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Questão 83 caderno azul ENEM 2013

Medir temperatura é fundamental em muitas aplicações, e apresentar a leitura em mostradores digitais é bastante prático. O seu funcionamento é baseado na correspondência entre valores de temperatura e de diferença de potencial elétrico.

Por exemplo, podemos usar o circuito elétrico apresentado, no qual o elemento sensor de temperatura ocupa um dos braços do circuito (Rs ) e a dependência da resistência com a temperatura é conhecida.

Para um valor de temperatura em que RS = 100 Ω, a leitura apresentada pelo voltímetro será de 

A) + 6,2 V. 

B) + 1,7 V. 

C) + 0,3 V. 

D) – 0,3 V. 

E) – 6,2 V

Matérias Necessárias para a Solução da Questão:

Eletrodinâmica
Circuitos Elétricos (Associação de Resistores em Série)
Primeira Lei de Ohm
Conceito de Potencial Elétrico e Diferença de Potencial (DDP)
Divisor de Tensão (Ponte de Wheatstone)

Tema/Objetivo Geral: Cálculo da diferença de potencial (ddp) em uma Ponte de Wheatstone desequilibrada, que é um circuito clássico para medição de grandezas físicas através da variação de resistência.

Nível da Questão: Dificil.

Detalhe: A questão é de nível médio porque, embora envolva conceitos fundamentais como a Lei de Ohm, sua resolução exige uma análise cuidadosa de potenciais elétricos em pontos específicos de um circuito com ramos paralelos. O desafio não é apenas calcular uma corrente ou resistência total, mas sim determinar a tensão entre dois pontos no meio do circuito, o que requer uma compreensão mais aprofundada da distribuição de potencial.

Gabarito: D) – 0,3 V.

Explicação: Esta é a resposta correta porque a diferença de potencial entre o ponto conectado ao terminal positivo do voltímetro e o ponto conectado ao terminal negativo é de aproximadamente -0,3 V, um resultado obtido ao tratar cada lado do circuito como um divisor de tensão independente.


1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

  • Decodificação do Objetivo: Em bom português, a missão é descobrir exatamente qual número o voltímetro vai mostrar na tela. Para isso, precisamos calcular a “voltagem” em cada um dos pontos onde os fios do voltímetro estão conectados e depois encontrar a diferença entre eles.
  • Simplificação Radical (A Analogia Central): Pense neste circuito como duas cachoeiras de água lado a lado, ambas com uma queda total de 10 metros (os 10 V da fonte). O voltímetro é como um engenheiro com um medidor de nível a laser, que está mirando em uma rocha no meio da cachoeira da esquerda e em outra rocha no meio da cachoeira da direita. Ele quer saber a diferença de altura exata entre essas duas rochas. Nossa tarefa é calcular a “altitude” (potencial elétrico) de cada rocha e depois subtrair uma da outra.
  • Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação): Nosso plano será o seguinte:
    1. Investigar o Ramo Esquerdo: Vamos calcular o potencial elétrico (a “altitude”) no ponto onde o terminal positivo (+) do voltímetro está conectado.
    2. Investigar o Ramo Direito: Faremos o mesmo para o ponto onde o terminal negativo (-) está conectado.
    3. Determinar a Diferença: Com os dois potenciais em mãos, calcularemos a leitura do voltímetro, que é a diferença entre o potencial do ponto positivo e o do negativo.

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Para resolver este caso de forma elegante, nossa principal ferramenta será o conceito do Divisor de Tensão. Ele é perfeito para descobrir o potencial em um ponto entre dois resistores em série.

Vamos organizar as informações em um Dossiê:

🕵️‍♂️ DOSSIÊ DO CONCEITO: O DIVISOR DE TENSÃO 🕵️‍♂️

  • Identidade: Uma regra fundamental em circuitos em série que descreve como a tensão total de uma fonte é “dividida” entre os resistores.
  • Modus Operandi: Em um ramo com dois resistores (um “de cima”, R_cima, e um “de baixo”, R_baixo), o potencial no ponto entre eles (medido em relação ao terra/0V) pode ser encontrado sem precisar calcular a corrente.
  • A Fórmula-Chave:
    • V_ponto = V_fonte * (R_baixo / (R_cima + R_baixo))
  • Aplicação no nosso caso: O circuito é formado por dois divisores de tensão em paralelo. O ramo da esquerda (470 Ω e 100 Ω) é um divisor, e o ramo da direita (470 Ω e 120 Ω) é outro. Usaremos essa fórmula para encontrar o potencial nos pontos de interesse de forma rápida e precisa.

3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Agora, vamos executar nosso plano de ataque, aplicando a ferramenta que preparamos.

  • Execução do Passo 1 (Investigação do Ramo Esquerdo):

    • Neste ramo, temos R_cima = 470 Ω e R_baixo (Rs) = 100 Ω. A tensão da fonte é V_fonte = 10 V.
    • Vamos chamar o potencial no ponto de conexão do terminal (+) de V_esquerda.
    • Aplicando a fórmula do Divisor de Tensão:
      V_esquerda = 10 V * (100 Ω / (470 Ω + 100 Ω))
      V_esquerda = 10 * (100 / 570) ≈ 1,754 V
  • Execução do Passo 2 (Investigação do Ramo Direito):

    • Neste ramo, temos R_cima = 470 Ω e R_baixo = 120 Ω.
    • Vamos chamar o potencial no ponto de conexão do terminal (-) de V_direita.
    • Aplicando a fórmula novamente:
      V_direita = 10 V * (120 Ω / (470 Ω + 120 Ω))
      V_direita = 10 * (120 / 590) ≈ 2,034 V

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO! O erro mais comum aqui é calcular a diferença entre as resistências (120 Ω – 100 Ω = 20 Ω) e tentar usar esse valor para achar a tensão. Isso é conceitualmente errado! A tensão medida depende da proporção das resistências em cada ramo, não da diferença simples entre elas. Devemos sempre calcular os potenciais de cada ponto de forma independente e só depois subtraí-los.

  • Execução do Passo 3 (A Leitura Final do Voltímetro):

    • Um voltímetro ideal mede a diferença de potencial entre seu terminal positivo e seu terminal negativo.
    • Leitura = V_ponto(+) – V_ponto(-)
    • Leitura = V_esquerda – V_direita
    • Leitura ≈ 1,754 V – 2,034 V = -0,28 V
  • A Bússola (O Perfil do Culpado):
    • Síntese do raciocínio: Analisamos o circuito como dois ramos paralelos, cada um atuando como um divisor de tensão. Calculamos o potencial nos pontos de medição em cada ramo e, em seguida, subtraímos o potencial do terminal negativo do potencial do terminal positivo para encontrar a leitura do voltímetro.
    • Expectativa: Esperamos encontrar uma alternativa com um valor de tensão negativo e de baixa magnitude, muito próximo de -0,3 V.

4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

Vamos agora confrontar nossa expectativa com as alternativas fornecidas.

Alternativas A) + 6,2 V e E) – 6,2 V.

A “Narrativa do Erro”: Estes valores provavelmente surgem de um erro conceitual mais profundo. Por exemplo, o aluno pode ter tentado calcular a corrente total do circuito de forma incorreta (somando resistências que estão em paralelo como se estivessem em série) ou aplicado a Lei de Ohm de maneira equivocada, confundindo a tensão sobre um componente com a tensão total.

O “Diagnóstico do Erro”: Erro Conceitual Grave. A resposta não deriva de um pequeno lapso, mas de uma aplicação fundamentalmente incorreta das leis de circuitos.

Conclusão: ❌ Alternativas incorretas.

Alternativa B) + 1,7 V.

A “Narrativa do Erro”: O candidato calculou corretamente o potencial no ponto esquerdo (≈ 1,75 V), ficou satisfeito com o resultado parcial e o marcou como resposta final, sem perceber que a questão pedia a diferença de potencial, e não o potencial de um único ponto.

O “Diagnóstico do Erro”: Reducionismo (Análise Parcial). O erro consiste em resolver apenas uma parte do problema e tomá-la como a solução completa.

Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

Alternativa C) + 0,3 V.

A “Narrativa do Erro”: O investigador fez todos os cálculos corretamente, mas no momento final da subtração, inverteu a ordem (V_direita – V_esquerda). Ele se esqueceu de que a leitura depende da polaridade dos terminais do medidor.

O “Diagnóstico do Erro”: Inversão de Polaridade. O erro ignora a convenção de que a leitura de um voltímetro é V(+) – V(-).

Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

Alternativa D) – 0,3 V.

Análise de Correspondência: Este valor é o arredondamento direto do nosso resultado calculado de -0,28 V. A correspondência é perfeita com o perfil que traçamos.

Conclusão: ✔️ Alternativa correta.


5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Frase de Fechamento: Confirmamos que a alternativa (D) é a correta, pois a leitura de -0,3 V representa a sutil diferença de potencial gerada pelo desequilíbrio entre os dois ramos da Ponte de Wheatstone.

Resumo-flash (A Imagem Mental): A voltagem na ponte é o “desnível” entre dois caminhos: calcule a altitude de cada ponto e depois subtraia.

🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro): O mesmo princípio físico que acabamos de usar é a base de tecnologias de alta precisão em Engenharia Civil. Sensores de deformação (strain gauges), que são essencialmente resistores muito sensíveis, são colados em estruturas como pontes e vigas de edifícios. Quando a estrutura sofre uma mínima deformação (devido ao peso ou ao vento), a resistência do sensor muda. Essa mudança desequilibra uma Ponte de Wheatstone, exatamente como no nosso problema, gerando uma pequena voltagem (como os -0,3 V que encontramos). Essa voltagem é então medida para monitorar a saúde e a segurança da estrutura em tempo real. Assim, a física de um circuito de laboratório é a mesma que garante a segurança de um arranha-céu.

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