Descenso noturno fisiológico é definido como uma redução maior ou igual a 10% da medida da pressão arterial (PA) sistólica registrada entre o período de vigília e o período de sono. O exame para avaliar se um indivíduo apresenta ou não descenso fisiológico é chamado de MAPA e consiste no monitoramento da evolução da PA sistólica do individuo ao longo de 24 horas. O resultado desse exame consiste em um gráfico no qual a região correspondente ao período de sono está hachurada em cinza.
Cinco pacientes foram submetidos a esse exame, e os resultados mostram que apenas um paciente apresentou ausência de descenso noturno.
MELO, R. 0. V. et al. Ausência de descenso noturno se associa a acidente vascular cerebral e infarto do miocárdio. Arq. Bras. Cardiol., n. 94, 2010.
O gráfico que indica o resultado do exame do paciente que apresentou ausência de descenso noturno é




✍ Resolução Em Texto
Matérias Necessárias para a Solução da Questão
- Biologia/Fisiologia: Sistema Cardiovascular (Pressão Arterial).
- Matemática: Interpretação de Gráficos e Cálculo de Porcentagem.
Tema/Objetivo Geral:
Analisar a variação da pressão arterial sistólica durante o ciclo circadiano (vigília vs. sono) e identificar, por meio de análise gráfica e percentual, a ausência do fenômeno fisiológico de “descenso noturno”.
Nível da Questão
Médio. O desafio exige que o estudante não apenas leia os dados do gráfico, mas realize comparações proporcionais rápidas entre o valor do período de vigília e a queda ocorrida na região hachurada (sono).
Gabarito
Alternativa E. No gráfico E, a pressão cai de aproximadamente 150 mmHg para 140 mmHg. Uma queda de 10 mmHg em relação a 150 mmHg representa cerca de 6,7%, valor inferior ao limite mínimo de 10% exigido para caracterizar o descenso noturno fisiológico.
1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)
Decodificação do Objetivo: A missão é localizar o “paciente intruso”: aquele cujo coração não “descansa” o suficiente à noite. Precisamos encontrar o gráfico onde a queda da pressão no escuro é menor do que 10% do valor que ela tinha durante o dia.
Simplificação Radical: Pense na pressão arterial como um interruptor de luz com regulagem (dimmer). À noite, a luz deve baixar pelo menos um “degrau” de 10%. O desafio é identificar qual gráfico mostra uma luz que quase não mudou de brilho quando o quarto escureceu.
Nosso Plano de Ataque será o seguinte:
- Definir o Valor de Referência: Observar o nível da linha no gráfico na parte branca (dia).
- Observar a Queda: Ver quanto a linha desce na parte cinza (noite).
- Aplicar o Filtro dos 10%: Calcular se a descida foi maior ou menor que 1/10 do valor original.
- Identificar a Ausência: O culpado será o gráfico com a menor queda proporcional.
2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)
Para esta perícia médica e matemática, utilizaremos o Dossiê do Descenso Noturno:
- O que é Descenso Noturno? É a queda esperada da PA sistólica durante o sono.
- A Regra Matemática:
- Se Queda >= 10% do valor diurno -> Descenso Presente (Normal).
- Se Queda < 10% do valor diurno -> Descenso Ausente (Anormal/Risco).
- Truque do Detetive: Em vez de fazer contas complexas, calcule 10% do valor do dia (basta andar a vírgula uma casa para a esquerda). Se a queda real for menor que esse número, achamos o culpado.
3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)
Vamos periciar os gráficos um a um:
- Gráfico A: Dia em 120 mmHg. 10% de 120 é 12. A queda vai para 100 (caiu 20). 20 é maior que 12. OK.
- Gráfico B: Dia em 120 mmHg. Queda para 100 (caiu 20). 20 é maior que 12. OK.
- Gráfico C: Dia em 110 mmHg. 10% de 110 é 11. A queda vai para ~95 (caiu ~15). 15 é maior que 11. OK.
- Gráfico D: Dia em 110 mmHg. Queda para ~90 (caiu 20). 20 é maior que 11. OK.
- Gráfico E: Dia em 150 mmHg. 10% de 150 é 15. A queda vai para 140 (caiu apenas 10).
Síntese do raciocínio: No gráfico E, a queda de 10 mmHg é menor que o “degrau” obrigatório de 15 mmHg (os 10% de 150).
Expectativa: O gráfico E deve ser o único a mostrar uma linha quase horizontal entre as duas áreas, indicando a falha no descenso.
4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)
A) Gráfico A.
- Narrativa do Erro: O aluno vê a curva descendo e acha que qualquer descida é o que a questão quer.
- Diagnóstico do Erro: Confundir Presença com Ausência. Este gráfico mostra um descenso saudável de aproximadamente 16,7%.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
B) Gráfico B.
- Narrativa do Erro: O aluno se confunde com o horário do sono (que começa mais tarde no gráfico) e foca na forma da curva.
- Diagnóstico do Erro: Reducionismo (ignorar o cálculo percentual). A queda de 120 para 100 é significativa (16,7%).
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
C) Gráfico C e D) Gráfico D.
- Narrativa do Erro: O aluno foca nos valores absolutos baixos (90 mmHg) e acha que isso é o “descenso ausente”.
- Diagnóstico do Erro: Erro de Referência. O descenso é uma variação relativa. Mesmo com pressão baixa, houve queda de mais de 10% em relação ao dia.
- Conclusão: 🔴 Alternativas incorretas.
E) Gráfico E.
- Análise: Perfeito. É o único paciente cuja pressão “estacionou” em um nível alto. Cair apenas 10 mmHg quando se está em 150 mmHg representa uma redução de apenas 6,66%, não atingindo o critério fisiológico de 10%.
- Conclusão: 🟢 Alternativa correta.
5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)
A resposta final é a Alternativa E. O descenso noturno é um marcador vital de saúde; pessoas que não apresentam essa queda (chamadas de “non-dippers”) têm um risco muito maior de sofrer um AVC ou infarto, pois o sistema cardiovascular fica sob estresse 24 horas por dia.
Resumo-flash (A Imagem Mental):
“10% de 150 é 15; caiu só 10? O coração não descansa o pé!”
🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
Este conceito se conecta à Cronobiologia. Nosso corpo tem um “relógio interno” (ciclo circadiano) que comanda a produção de hormônios como o cortisol e a melatonina. Na Engenharia Biomédica, o desenvolvimento de relógios inteligentes (smartwatches) busca monitorar exatamente esses padrões de pressão e frequência cardíaca para prever riscos de saúde antes mesmo de os sintomas aparecerem, automatizando a lógica que acabamos de usar nesta questão.