
A intencionalidade geopolítica agregada ao símbolo da Organização das Nações Unidas ocorre porque a imagem
A) inverte a localização dos países no globo.
B) centraliza a posição dos países do norte.
C) reduz a escala no traçado dos países periféricos.
D) ignora a existência de continentes meridionais.
E) apresenta uma continuidade entre as porções

✍ Resolução Em Texto
- Matérias Necessárias para a Solução da Questão:
- Cartografia (Projeções Cartográficas: Azimutal Polar)
- Geopolítica (Eurocentrismo e Hegemonia do Norte)
- Tema/Objetivo Geral: Identificar a mensagem ideológica embutida na escolha da projeção cartográfica do símbolo da ONU, que coloca o Polo Norte e o Hemisfério Norte no centro da representação do mundo.
- Nível da Questão: Médio.
- O aluno precisa ir além da leitura ingênua do símbolo (“é o mundo todo”). Ele precisa reconhecer a Projeção Azimutal Polar e entender que toda projeção distorce a realidade. A dificuldade está em perceber que colocar o Polo Norte no centro não é “neutro”, mas sim uma escolha que favorece os países do Norte (EUA, Europa, Rússia) visualmente.
- Gabarito: B
- A alternativa está correta. O mapa utiliza uma projeção equidistante azimutal centrada no Polo Norte. Isso faz com que os países do Hemisfério Norte ocupem o centro e a maior parte da área nobre do desenho, enquanto o Hemisfério Sul (América do Sul, África, Oceania) fica esticado nas bordas, refletindo a hierarquia geopolítica da época de fundação da ONU (1945).
PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)
Decodificação do Objetivo: A missão é olhar para o logotipo da ONU e responder: “Por que escolheram desenhar o mapa desse jeito específico? O que esse desenho diz sobre quem manda no mundo?”
Simplificação Radical (A Analogia Central): Imagine uma foto de família.
- Quem fica no centro da foto, bem focado? O patriarca ou o chefe da família.
- Quem fica na borda, meio distorcido pela lente? Os primos distantes.
No mapa da ONU, o “chefe” (Polo Norte/Hemisfério Norte) está no centro. Os “primos” (Hemisfério Sul) estão na borda. A questão quer que você identifique esse centrismo geográfico e político.
Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação):
- Identificar o Centro: Olhe para o meio do círculo. O que está lá? O Oceano Ártico (Polo Norte).
- Identificar quem está perto: América do Norte, Europa, Rússia.
- Identificar quem está longe: América do Sul, África, Austrália.
- Concluir: O mapa privilegia/centraliza o Norte.
PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)
Para entender o viés do mapa, vamos usar uma Lupa Cartográfica.
LUPA: PROJEÇÃO AZIMUTAL POLAR
- Como é feita? Imagine uma luz dentro do globo projetando a sombra dos continentes num papel plano que toca apenas o Polo Norte.
- O Efeito:
- No Centro (Polo): Distorção zero. Tudo perfeito e em destaque.
- Na Periferia (Equador e Sul): Distorção máxima. As áreas ficam esticadas e deformadas.
- A Mensagem: “O Norte é o centro do mundo. O resto é periferia”.
PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)
Vamos analisar a imagem politicamente.
- A Escolha: A ONU foi criada em 1945, após a 2ª Guerra Mundial. Quem venceu a guerra? EUA, URSS, Reino Unido, França. Onde eles ficam? No Hemisfério Norte.
- O Desenho: Ao escolher uma projeção centrada no Polo Norte, esses países ficam no meio da roda, em destaque.
- A Distorção: Olhe para a Austrália ou para a ponta da América do Sul e África. Elas estão esticadas nas bordas, parecendo distantes e deformadas. A Antártida nem aparece.
- O Veredito: A intencionalidade não é técnica, é política. O símbolo diz visualmente que o poder emana do Norte para o resto do mundo. Ele centraliza a posição dos países do Norte.
🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
A armadilha aqui é a alternativa D (ignora a existência de continentes meridionais) ou A (inverte a localização).
- O mapa não ignora o Sul; a América do Sul, a África e a Oceania estão lá (você pode vê-las). O problema é como elas estão: distorcidas e na periferia.
- O mapa não inverte a localização (não coloca o Sul no lugar do Norte). Ele apenas muda o ponto de vista (de cima para baixo), mantendo a posição relativa, mas alterando o foco.
A Bússola (O Perfil do Culpado):
- Síntese do raciocínio: O símbolo usa uma projeção centrada no Polo Norte. Isso coloca os países desenvolvidos (Norte) no centro visual e relega os países subdesenvolvidos (Sul) à periferia deformada.
- Expectativa: Uma alternativa que fale sobre “centralizar”, “destacar” ou “privilegiar” o Norte ou as potências.
PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)
A) inverte a localização dos países no globo.
- O “Diagnóstico do Erro”: Erro de Leitura. O mapa não coloca o Sul no Norte ou o Leste no Oeste. Ele apenas rotaciona a visão para cima do polo. A posição relativa (EUA a oeste da Europa) continua correta.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
B) centraliza a posição dos países do norte.
- Análise de Correspondência: Perfeita. O centro geométrico do logotipo é o Polo Norte. Consequentemente, Europa, América do Norte e Ásia (Hemisfério Norte) ocupam o “miolo” da imagem, enquanto o Hemisfério Sul é empurrado para as bordas. Isso reflete a geopolítica de 1945 (e atual).
- Conclusão: 🟢 Alternativa correta.
C) reduz a escala no traçado dos países periféricos.
- O “Diagnóstico do Erro”: Imprecisão Técnica. Na projeção azimutal, a distorção nas bordas geralmente aumenta a área (estica), não reduz a escala de forma a fazê-los sumir. Eles ficam grandes, mas deformados. O foco político é a posição (periferia), não apenas o tamanho.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
D) ignora a existência de continentes meridionais.
- O “Diagnóstico do Erro”: Fato Falso. Como visto na armadilha, os continentes do sul (meridionais) estão desenhados no mapa (Brasil, África do Sul, Austrália). Eles não foram apagados, apenas marginalizados visualmente. (A única exceção é a Antártida, que geralmente não aparece, mas a alternativa fala de “continentes” no plural).
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
E) apresenta uma continuidade entre as porções.
- O “Diagnóstico do Erro”: Descrição Vaga. O mapa mostra continuidade (os oceanos ligam tudo), mas isso não explica a intencionalidade geopolítica (o viés de poder). A continuidade é geográfica; a centralização do Norte é a mensagem política.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)
Frase de Fechamento: Confirmamos que a alternativa B é a correta. Todo mapa é uma mentira necessária: para colocar uma bola num papel, você precisa escolher quem fica bonito no centro e quem fica feio na borda.
Resumo-flash (A Imagem Mental): A ONU olha o mundo de cima (do Norte) para baixo.
Para ir Além (A Ponte para o Futuro): Essa discussão sobre o poder dos mapas é central na Cartografia Crítica. Outro exemplo famoso é a Projeção de Mercator (usada no Google Maps e nas escolas), que aumenta muito o tamanho da Europa e diminui a África, reforçando o eurocentrismo. Em contrapartida, a Projeção de Peters tenta mostrar o tamanho real dos países pobres, “alongando” a África e a América do Sul para dar a elas a importância territorial que merecem.
