A partir da década de 1980, o voleibol começa a ser visto como um ótimo meio de comercialização de produtos esportivos. Esse fenômeno apresenta uma vertiginosa escalada na década de 1990, e a Federação Internacional de Voleibol, tendo o mexicano Rubem Acosta na presidência, vê-se com a obrigação de alterar algumas regras para a melhoria do voleibol como espetáculo, já que a alta performance alcançada pelas equipes vinha tornando enfadonhas as competições.
SANTOS NETO, S. C. A evolução das regras visando ao espetáculo no voleibol. Disponível em: www.efdeportes.com. Acesso em: 3 ago. 2012 (adaptado).
Uma das principais mudanças nas regras do voleibol, decorrentes do processo identificado no texto, refere-se à
A) restrição para que a bola possa ser tocada apenas pelas partes do corpo acima da cintura, imprimindo maior dinamicidade ao jogo.
B) modificação na contagem de pontos, com o fim do sistema de vantagem, tornando as partidas mais interessantes para as transmissões televisivas.
C) destinação de um espaço restrito e predefinido para a realização do saque, permitindo um maior índice de acertos nesse fundamento do jogo.
D) indicação de que contatos simultâneos sejam considerados como toque apenas, permitindo maior permanência da bola em disputa.
E) permissão ao chamado bloqueio ou ataque, ampliando a possibilidade de utilização de recursos técnicos e estratégicos no jogo.

✍ Resolução Em Texto
- Matérias Necessárias para a Solução da Questão:
- Educação Física (História e Evolução dos Esportes).
- Sociologia do Esporte (Esporte como Espetáculo e Mídia).
- Tema/Objetivo Geral: Compreender como a influência da mídia televisiva e do marketing esportivo forçou a alteração das regras estruturais do voleibol na década de 1990.
- Nível da Questão: Médio.
- Exige conhecimento específico da história do esporte. O aluno precisa saber a diferença técnica entre o antigo sistema de “vantagem” e o atual sistema de “pontos corridos” (Rally Point).
- Gabarito: B
- A alternativa está correta. A mudança do sistema de vantagem para o sistema de pontos por rali (Rally Point) foi a medida crucial para controlar a duração das partidas, tornando o produto “Voleibol” viável e atraente para a grade de programação da TV.
PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)
Decodificação do Objetivo: A questão pergunta: “O texto diz que o Vôlei precisou ficar mais emocionante e previsível para vender na TV. Qual regra foi mudada para que o jogo deixasse de ser eterno e chato?”
Simplificação Radical (A Analogia Central): Imagine que o Voleibol antigo era como uma Série da Netflix sem duração fixa. Um episódio podia durar 40 minutos ou 4 horas. Nenhuma emissora de TV (Globo, ESPN) queria transmitir isso ao vivo, porque podia atrasar a novela ou o jornal. Para vender o “produto”, a Federação precisou mudar o roteiro para que o jogo tivesse um ritmo mais rápido e um fim previsível. A missão: Descobrir qual regra controlou o tempo e a emoção do jogo.
Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação):
- Identificar o Vilão: O texto diz que os jogos estavam “enfadonhos” (chatos/longos).
- Identificar a Causa: O antigo sistema de pontuação travava o jogo.
- Achar a Solução: A alternativa que descreve a mudança na forma de marcar pontos.
PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)
Para entender o impacto dessa mudança, vamos abrir o Dossiê da Evolução do Vôlei.
DOSSIÊ: O VÔLEI ANTES E DEPOIS DA TV
ARQUIVO #01: O SISTEMA ANTIGO (A VANTAGEM)
- Como funcionava: Se você sacava e a bola caía no chão do adversário, você fazia ponto. Se o adversário virasse a bola, ele não fazia ponto; ele apenas ganhava o direito de sacar (a vantagem).
- O Problema: Se dois times fossem muito bons (alta performance), a bola trocava de lado infinitamente sem ninguém pontuar. O placar ficava 0x0 por 20 minutos.
- Diagnóstico: Tédio para o público e pesadelo para a TV.
ARQUIVO #02: O SISTEMA NOVO (RALLY POINT – ANOS 90)
- Como funciona: A bola caiu no chão? É ponto. Não importa quem sacou.
- O Resultado: O placar roda o tempo todo. O jogo fica dinâmico. O público vibra a cada jogada.
- Diagnóstico: Sucesso comercial e espetáculo garantido.
Conclusão da Ferramenta: A mudança chave não foi física (rede, bola), foi lógica (contagem de pontos).
PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)
Vamos analisar o texto sob a ótica do “Esporte Espetáculo”:
- O Contexto: O texto fala de “comercialização” e “transmissões televisivas” (implícito na ideia de espetáculo).
- A Pressão: O presidente da Federação (Rubem Acosta) precisava vender o Vôlei.
- A Execução: Para o jogo ser um “show”, ele precisa ter clímax constante. No sistema antigo, você podia fazer uma jogada linda (bloqueio ou ataque) e não ganhar nada além da posse de bola. Isso frustrava a audiência. Com a mudança, toda jogada vale ponto.
🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
Muitos alunos confundem essa mudança com a criação do Líbero (o jogador de defesa com camisa diferente).
O Líbero também surgiu nessa época para melhorar o rali (deixar a bola mais tempo no ar), mas a mudança que resolveu o problema de o jogo ser “enfadonho” e ter duração imprevisível foi a pontuação. O Líbero melhora a defesa; a Pontuação melhora o ritmo.
A Bússola (O Perfil do Culpado):
- Síntese do raciocínio: Precisamos de uma regra que acelere o jogo e elimine tempos mortos no placar.
- Expectativa: Buscamos algo sobre “pontuação”, “vantagem” ou “sistema de pontos”.
PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)
A) restrição para que a bola possa ser tocada apenas pelas partes do corpo acima da cintura, imprimindo maior dinamicidade ao jogo.
- O “Diagnóstico do Erro”: Erro Histórico (Inversão). Na verdade, a regra mudou para permitir o uso dos pés e pernas (qualquer parte do corpo) para salvar a bola, justamente para a bola não cair tão fácil e o jogo ficar mais emocionante. A alternativa diz que houve restrição, o que é falso hoje em dia (e a restrição era a regra antiga).
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
B) modificação na contagem de pontos, com o fim do sistema de vantagem, tornando as partidas mais interessantes para as transmissões televisivas.
- Análise de Correspondência: Alternativa correta.
- “Fim do sistema de vantagem”: Elimina os momentos em que o jogo trava.
- “Transmissões televisivas”: Com o Rally Point, é possível estimar que um jogo dure cerca de 2 horas, permitindo vender anúncios e organizar a grade.
- Conclusão: 🟢 Alternativa correta.
C) destinação de um espaço restrito e predefinido para a realização do saque, permitindo um maior índice de acertos nesse fundamento do jogo.
- O “Diagnóstico do Erro”: Erro Factual. A regra mudou para ampliar a área de saque. Antes era restrito a um canto; hoje o jogador pode sacar de qualquer lugar do fundo da quadra. A alternativa diz o oposto da realidade.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
D) indicação de que contatos simultâneos sejam considerados como toque apenas, permitindo maior permanência da bola em disputa.
- O “Diagnóstico do Erro”: Detalhe Técnico Irrelevante. Regras sobre “dois toques” ou condução foram flexibilizadas na defesa, mas isso é um detalhe técnico, não a mudança estrutural principal que transformou o vôlei em produto de TV.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
E) permissão ao chamado bloqueio ou ataque, ampliando a possibilidade de utilização de recursos técnicos e estratégicos no jogo.
- O “Diagnóstico do Erro”: Anacronismo. Bloqueio e ataque sempre existiram e foram permitidos. O que mudou foram detalhes (como poder invadir por cima da rede no bloqueio), mas a alternativa sugere que essas ações passaram a ser permitidas nessa época, o que é absurdo.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)
Frase de Fechamento: Confirmamos a alternativa B. O capitalismo transformou o esporte: o fim da “vantagem” foi a vitória do relógio da TV sobre a tradição do jogo.
Resumo-flash (A Imagem Mental): O Vôlei trocou o “quem saca, manda” pelo “toda bola é dinheiro (ponto)”.
Para ir Além (A Ponte para o Futuro): Esse fenômeno se chama Espectacularização do Esporte. Aconteceu no Tênis (com o tie-break para o jogo não durar dias) e está acontecendo no Futebol (com o VAR e propostas de tempos menores ou cronômetro parado). As regras do jogo não são mais definidas apenas pelos atletas, mas pelos patrocinadores e pela audiência.