura, esses países derrubaram a vasta maioria de suas florestas originais ao longo dos séculos XVIII, XIX e início do XX. A maior parte das extinções e da degradação ambiental já ocorreu nesses países. O que vemos hoje são ecossistemas já muito alterados, com uma biodiversidade menor do que a original.
    • Países Tropicais (em desenvolvimento): A exploração intensiva dos ecossistemas tropicais, como a Amazônia e as florestas da Indonésia, é um processo mais recente, intensificado na segunda metade do século XX. Como essas florestas são as mais biodiversas do planeta, sua destruição atual está causando uma taxa de extinção sem precedentes.

Passo 3: Tradução e Interpretação do Problema

Contextualização Simplificada 💬
A situação é a seguinte: o “incêndio” da extinção de espécies está acontecendo com força total agora nas florestas tropicais. Na casa dos países ricos (Europa, EUA), o incêndio já aconteceu há muito tempo, e o que sobrou foi um “jardim” já meio queimado e com menos bichos e plantas. A questão é: por que o fogo está tão baixo na casa deles hoje? A resposta não é porque eles são melhores em apagar incêndios, mas porque a maior parte da “floresta” deles já foi queimada no passado.

Estratégia Geral 🗺️
Vamos analisar cada alternativa e verificar se ela apresenta uma explicação historicamente correta para a baixa taxa de extinção atual nos países desenvolvidos, em contraste com a alta taxa nos países tropicais.


Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio

Passo a Passo Detalhado 👣

  1. Fato 1 (do texto): As taxas de extinção atuais são altíssimas, principalmente pela destruição do hábitat nos trópicos.
  2. Fato 2 (do comando): As taxas atuais nos países desenvolvidos são baixas.
  3. A Pergunta: Por que essa diferença?
  4. Análise Histórica: Os países desenvolvidos passaram por um intenso processo de industrialização e urbanização que já causou uma degradação ambiental massiva em seu próprio território no passado. Eles desmataram suas florestas para agricultura, para obter combustível (carvão, lenha) e para construir cidades.
  5. A Consequência: A biodiversidade original desses países já foi drasticamente reduzida. Portanto, a taxa de extinção atual é baixa porque há, comparativamente, “menos a ser extinto” e as fronteiras de exploração de ecossistemas primários já se esgotaram.
  6. O Contraste: Nos países tropicais, a exploração intensiva de ecossistemas de alta biodiversidade é um fenômeno mais recente e em pleno andamento, o que explica as altas taxas de extinção atuais.

Conclusão: A baixa taxa de extinção nos países desenvolvidos hoje não é sinal de uma virtude ambiental histórica, mas sim o reflexo de uma degradação já consolidada que ocorreu em seu passado industrial.


Passo 5: Análise das Alternativas

🔴 A) exploração sustentável da enorme diversidade natural existente nesses países.
Incorreta. A história da industrialização nos países desenvolvidos foi marcada pela exploração predatória, não sustentável. Além disso, a “enorme diversidade natural” hoje está, em grande parte, nos trópicos.

🔴 B) introdução de modernas tecnologias capazes de conter o avanço do desmatamento.
Incorreta. Embora existam tecnologias, a principal razão não é essa, mas o fato de que a maior parte do desmatamento já ocorreu.

🟢 C) degradação já causada anteriormente por pressões advindas do processo de industrialização.
Correta. Esta alternativa oferece a explicação histórica correta. As taxas de extinção atuais são baixas porque a grande onda de degradação e extinção nesses países aconteceu no passado, durante sua revolução industrial.

🟡 D) conservação de superfícies significativas de ecossistemas pouco alterados pela ação antrópica.
A que mais confunde. Incorreta. É o oposto do que aconteceu na maioria dos países desenvolvidos, como os europeus. Eles possuem pouquíssimas áreas de ecossistemas primários (“pouco alterados”).

🔴 E) incorporação dos recursos florestais à riqueza nacional desses países, favorecendo o extrativismo.
Incorreta. Essa incorporação já aconteceu de forma intensa no passado, o que levou à degradação. O extrativismo hoje é muito mais intenso nas florestas tropicais.


Passo 6: Conclusão e Justificativa Final

Resumo do Raciocínio 📝
O texto destaca que as maiores taxas de extinção de espécies ocorrem atualmente nas florestas tropicais. A razão pela qual as taxas são comparativamente mais baixas nos países desenvolvidos não se deve a uma maior consciência ambiental histórica, mas ao fato de que esses países já passaram por um intenso processo de degradação de seus próprios ecossistemas durante a Revolução Industrial e a expansão agrícola nos séculos passados. A maior parte de suas florestas primárias já foi destruída, e a biodiversidade original, reduzida. Portanto, a baixa taxa de extinção atual é, em grande parte, um reflexo de uma degradação que já ocorreu.

Gabarito Reafirmado 🏅
A alternativa correta é a C.

Resumo Final para Revisão
Lembre-se da “dívida ecológica” histórica: os países desenvolvidos construíram sua riqueza com base em um modelo de exploração ambiental predatória em seus próprios territórios. Agora, a fronteira da exploração e, consequentemente, da extinção, deslocou-se para os países em desenvolvimento, especialmente os tropicais.

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