Questão 24 caderno azul do ENEM 2020 PPL – Dia 1

Questão 24 - ENEM PPL 2020

Essa campanha contra a sexualização infantil utiliza-se da articulação entre texto escrito e imagem para representar um(a)

A) casal de crianças do sexo oposto.

B) relação inocente entre duas crianças.

C) horário do dia inapropriado para crianças.

D) proximidade inadequada entre as crianças.

E) espaço perigoso para crianças dessa idade.

Resolução Em Texto

Matérias Necessárias para a Solução da Questão:

  • Linguagens e Códigos (Leitura de Textos Multimodais: Imagem + Texto).
  • Interpretação de Campanhas Publicitárias/Sociais.

Tema/Objetivo Geral:
Analisar a função social de uma campanha publicitária e como a relação entre a parte verbal (slogan) e a não verbal (fotografia) constrói o sentido de defesa da infância.

Nível da Questão:
Fácil.
Por que? A imagem é clara e o texto verbal é direto. A associação entre os dois não exige abstração complexa, apenas a identificação do sentimento positivo (inocência) que a imagem transmite.

Gabarito:
Alternativa B.
Essa alternativa é a correta pois descreve exatamente a cena retratada: duas crianças interagindo de forma lúdica e pura, exemplificando o comportamento esperado para essa fase da vida, em oposição ao comportamento adulto (namorar).


Resolução Passo a Passo

1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

O comando pede para analisarmos a articulação (a mistura, o casamento) entre o que está escrito e o que está desenhado (foto).
A questão quer que você identifique o que a imagem está mostrando para reforçar a mensagem de que “Criança não namora”.

Simplificação Radical (A Analogia Central):
Imagine uma placa de trânsito. Se o texto diz “PARE”, a imagem geralmente é uma mão ou um sinal vermelho. Aqui, o texto diz “NÃO NAMORA”. A imagem precisa mostrar o oposto de namorar. O oposto de namorar, para uma criança, é brincar ou ser amigo.

  • O verdadeiro desafio aqui é: Não se distrair com detalhes periféricos (como o local onde elas estão ou o horário) e focar na natureza da relação entre os dois.

Nosso Plano de Ataque será o seguinte:

  1. Ler o slogan para entender a proibição (“Não namora”).
  2. Ler a imagem para entender a afirmação (O que elas estão fazendo?).
  3. Encontrar a alternativa que define essa ação da imagem.

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Vamos usar a Técnica da Complementaridade.
Em campanhas publicitárias, texto e imagem jogam juntos:

  • O Texto (Verbal): Dá o comando racional, a regra moral. (“Basta à sexualização”).
  • A Imagem (Não Verbal): Dá o exemplo emocional, a realidade ideal.

3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Vamos olhar para a cena como detetives de comportamento.
O texto grita: “CRIANÇA NÃO NAMORA”.
Se olharmos para a foto, vemos um menino e uma menina. Se um adulto “malicioso” olhasse, poderia dizer “olha o casalzinho”.
Mas a campanha usa essa foto justamente para quebrar essa malícia. Ela diz: “Pare! Olhe de novo. Eles não estão namorando. Eles estão olhando as estrelas. Eles são amigos.”

A imagem serve de prova para o texto. Ela mostra como deve ser a infância: livre de preocupações românticas adultas.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO! O erro mais comum aqui é o aluno tentar julgar a segurança física das crianças (Alternativa E) ou achar que a proximidade física entre menino e menina é o problema (Alternativa D). A campanha não está preocupada se elas vão cair do telhado (embora devesse, rs), a campanha é sobre sexualização. O foco é social/psicológico, não segurança do trabalho.

A Bússola (O Perfil do Culpado):

  • Síntese do raciocínio: O texto nega a sexualização (namoro). A imagem afirma a amizade (brincadeira/contemplação). A união dos dois defende a infância pura.
  • Expectativa: Uma alternativa que fale sobre pureza, amizade ou a falta de malícia na cena.

4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

Vamos dissecar as opções:

(A) casal de crianças do sexo oposto.
A palavra “casal” carrega, socialmente, uma conotação romântica/afetiva de par amoroso. A campanha diz justamente que “criança não namora”, ou seja, elas não são um casal. São duas crianças.
Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

(B) relação inocente entre duas crianças.
Perfeito. A imagem mostra curiosidade e companheirismo (apontar para o céu). Isso é inocência. A articulação é: “Não sexualize (texto), veja como elas são inocentes (imagem)”.
Conclusão: 🟢 Alternativa correta.

(C) horário do dia inapropriado para crianças.
Isso é uma extrapolação total. O fato de estar de noite (estrelas) ou entardecer não tem relação direta com a “sexualização infantil”. Crianças podem ver estrelas.
Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

(D) proximidade inadequada entre as crianças.
A campanha defende que crianças podem e devem interagir. A proximidade física não é o problema; o problema é o olhar adulto que sexualiza essa proximidade. Dizer que a proximidade é “inadequada” seria concordar com a sexualização, o oposto do que a campanha quer.
Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

(E) espaço perigoso para crianças dessa idade.
Embora sentar em um beiral alto possa parecer perigoso fisicamente, isso é um “trator” (foge do tema). O tema é sexualização, não prevenção de acidentes domésticos. O perigo discutido é moral/psicológico, não físico.
Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.


5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Frase de Fechamento:
A alternativa (B) é a correta porque captura a essência da infância protegida: a liberdade para criar laços afetivos (amizade) sem o peso e a complexidade das relações amorosas adultas (namoro).

Resumo-flash (A Imagem Mental):
💡 Criança brinca de médico, de casinha, de astronauta. Mas não brinca de namorado.

🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
Isso se conecta à Sociologia da Infância. O historiador Philippe Ariès (em “História Social da Criança e da Família”) explica que a “infância” é uma invenção moderna. Antigamente, crianças eram vistas como “mini-adultos”. Campanhas como esta servem para reforçar essa barreira moderna de proteção, garantindo o “Direito ao Brincar” previsto no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).

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