
A charge faz uma crítica
A) a uma sociedade em que tudo tem um preço.
B) ao individualismo da sociedade contemporânea.
C) ao preço elevado dos produtos comercializados.
D) à desvalorização que as pessoas sofrem no mundo atual.
E) ao valor exagerado que se dá às coisas nos dias de hoje.

✍ Resolução Em Texto
Matérias Necessárias para a Solução da Questão
- Interpretação de Texto em Língua Espanhola
- Interpretação de Gêneros Textuais (Charge/Tirinha)
- Análise de Linguagem Verbal (Diferença entre Valor e Preço)
Tema/Objetivo Geral: Identificar a crítica social sobre a mercantilização da vida, expressa de forma irônica em uma charge.
Nível da Questão: Médio – A questão é considerada de nível médio porque exige a compreensão de uma nuance da língua espanhola: a diferença sutil, mas crucial, entre o verbo “costar” (custar, no sentido de preço monetário) e a expressão “tener precio” (ter um preço, no sentido de que tudo pode ser comprado ou vendido, ou seja, tudo é mercadoria). Uma leitura literal poderia levar ao erro.
Gabarito: A) a uma sociedade em que tudo tem um preço. – A alternativa está correta pois captura a essência da crítica: o cansaço da personagem não vem do valor monetário das coisas, mas do fato de que tudo na vida, inclusive sentimentos e relações, passou a ser tratado como uma mercadoria com um “preço”.
📖 Resolução Passo a Passo
🔎 Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo
Transcrição Essencial
“A charge faz uma crítica…”
O que está sendo pedido?
A questão nos pede para identificar qual é a crítica central que a personagem da charge está fazendo sobre a vida contemporânea.
Objetivo Cristalino
Nosso objetivo é traduzir e interpretar a fala da personagem para entender a diferença entre os dois conceitos que ela apresenta e, assim, descobrir o alvo exato da sua crítica.
Pergunta de Atenção
Você já parou para pensar na diferença entre o valor de um amigo e o preço de um produto? A tirinha brinca exatamente com essa confusão moderna entre as duas ideias.
📚 Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários
Definições e Fórmulas / explicação de termos
Para resolver esta questão, é fundamental entender a diferença entre dois conceitos que a personagem contrapõe. Vamos organizá-los em uma tabela:
| Conceito | Definição / Explicação | Exemplo na Charge / Cotidiano |
| “Cuánto cuestan las cosas” (Quanto as coisas custam) | Refere-se ao preço monetário, ao custo econômico dos produtos e serviços. É a crítica comum sobre a inflação, o custo de vida, o preço alto das mercadorias. | “Nossa, como o aluguel está caro!” ou “O preço da gasolina não para de subir.” A personagem diz que NÃO é isso que a cansa. |
| “Que todo tenga precio” (Que tudo tenha um preço) | Refere-se à mercantilização da vida. É a ideia de que tudo, inclusive sentimentos, relações, tempo, favores e até a felicidade, foi transformado em uma mercadoria que pode ser comprada, vendida ou trocada. | “Amizade por interesse”, “pagar para ter mais seguidores”, “vender a imagem de uma vida perfeita”. É a crítica de que tudo se tornou transacional. |
📝 Passo 3: Tradução e Interpretação do Problema
Contextualização Simplificada
A personagem está tendo um momento de desabafo filosófico. Ela diz, basicamente: “Sabe o que me deixa exausta? Não é ter que pagar caro pelas coisas, como comida ou aluguel. O que realmente me esgota é viver num mundo onde tudo virou um produto. Amizade tem preço, amor tem preço, tempo livre tem preço. Tudo está à venda, tudo é uma transação.” A crítica dela é existencial, não apenas econômica.
Estratégia Geral
O plano é simples: 1) Traduzir literalmente a fala. 2) Analisar o contraste que a estrutura “No es… sino que…” (“Não é… mas sim…”) cria. 3) Usar essa análise para eliminar as alternativas que focam no problema que ela explicitamente nega.
🧮 Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio
Passo a Passo Detalhado
- Análise da primeira parte da fala:“Lo que más te cansa de la vida no es cuánto cuestan las cosas”.
- Tradução: “O que mais te cansa na vida não é quanto as coisas custam”.
- Com essa frase, a personagem descarta a crítica óbvia sobre o alto custo de vida ou os preços elevados. Ela está dizendo que o problema é mais profundo.
- Análise da segunda parte da fala:“Sino que toda tenga precio”.
- Tradução: “Mas sim que tudo tenha um preço”.
- Aqui está o núcleo da crítica. A palavra “sino” (mas sim) joga todo o peso do argumento para esta segunda frase. O problema é a mercantilização total da existência.
Verificação Intermediária
O raciocínio nos mostra que a crítica não é sobre finanças, mas sobre valores. A charge lamenta a perda de coisas que deveriam estar fora do mercado, como afeto e autenticidade.
Possível armadilha
A principal armadilha aqui é cair na interpretação literal e econômica. Ao ver as palavras “cuestan” e “precio”, você pode ser levado a pensar nas alternativas (C) ou (E), que falam sobre preços elevados. Porém, a personagem nega explicitamente essa ideia logo na primeira frase. A charge te dá a isca e logo em seguida avisa: “Não é isso!”.
fechamento e expectativa
Portanto, esperamos encontrar uma alternativa que reflita a ideia filosófica de que a sociedade transformou tudo em mercadoria, e não uma que reclame do preço das coisas no supermercado.
✅ Passo 5: Análise das Alternativas
Listagem das Alternativas
(A) a uma sociedade em que tudo tem um preço.
(B) ao individualismo da sociedade contemporânea.
(C) ao preço elevado dos produtos comercializados.
(D) à desvalorização que as pessoas sofrem no mundo atual.
(E) ao valor exagerado que se dá às coisas nos dias de hoje.
Justificativa Individual
- 🟢 (A) a uma sociedade em que tudo tem um preço. Correta. Esta alternativa é uma tradução quase literal da conclusão da personagem (“que toda tenga precio”). Ela captura perfeitamente a crítica à mercantilização da vida.
- 🔴 (B) ao individualismo da sociedade contemporânea. Incorreta. Embora a mercantilização possa ser um sintoma do individualismo, a fala da personagem foca no aspecto econômico/transacional da vida, não no isolamento ou no egocentrismo.
- 🔴 (C) ao preço elevado dos produtos comercializados. Incorreta. Esta é a principal armadilha. A personagem diz EXATAMENTE o oposto: “NÃO é quanto as coisas custam”.
- 🔴 (D) à desvalorização que as pessoas sofrem no mundo atual. Incorreta. Esta é uma consequência possível da mercantilização, mas não é a crítica direta que a personagem faz. A fala é sobre “tudo” ter preço, e não especificamente sobre a desvalorização das pessoas.
- 🔴 (E) ao valor exagerado que se dá às coisas nos dias de hoje. Incorreta. Semelhante à alternativa (C), esta opção foca no alto custo ou na supervalorização monetária, algo que a personagem nega ser a sua principal fonte de cansaço.
🏆 Passo 6: Conclusão e Justificativa Final
Resumo do Raciocínio
A charge constrói sua crítica ao negar um problema comum (o alto custo de vida) para afirmar um problema existencial mais profundo: a transformação de todas as esferas da vida, incluindo as afetivas, em algo com um “preço”.
Gabarito Reafirmado
A alternativa correta é a A, pois ela sintetiza com precisão a segunda e mais importante parte do argumento da personagem.
Resumo Final para Revisão 🔍
Em charges e tirinhas, preste muita atenção nas estruturas de contraste (como “não é X, mas sim Y”). Geralmente, a mensagem principal está naquilo que é afirmado (Y), e não naquilo que é negado (X).