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Questão 60 caderno azul do ENEM 2020 PPL – Dia 1

Uma sombra pairava sobre as tão esperadas descobertas auríferas: a multidão de aventureiros que se espalhara por serras e grotões mostrava-se criminosa e desobediente aos ditames da Coroa ou da Igreja. Carregavam consigo tantos escravos que o preço da mão de obra começara a aumentar na Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro. Ao fim de dez anos, a tensão entre paulistas e forasteiros, entre autoridades e mineradores, só fazia aumentar.

DEL PRIORE, M.; VENÂNCIO, R. Uma breve história do Brasil. São Paulo: Planeta, 2010.

No contexto abordado, do início do século XVIII, a medida tomada pela Coroa lusitana visando garantir a ordem na região foi a

A)  regulamentação da exploração do trabalho.

B)  proibição da fixação de comerciantes.

C)  fundação de núcleos de povoamento.

D)  revogação da concessão de lavras.

E)  criação das intendências das minas.

✍ Resolução Em Texto

Matérias Necessárias para a Solução da Questão:
História do Brasil Colônia (Ciclo do Ouro), Administração Colonial e Conflitos Nativos (Guerra dos Emboabas).

Tema/Objetivo Geral:
Compreender a estrutura administrativa montada por Portugal para fiscalizar a extração de ouro, cobrar impostos e pacificar a região das Minas Gerais (o controle estatal sobre o caos).

Nível da Questão:
Médio.
Por que? O texto descreve um cenário de caos social (brigas, crimes, contrabando). O aluno precisa conectar esse diagnóstico social ao remédio administrativo específico da época. Exige saber o que foi a “Intendência das Minas”, um órgão técnico, e não apenas interpretação de texto.

Gabarito:
Alternativa E.
A Intendência das Minas foi o órgão supremo criado em 1702 para representar a Coroa na região, com poderes de polícia, justiça e fiscalização tributária.


Resolução Passo a Passo

1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Decodificação do Objetivo:
A questão apresenta o cenário das Minas Gerais no início do século XVIII: uma terra sem lei, cheia de aventureiros, crimes e brigas entre paulistas (descobridores) e forasteiros (emboabas).
O enunciado pergunta: Qual foi a ferramenta burocrática e policial que o Rei de Portugal criou para acabar com essa bagunça e garantir que o ouro chegasse aos cofres dele?

Simplificação Radical (A Analogia Central):
Imagine uma sala de aula (Minas Gerais) onde os alunos descobriram doces (ouro). Começa uma briga generalizada, ninguém estuda e os doces estão sendo roubados.
O Diretor da escola (o Rei) precisa intervir. Ele não pode estar lá pessoalmente. O que ele faz?
Ele nomeia um Inspetor de Disciplina rigoroso (a Intendência) para ficar dentro da sala, separar as brigas e confiscar 20% dos doces para a direção.

Nosso Plano de Ataque será o seguinte:

  1. Identificar o problema no texto (Desordem, Guerra dos Emboabas, Sonegação).
  2. Lembrar qual órgão administrativo tinha poder de polícia e fisco nas minas.
  3. Associar a “Intendência” à função de “garantir a ordem”.

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Precisamos da ferramenta da Administração Colonial do Ouro.

Ficha Técnica: A Intendência das Minas (Criada em 1702)
Este era o “braço de ferro” da Coroa. Substituiu as antigas autoridades frouxas.

  • Função Policial: Prender criminosos, resolver disputas de terra (datas), punir o contrabando.
  • Função Fiscal: Cobrar o Quinto (20% de tudo).
  • Função Legislativa: Criar o Regimento das Minas (as regras do jogo).

Frase de Transição Padrão: “Uma imagem poderosa pode transformar um conceito abstrato em uma memória inesquecível. A ilustração a seguir foi criada para visualizar a essência da nossa análise, tornando a ideia central clara e impactante:”


3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Vamos analisar o diagnóstico do texto:

  • Sintoma 1: “multidão de aventureiros… criminosa e desobediente”.
    • Necessidade: Polícia e Justiça.
  • Sintoma 2: “tensão entre paulistas e forasteiros”.
    • Contexto: Isso se refere à Guerra dos Emboabas (1707-1709). O conflito explodiu porque não havia regras claras de quem podia explorar o quê.
  • A Ação da Coroa: Para não perder o controle (e o lucro), Portugal precisava de um órgão que fosse administrativo, jurídico e fiscal ao mesmo tempo.

Raciocínio Investigativo:
Não bastava “fundar vilas” (isso organiza a moradia, mas não a mineração). Não bastava “proibir comerciantes” (os mineiros morreriam de fome, como aconteceu na Fome de 1698).
Era preciso uma instituição com poder total sobre a extração. O nome histórico dessa instituição é Intendência das Minas.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
Confundir Intendência com Casas de Fundição.
A Intendência (1702) veio primeiro e tinha poder geral (ordem + imposto).
As Casas de Fundição (obrigatórias a partir de 1720) eram locais específicos para derreter o ouro e evitar o contrabando do ouro em pó.
A questão fala de “garantir a ordem” num contexto amplo de criminalidade e tensão social. A Intendência é a resposta mais abrangente para a gestão do território.

A Bússola (Expectativa):
Procuramos a alternativa que cite o órgão administrativo máximo da região aurífera.


4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

Vamos examinar as opções:

A) regulamentação da exploração do trabalho.

  • Análise: A Coroa não regulamentava as condições do trabalho escravo (segurança, horas, etc.) visando a “ordem pública”. A escravidão era brutal e privada. A preocupação da Coroa era com a produção, não com o direito trabalhista ou a gestão interna da mão de obra, exceto para cobrar impostos por cabeça de escravo (capitação). Mas isso é fiscal, não de ordem pública geral.
  • Diagnóstico do Erro: Anacronismo e foco errado (Trabalho vs. Administração Pública).
  • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

B) proibição da fixação de comerciantes.

  • Análise: Impossível. No início, houve fome porque só queriam ouro e ninguém plantava. A Coroa precisava dos comerciantes para abastecer a região (tropeiros), senão a mineração parava por inanição. Proibir o comércio seria matar a galinha dos ovos de ouro.
  • Diagnóstico do Erro: Contradição lógica (inviabilizaria a sobrevivência).
  • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

C) fundação de núcleos de povoamento.

  • Análise: A fundação de vilas (como Vila Rica, Mariana) foi uma consequência da organização e uma estratégia de urbanização, mas a medida direta para “garantir a ordem” sobre a “multidão criminosa” e resolver a disputa de lavras foi a criação do órgão fiscalizador (Intendência). As vilas nasceram sob a tutela das Intendências e Governadores.
  • Diagnóstico do Erro: Confundir a estrutura urbana com o órgão de poder/controle.
  • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

D) revogação da concessão de lavras.

  • Análise: A Coroa queria mais ouro, não menos. Revogar as concessões (proibir a mineração) seria jogar dinheiro fora. O que a Coroa fez foi organizar a concessão através do sistema de Datas (lotes de terra), gerido pela Intendência.
  • Diagnóstico do Erro: Ação oposta ao interesse econômico (Proibir vs. Regular).
  • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

E) criação das intendências das minas.

  • Análise: Perfeito. Criada em 1702 (Regimento das Minas), a Intendência era o “Estado” presente na selva. O Intendente tinha poder de polícia, juiz e cobrador de impostos. Foi esse órgão que distribuiu as datas, resolveu as brigas entre paulistas e emboabas (junto com a criação da Capitania) e impôs a lei do Rei.
  • Conclusão: 🟢 Alternativa correta.

5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Frase de Fechamento:
Diante do caos do “Velho Oeste” mineiro, Portugal não enviou apenas soldados, mas instalou uma burocracia pesada: a Intendência das Minas foi o aparato estatal que transformou a disputa selvagem pelo ouro em uma indústria colonial tributada e vigiada.

Resumo-flash (A Imagem Mental):
⚖️ O Xerife de Peruca: A Intendência é o xerife que chegou na cidade sem lei, mas em vez de apenas atirar, ele trouxe um livro de regras e uma balança para pesar o imposto.

🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
Conecte isso com a Receita Federal e a Polícia Federal hoje.
Quando há garimpo ilegal na Amazônia hoje, o Estado envia a Polícia (para prender) e os órgãos ambientais/fiscais (para multar e destruir máquinas). A lógica é a mesma de 1700: onde há riqueza natural descontrolada, o Estado precisa impor sua soberania para evitar o caos e a evasão de divisas.

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