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Questão 20, caderno branco (3) do ENEM 2014 PPL

Em dezembro de 1945, começou uma greve de dois meses no principal porto da África Ocidental Francesa, Dacar. As autoridades só conseguiram levar os grevistas de volta ao trabalho com grandes aumentos de salário e, o que é ainda mais importante, pondo em prática todo o aparato de relações industriais usado na França — em resumo, agindo como se os grevistas fossem modernos operários industriais.

COOPER, F.; HOLT, T.; SCOTT, R. Além da escravidão.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005 (adaptado).

Durante o neocolonialismo, o trabalho forçado — que não se confunde com a escravidão — foi uma constante em diversas regiões do continente africano até o século XX. De acordo com o texto, sua superação deriva da

A) crítica moral da intelectualidade metropolitana.

B) pressão articulada dos organismos multilaterais.

C) resistência organizada dos trabalhadores nativos.

D) concessão pessoal dos empresários imperialistas.

E) baixa lucratividade dos empreendimentos capitalistas.

Resolução Em Texto

🎯 Tema/Objetivo Geral:
Compreender os processos históricos de resistência dos trabalhadores africanos durante o neocolonialismo e a superação do trabalho forçado por meio da organização sindical e grevista.

📚 Matérias Necessárias para a Solução da Questão:
História Contemporânea, Neocolonialismo, História da África, Movimentos Trabalhistas, Leitura e Interpretação de Texto.

🎯 Nível da Questão:
Médio.

Gabarito:
C) resistência organizada dos trabalhadores nativos.


📖 Resolução Passo a Passo

🔎 Passo 1: Análise do Comando e Objetivo

➡️ O que o comando quer?
O comando solicita a identificação do fator que, segundo o texto, levou à superação do trabalho forçado na África durante o neocolonialismo, relacionando-o com o episódio da greve em Dacar, em 1945.

➡️ Objetivo Cristalino da questão:
Compreender o papel da resistência nativa na transformação das relações de trabalho coloniais, identificando que a organização dos trabalhadores locais foi a chave para o fim de práticas coercitivas.

Dúvida Comum:
“Será que a mudança se deveu a pressões externas ou à vontade dos colonizadores?” Não. O próprio texto evidencia que a ação foi uma resposta à greve, ou seja, à resistência interna, não a fatores externos ou à benevolência colonial.


📚 Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários

O neocolonialismo corresponde à fase em que potências europeias expandiram seu domínio na África e Ásia, entre o final do século XIX e meados do século XX.
Durante esse processo, o trabalho forçado foi um recurso utilizado para exploração econômica, mas não se trata da escravidão tradicional, pois não havia a mesma negação total de liberdade jurídica, ainda que houvesse coerção.

A partir da Segunda Guerra Mundial, intensificaram-se os movimentos de resistência anticolonial e organização sindical. Greves e levantes passaram a ser instrumentos eficazes para exigir direitos e melhores condições, forçando as autoridades coloniais a adaptar seus sistemas legais e trabalhistas.

O caso de Dacar, citado no texto, ilustra como a pressão organizada dos trabalhadores nativos levou à implementação de práticas mais próximas às vigentes nas metrópoles europeias.


📝 Passo 3: Tradução e Interpretação do Texto

O trecho menciona que a greve durou dois meses e que só foi solucionada após dois elementos essenciais:

  1. Grandes aumentos salariais.
  2. Aplicação do “aparato de relações industriais usado na França” — ou seja, adoção de mecanismos formais de negociação, típicos do sindicalismo europeu.

Frase-chave:
pôndo em prática todo o aparato de relações industriais usado na França — em resumo, agindo como se os grevistas fossem modernos operários industriais.”

Essa expressão sugere que, até então, os trabalhadores coloniais não eram tratados como operários com direitos, mas sim como força de trabalho subjugada. O movimento grevista forçou uma mudança nesse paradigma.

Interpretação geral:
A resistência organizada, materializada na greve, foi o catalisador da mudança.


Passo 4: Análise das Alternativas e Resolução

A) Crítica moral da intelectualidade metropolitana. 🔴
Errada. Embora setores intelectuais metropolitanos criticassem o colonialismo, o texto não indica que a crítica moral tenha sido determinante nesse caso.
✅ Como ficaria correta?
Se o texto dissesse que foram campanhas ou críticas de intelectuais franceses que motivaram as mudanças, aí essa seria a resposta correta.

B) Pressão articulada dos organismos multilaterais. 🔴
Errada. A ONU e outros organismos multilaterais ainda estavam em formação ou sem poder efetivo sobre esses casos em 1945. O texto não menciona nenhuma ação institucional internacional.
✅ Como ficaria correta?
Se dissesse que a OIT (Organização Internacional do Trabalho) ou a ONU intervieram no caso, poderia ser considerada.

C) Resistência organizada dos trabalhadores nativos. 🟢
Correta. O texto mostra claramente que a greve dos trabalhadores nativos foi o elemento que obrigou as autoridades a mudar as relações de trabalho, implementando melhorias salariais e jurídicas.

D) Concessão pessoal dos empresários imperialistas. 🔴
Errada. Não foi um ato de benevolência espontânea. A concessão decorreu da pressão exercida pela greve.
✅ Como ficaria correta?
Se o texto mencionasse que, voluntariamente, os empresários decidiram melhorar as condições, aí poderia ser a resposta.

E) Baixa lucratividade dos empreendimentos capitalistas. 🔴
Errada. A questão não fala em crise econômica ou prejuízo como motivadores para a mudança nas relações de trabalho.
✅ Como ficaria correta?
Se o texto afirmasse que as empresas deixaram de explorar o trabalho forçado por conta da inviabilidade econômica, poderia ser considerada.


🏆 Passo 5: Conclusão e Justificativa Final

A alternativa C é correta, pois o texto é explícito ao indicar que a greve organizada pelos trabalhadores nativos foi o fator que obrigou as autoridades coloniais a reformar as relações de trabalho, reconhecendo-os como operários industriais. Assim, a superação do trabalho forçado não foi imposta de fora ou por benevolência, mas sim conquistada pelos próprios trabalhadores, evidenciando o protagonismo africano nas lutas anticoloniais.

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