Bola na rede
Futebol de várzea, pelada, baba, racha, rachão. Os nomes podem ser diferentes em cada pedaço do Brasil, mas bater uma bolinha é mesmo uma paixão nacional. Os dados do suplemento de esporte da PNAD 2015 mostraram que o futebol foi a principal modalidade esportiva praticada no Brasil, com 15,3 milhões de adeptos.
É claro que o fato de o nosso país ter um futebol profissional consagrado, com times que arrebatam torcidas e revelam jogadores, é uma influência positiva, mas a maioria dessa galera que gosta de correr atrás da bola não tem nenhuma pretensão profissional com o esporte. Para eles, tão bom quanto marcar um gol é juntar velhos amigos, fazer novos amizades e se divertir muito.
BENEDITO, M.; MARLI, M. Retratos: a revista do IBGE, n. 2, ago. 2017 (adaptado).
Ao abordar a temática do futebol no Brasil, o texto apresenta diferentes nomes para uma partida do esporte. Ao fazer isso, fica evidente que
A) os torcedores enaltecem seus times favoritos.
B) o futebol é um esporte presente em todo o Brasil.
C) a linguagem do futebol reaproxima pessoas distantes.
D) os campeonatos da modalidade propiciam a integração do Brasil.
E) as regiões do país imprimem um estilo próprio para o jogo de futebol.

✍ Resolução Em Texto
Matérias Necessárias para a Solução da Questão
- Língua Portuguesa (Variação Linguística Diatópica/Regional).
- Interpretação de Texto.
- Sociologia (Identidade Cultural e Esporte).
Tema/Objetivo Geral:
Identificar como a variação do vocabulário (diferentes nomes para a mesma coisa) comprova a disseminação territorial de uma prática cultural (o futebol).
Nível da Questão
Fácil.
Por que? O texto estabelece uma relação direta de causa e consequência: se existem nomes para o futebol em “cada pedaço do Brasil”, logo, o futebol existe em todo o Brasil. Não há metáforas complexas ou teorias profundas para desvendar.
Gabarito
Alternativa B.
A lista de nomes regionais (“baba”, “pelada”, “racha”) serve como prova documental de que o futebol penetrou em todas as regiões do território nacional, adaptando-se ao falar local de cada comunidade.
📖 Resolução Passo a Passo
1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)
Decodificação do Objetivo:
O comando pergunta: “O texto listou vários nomes diferentes para o futebol (baba, racha, pelada). O que essa lista prova sobre a presença desse esporte no país?”
Simplificação Radical (A Analogia Central):
Pense na Mandioca.
No Brasil, ela chama Mandioca, Aipim ou Macaxeira.
Por que temos três nomes? Porque ela é comida no Sul, no Sudeste e no Nordeste. Se ela só existisse em uma cidade, teria apenas um nome.
A variedade de nomes é a “impressão digital” de que a coisa está espalhada por todo o mapa. A questão quer que você aplique essa mesma lógica ao futebol.
Plano de Ataque:
- Analisar a lista: Observar os termos regionais citados.
- Ligar ao mapa: Perceber que “cada pedaço do Brasil” tem seu jeito de falar.
- Concluir a abrangência: Se tem nome em todo lugar, tem jogo em todo lugar.
2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)
Vamos usar o conceito de Variação Linguística Regional para entender o fenômeno:
📁 DOSSIÊ: O FUTEBOL E A LÍNGUA
| Região (Exemplo) | Nome da “Pelada” | O que isso significa? |
| Bahia/Nordeste | “Baba” | O futebol está lá. |
| Rio de Janeiro | “Pelada” | O futebol está lá. |
| São Paulo | “Racha/Rachão” | O futebol está lá. |
| Interior/Várzea | “Futebol de Várzea” | O futebol está lá. |
Conceito Chave:
A língua é viva. Quando um povo adota uma prática (como o futebol) com muita intensidade, ele “batiza” essa prática com um nome próprio da sua região. A multiplicidade de batismos prova a popularidade nacional.
3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)
Investigação Textual:
O texto diz: “Os nomes podem ser diferentes em cada pedaço do Brasil”.
Logo em seguida, diz: “mas bater uma bolinha é mesmo uma paixão nacional”.
Síntese do Detetive:
O autor usa a lista de nomes como um argumento para sustentar a tese de que o esporte é onipresente. Ele não está discutindo como se joga (se é agressivo ou técnico), nem para quem se torce (Flamengo ou Corinthians). Ele está discutindo a geografia da prática: ela está em todo lugar.
🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! (Focar na Torcida ou na Amizade) 🚨
O texto menciona “times que arrebatam torcidas” e “fazer novos amigos”.
Cuidado! Isso são detalhes secundários. O comando da questão foca especificamente no ato de “apresentar diferentes nomes”.
Pergunte-se: “Chamar o jogo de ‘baba’ serve para fazer amigos?”. Não, serve para nomear o jogo. O que faz amigos é jogar. O que a mudança de nome prova é a regionalização.
A Bússola (O Perfil do Culpado):
- Síntese: Muitos nomes = Muitos lugares.
- Expectativa: Uma alternativa que fale sobre a presença do esporte no território nacional ou sua abrangência.
4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)
- A) os torcedores enaltecem seus times favoritos.
- Diagnóstico do Erro: Desvio de Foco. O texto fala sobre a prática amadora (“não tem nenhuma pretensão profissional”), não sobre o fanatismo por clubes profissionais. Além disso, a mudança de nome (racha/pelada) não tem relação com torcer para times.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
- B) o futebol é um esporte presente em todo o Brasil.
- Análise: Perfeita. Se “em cada pedaço do Brasil” existe um nome específico para o jogo, isso evidencia que o jogo faz parte do cotidiano de todas essas regiões. A variação linguística ratifica a abrangência territorial.
- Conclusão: 🟢 Alternativa correta.
- C) a linguagem do futebol reaproxima pessoas distantes.
- Diagnóstico do Erro: Extrapolação Poética. O texto diz que o futebol junta amigos e faz novas amizades (pessoas próximas fisicamente, no campo). Não diz que a linguagem (as palavras “baba” ou “racha”) serve para conectar pessoas distantes geograficamente.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
- D) os campeonatos da modalidade propiciam a integração do Brasil.
- Diagnóstico do Erro: Contradição com o Texto. O texto foca no futebol informal (“futebol de várzea”, “pelada”), explicitando que a maioria “não tem nenhuma pretensão profissional”. Não está falando de campeonatos nacionais integradores (como o Brasileirão).
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
- E) as regiões do país imprimem um estilo próprio para o jogo de futebol.
- Diagnóstico do Erro: Confusão entre Nome e Forma. O texto diz que os nomes são diferentes, não que o jeito de jogar (o estilo, a tática) é diferente. Uma “pelada” no Rio e um “baba” na Bahia são jogados basicamente do mesmo jeito (amador, divertido).
- Conclusão: 🟡 PARCIALMENTE CORRETA (Distrator Perigoso). É verdade na realidade (o futebol gaúcho é diferente do carioca), mas o texto não aborda estilo técnico, apenas a nomenclatura.
5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)
Frase de Fechamento:
O futebol no Brasil é poliglota: ele fala a língua do pampa, do sertão e da favela, provando que a bola rola onde quer que haja um brasileiro.
Resumo-flash (A Imagem Mental):
🗺️ O Mapa da Bola: Imagine o mapa do Brasil. Em cada estado, uma etiqueta diferente (“Baba”, “Racha”, “Pelada”), mas debaixo de todas as etiquetas, o mesmo desenho: uma bola de futebol.
🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
Isso se conecta com a Sociolinguística. O mesmo fenômeno acontece com a “Pipa” (Papagaio, Arraia, Pandorga) ou com o “Pão Francês” (Cacetinho, Pão de Sal). Estudar essas variações (dialetos) é estudar a história da ocupação do território brasileiro.