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Questão 27, caderno azul do ENEM 2013

A felicidade é, portanto, a melhor, a mais nobre e a mais aprazível coisa do mundo, e esses atributos não devem estar separados como na inscrição existente em Delfos “das coisas, a mais nobre é a mais justa, e a melhor é a saúde; porém a mais doce é ter o que amamos”. Todos estes atributos estão presentes nas mais excelentes atividades, e entre essas a melhor, nós a identificamos como felicidade.

ARISTÓTELES. A Política. São Paulo: Cia. das Letras, 2010.

Ao reconhecer na felicidade a reunião dos mais excelentes atributos, Aristóteles a identifica como

A) busca por bens materiais e títulos de nobreza.

B) plenitude espiritual e ascese pessoal.

C) finalidade das ações e condutas humanas.

D) conhecimento de verdades imutáveis e perfeitas.

E) expressão do sucesso individual e reconhecimento.

✍️ Resolução Em Texto

🎯 Tema/Objetivo Geral:
Compreender o conceito de felicidade segundo Aristóteles e sua relação com a finalidade da vida humana.

📚 Necessárias para a Solução da Questão:
Ética aristotélica, filosofia antiga, conceito de eudaimonia, finalidade (telos) das ações humanas.

🎯 Nível da Questão:
Médio

Gabarito:
C) finalidade das ações e condutas humanas.


📖 Resolução Passo a Passo

🔎 Passo 1: Análise do Comando e Objetivo

O comando parte de um trecho da obra “A Política” de Aristóteles, no qual o filósofo afirma que a felicidade reúne os atributos mais nobres, doces e aprazíveis da existência humana. A pergunta quer saber como Aristóteles concebe a felicidade a partir disso.

➡️ O que o comando quer?
Que o estudante identifique a visão aristotélica da felicidade como um fim último, ou seja, aquilo para o qual todas as ações humanas naturalmente se dirigem.

➡️ Objetivo Cristalino da questão:
Levar o aluno a reconhecer que, para Aristóteles, a felicidade (em grego, eudaimonia) não é um estado passageiro ou um bem material, mas a finalidade última da vida humana, que se realiza por meio das ações virtuosas e da racionalidade.

Armadilha Comum:
Confundir a felicidade aristotélica com bem-estar emocional, sucesso ou prazer imediato — todos esses elementos são partes da vida boa, mas não resumem a eudaimonia aristotélica.


📚 Passo 2: Explicação de Conceitos e conteúdos Necessários

📌 Felicidade para Aristóteles (Eudaimonia):
É a realização plena da natureza humana. Para ele, tudo o que fazemos visa um fim, e o fim último da vida humana é a felicidade, entendida como o exercício pleno da virtude em conformidade com a razão.

📌 Teleologia aristotélica:
Do grego telos (fim), indica que tudo na natureza tem uma finalidade própria. No caso dos seres humanos, essa finalidade é agir racional e virtuosamente.

📌 Virtude (areté):
É a excelência moral e intelectual, alcançada por meio do hábito. A felicidade se realiza quando vivemos de acordo com a virtude, pois isso é o que nos torna plenamente humanos.

📌 Crítica ao hedonismo e ao materialismo:
Aristóteles não reduz a felicidade a prazeres sensoriais, honras ou riquezas. Esses podem ser meios auxiliares, mas não constituem o fim último da vida.


📝 Passo 3: Tradução e Interpretação do Texto

📜 Texto-base:

“A felicidade é, portanto, a melhor, a mais nobre e a mais aprazível coisa do mundo […]. Todos estes atributos estão presentes nas mais excelentes atividades, e entre essas a melhor, nós a identificamos como felicidade.”

📌 Frases-chave:

  • “a melhor, a mais nobre e a mais aprazível”: mostra que a felicidade é síntese do que há de mais elevado.
  • “presentes nas mais excelentes atividades”: remete à ação virtuosa, que, para Aristóteles, define a vida feliz.

🧠 Interpretação Geral:
O texto não fala de riqueza, prazer físico ou sucesso externo. Fala de algo que transcende esses elementos: a felicidade como o resultado das atividades mais nobres, ou seja, da vida guiada pela razão e pela virtude — exatamente o que Aristóteles entende como finalidade (telos) da existência humana.


Passo 4: Análise das Alternativas (ou Argumentos) e Resolução

🔴 A) busca por bens materiais e títulos de nobreza.
Errada. Aristóteles rejeita a identificação da felicidade com riqueza ou status. Esses podem ter valor instrumental, mas não são o fim último da vida.
✔️ Estaria correta em um pensamento sofista ou hedonista, mas não no pensamento aristotélico.

🔴 B) plenitude espiritual e ascese pessoal.
Errada. Essa ideia está mais próxima do estoicismo ou de doutrinas religiosas, como o cristianismo. Aristóteles valorizava o mundo prático e não propunha o afastamento do corpo ou dos prazeres moderados.
✔️ Estaria certa se fosse sobre o pensamento platônico ou religioso.

🟢 C) finalidade das ações e condutas humanas.
Correta. A felicidade (eudaimonia) é, para Aristóteles, o fim supremo de todas as ações humanas. É aquilo que buscamos por si só, e não como meio para outra coisa. A alternativa reflete fielmente essa concepção teleológica.

🔴 D) conhecimento de verdades imutáveis e perfeitas.
Errada. Essa é a visão de Platão, que buscava o conhecimento das ideias eternas. Aristóteles, ao contrário, vê a felicidade no mundo concreto, por meio da razão aplicada à ética e à política.
✔️ Estaria certa se fosse sobre Platão ou a metafísica das ideias.

🔴 E) expressão do sucesso individual e reconhecimento.
Errada. Embora Aristóteles reconheça o valor do reconhecimento social, ele não é suficiente para a felicidade. A eudaimonia exige vida virtuosa e racional, não apenas sucesso exterior.
✔️ Estaria correta numa perspectiva moderna de meritocracia ou autorealização.


🏆 Passo 5: Conclusão e Justificativa Final

A felicidade, para Aristóteles, é o fim último da vida humana, resultado do exercício da virtude em conformidade com a razão. Todas as outras coisas — riqueza, saúde, prazer — podem contribuir para ela, mas não a definem. Portanto, a alternativa C, ao apontar a felicidade como finalidade das ações humanas, traduz com exatidão o pensamento aristotélico.

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