Questão 23 caderno azul do ENEM 2020 PPL – Dia 1

A expansão urbana altera a configuração de muitos espaços, a ponto de prejudicar atividades neles desenvolvidas, seja pela especulação imobiliária, ou pelo projeto urbanístico da administração pública. Essa pressão é sentida em algumas escolas, principalmente para a prática de esportes, que demanda uma área ampla e diferenciada. O problema leva gestores e docentes a procurarem alternativas para se adaptar a essa realidade urbana. Para o urbanista Fernando Pinho, “se a cidade é de todos e para todos, por que não se apropriar dela? A escola deve ser mais porosa à cidade, à vida do lado de fora […]. Temos que trazer a cidade para a sala de aula e tornar a cidade uma sala de aula”. 

PERET, E. A cidade como sala de aula. Retratos: a revista do IBGE, n. 4, 2017 (adaptado).

As mudanças urbanísticas têm impactado o espaço escolar. Nesse contexto, a prática de esporte

A) pressupõe projetos urbanísticos que sejam adequados.

B) exige quadras e ginásios que se localizem fora da escola.

C) demanda locais específicos que viabilizem sua realização.

D) pede criação de regras que atendam à reconfiguração urbana.

E) requer modalidades não convencionais que explorem o espaço urbano.

Resolução Em Texto

Matérias Necessárias para a Solução da Questão:

  • Educação Física (Esportes e Lazer).
  • Geografia Urbana (Espaço Público e Especulação Imobiliária).
  • Interpretação de Texto (Inferência de Propostas).

Tema/Objetivo Geral:
Compreender a relação entre a falta de infraestrutura escolar (causada pela pressão urbana) e a necessidade de ressignificar a prática esportiva utilizando a própria cidade como equipamento.

Nível da Questão:
Médio.
Por que? A questão exige uma conexão lógica sutil. O aluno não deve apenas identificar o problema (falta de espaço), mas inferir a solução pedagógica proposta pelo texto (adaptar o esporte ao espaço disponível, e não esperar a construção do espaço ideal). As alternativas B e C são distratores fortes que apelam para o senso comum, mas fogem da filosofia do texto.

Gabarito:
Alternativa E.
O texto propõe que a escola seja “porosa” e “traga a cidade para a aula”. Isso implica que, na falta de quadras oficiais (espaço convencional), a Educação Física deve se apropriar de praças, ruas e escadarias, exigindo modalidades que se adaptem a esses locais (não convencionais).


Resolução Passo a Passo

1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

A questão apresenta um cenário de crise: as cidades crescem, o metro quadrado fica caro (especulação) e as escolas perdem espaço para construir grandes quadras.
O comando pergunta: Diante dessa realidade e da opinião do urbanista citado, como deve ser a prática de esportes?

Simplificação Radical (A Analogia Central):
Imagine que você quer jogar futebol, mas o campo foi transformado em um estacionamento. Você tem duas opções:

  1. Sentar e chorar esperando construírem outro campo (Postura passiva).
  2. Pegar a bola e inventar um jogo que funcione na calçada, usando os bancos e muros como obstáculos (Postura ativa/adaptativa).
  • O verdadeiro desafio aqui é: Perceber que o texto defende a opção 2 (adaptação criativa).

Nosso Plano de Ataque será o seguinte:

  1. Identificar a causa (pressão urbana tira espaço da escola).
  2. Identificar a solução proposta pelo texto (“Apropriar-se da cidade”, “Cidade como sala de aula”).
  3. Concluir qual tipo de esporte cabe nessa nova sala de aula “improvisada”.

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Para resolver isso, vamos usar o Fluxograma de Adaptação.

O Problema: Expansão Urbana + Especulação Imobiliária.
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A Consequência: A escola fica sem área ampla (sem quadra oficial).
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A Proposta do Texto: “Escola Porosa” (Sair dos muros).
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A Aplicação Prática (A Resposta):
Se não tenho quadra de vôlei (convencional), uso a praça para Parkour, Skate, Caminhada ou Jogos Adaptados.
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Conceito Chave: Modalidades Não Convencionais (Aquelas que não exigem campo oficial demarcado).


3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Vamos analisar a “alma” do texto na frase do urbanista Fernando Pinho:

“…por que não se apropriar dela [da cidade]? […] Temos que trazer a cidade para a sala de aula e tornar a cidade uma sala de aula”.

O texto NÃO está pedindo para a prefeitura construir ginásios (isso seria o ideal, mas o texto lida com a realidade da escassez).
O texto está pedindo uma mudança de mentalidade. Se a cidade é a sala de aula, o meio-fio vira trave, a escadaria vira aparelho de ginástica, a rampa vira pista.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO com as alternativas que sugerem soluções burocráticas ou logísticas (como “alugar um ginásio fora”). O texto é poético e pedagógico: ele fala de apropriação e vivência, não de aluguel de espaço. O aluno desatento marca a (B) pensando na logística, mas esquece a filosofia do texto.

A Bússola (O Perfil do Culpado):

  • Síntese do raciocínio: O espaço sumiu. A escola deve ir para a rua. A rua não tem marcação olímpica. Logo, o esporte deve ser adaptado (não convencional).
  • Expectativa: Uma alternativa que fale sobre usar o espaço urbano de forma criativa/adaptada.

4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

Vamos dissecar as opções:

(A) pressupõe projetos urbanísticos que sejam adequados.
Isso seria o mundo ideal, mas o texto descreve o problema real (projetos que prejudicam a escola). Esperar pelo projeto adequado é passividade. O texto propõe ação imediata (“apropriar-se”).
Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

(B) exige quadras e ginásios que se localizem fora da escola.
Embora usar um ginásio comunitário seja possível, essa alternativa restringe a solução a “quadras e ginásios” (espaços convencionais). O texto é mais amplo: fala em usar a cidade (ruas, praças). Além disso, o texto propõe tornar a cidade uma sala de aula, o que é mais profundo do que apenas achar um local para jogar bola.
Conclusão: 🟡 PARCIALMENTE CORRETA (É uma solução logística possível, mas reducionista frente à proposta pedagógica do texto).

(C) demanda locais específicos que viabilizem sua realização.
O erro está em “locais específicos”. A proposta de “cidade como sala de aula” sugere que qualquer lugar pode ser pedagógico, não apenas locais feitos especificamente para o esporte.
Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

(D) pede criação de regras que atendam à reconfiguração urbana.
O texto não discute legislação ou regras, mas sim a atitude de gestores e docentes frente ao problema espacial.
Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

(E) requer modalidades não convencionais que explorem o espaço urbano.
Perfeito. Se vou usar a cidade “como ela é” (com seus desníveis, obstáculos e arquitetura), não posso depender de esportes que exigem quadras padronizadas. Preciso de modalidades que dialoguem com a rua (Caminhada, Corrida de Orientação, Skate, Parkour, Dança de Rua). Isso é “explorar o espaço urbano”.
Conclusão: 🟢 Alternativa correta.


5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Frase de Fechamento:
A alternativa (E) é a única que alinha a prática esportiva à filosofia de “escola porosa”: transformar a falta de muros escolares em uma oportunidade para vivenciar a cidade através de esportes livres e adaptáveis.

Resumo-flash (A Imagem Mental):
💡 Se a escola não tem quadra, a cidade vira o playground. (Parkour em vez de Futsal).

🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
Pesquise sobre Parkour (Le Parkour). Criado na França, é a definição exata dessa questão: uma prática física que não usa equipamentos, apenas o corpo e a arquitetura urbana (muros, escadas) para se deslocar. É a “apropriação da cidade” em sua forma mais pura.

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