Nos governos de Vargas e Perón, o esporte começou a ser visto como um importante elemento na relação entre o regime e a sociedade. Tal fato não deve ser entendido apenas como uma resposta à crescente popularidade do esporte. Ainda que crescente em seus governos, a massificação do esporte já havia ocorrido muito antes. Talvez a influência dos regimes de Mussolini e Hitler sobre os dois governantes latino-americanos possa apontar para um melhor entendimento dessa nova visão política, uma vez que ambos tiveram uma estreita ligação com o esporte e a sua utilização como propaganda política.
DRUMOND, M. Vargas, Perón e o esporte. Revista Estudos Históricos, n. 44, jul.-dez. 2009.
De acordo com o texto, o uso do esporte nos regimes políticos mencionados foi explorado com o objetivo de
A) construção de identidades nacionais.
B) reprodução de poderes autocráticos.
C) celebração de festividades cívicas.
D) formação de cidadãos saudáveis.
E) contestação de símbolos pátrios

✍ Resolução Em Texto
Matérias Necessárias para a Solução da Questão:
- História: Era Vargas e Peronismo (Populismo).
- Sociologia do Esporte: O esporte como ferramenta política e ideológica.
- Totalitarismo: O uso da propaganda em regimes como o Fascismo e o Nazismo.
Tema/Objetivo Geral:
Compreender como regimes autoritários e populistas (Vargas, Perón, Mussolini, Hitler) instrumentalizaram o esporte não apenas como lazer ou saúde, mas como uma poderosa ferramenta de propaganda para forjar e fortalecer a identidade nacional e legitimar o governo perante as massas.
Nível da Questão: Médio.
- Justificativa: O texto conecta quatro líderes históricos (Vargas, Perón, Mussolini, Hitler). O aluno precisa saber que o ponto comum entre eles não era a saúde (D) ou a festa (C), mas o nacionalismo. O esporte servia para dizer: “Nossa nação é forte, nosso povo é unido”. A resposta exige abstração para ligar “propaganda política” à “construção de identidade nacional”.
Gabarito: A.
- Resumo: O texto afirma que Vargas e Perón, influenciados por Mussolini e Hitler, usaram o esporte como “propaganda política” e “elemento na relação entre regime e sociedade”. O objetivo dessa propaganda esportiva em regimes nacionalistas é criar um sentimento de união e orgulho pátrio, ou seja, a construção de identidades nacionais.
1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)
Função Pedagógica: Identificar a intenção política por trás do gol.
Decodificação do Objetivo: A questão pergunta: “Para que servia o esporte nesses governos?”. Era para o povo ficar saudável? Ou era para o povo sentir orgulho do país e apoiar o governo?
Simplificação Radical (A Analogia Central): Imagine a Copa do Mundo.
Quando a seleção ganha, todo mundo veste verde e amarelo e se sente “brasileiro com orgulho”.
O governo usa isso para dizer: “Viu como o Brasil é grande? Apoie o Brasil (e o governo)”.
Isso é usar o esporte para construir a Identidade Nacional.
Nosso Plano de Ataque será o seguinte:
- Identificar os governos citados: Vargas, Perón, Mussolini, Hitler (Nacionalistas/Autoritários).
- Identificar a ferramenta: Esporte como “propaganda política”.
- Concluir que a propaganda nacionalista visa criar uma identidade nacional forte.
2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)
a engrenagem da propaganda política. Vamos usar o Fluxograma da Instrumentalização do Esporte.
O CAMINHO DA BOLA À PÁTRIA:
- 🏟️ O FENÔMENO SOCIAL (A Matéria-Prima):
- O esporte (futebol) se torna massivo e popular.
- O que o povo sente: Paixão e emoção.
- 📢 A APROPRIAÇÃO (A Estratégia):
- O governo percebe que pode usar essa paixão.
- Ação: Financiar estádios, patrocinar atletas, aparecer na foto com os campeões.
- 🇧🇷 A MENSAGEM (A Propaganda):
- “Se o Brasil ganha, o Governo é bom.”
- “Se o atleta é forte, a Raça Brasileira é forte.”
- 🆔 O OBJETIVO (A Identidade Nacional):
- Criar um sentimento de União e Pertencimento.
- O torcedor deixa de ser apenas um espectador e se sente parte de uma Nação poderosa.
Conceito Chave: Ufanismo
É o orgulho exagerado pelo país. Regimes como o Estado Novo (Vargas) e o Peronismo usavam o esporte para gerar ufanismo, fazendo o povo esquecer os problemas políticos e focar na glória da vitória nacional.
3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)
Vamos analisar o texto:
- “Relação entre o regime e a sociedade”: O esporte é a cola que gruda o povo no governo.
- “Influência dos regimes de Mussolini e Hitler”: Esses regimes usaram o esporte (ex: Olimpíadas de Berlim 1936) para exaltar a raça e a nação.
- “Utilização como propaganda política”: Propaganda serve para vender uma ideia. Que ideia? A ideia de Nação.
Síntese:
O objetivo não era “cidadãos saudáveis” (D) – isso seria uma política de saúde pública, não de propaganda política. O objetivo não era “reproduzir poder autocrático” (B) – o esporte ajudava o poder, mas o objetivo da propaganda era conquistar a mente do povo (identidade), não apenas exercer a força (autocracia).
🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
A alternativa (B) (“reprodução de poderes autocráticos”) é um distrator perigoso.
- Por que seduz? Porque Vargas, Perón, Hitler e Mussolini eram autocratas.
- Por que está errada? A questão pergunta o objetivo do uso do esporte. O esporte não cria a autocracia (o poder absoluto); ele cria o consenso e a união que sustentam o ditador. A função específica do esporte é simbólica e cultural (Identidade), servindo para legitimar o regime através do orgulho nacional, e não apenas reproduzir a estrutura de poder pela força.
A Bússola (O Perfil do Culpado):
- Síntese do raciocínio: O esporte foi usado como marketing político para unir o povo em torno da ideia de nação.
- Expectativa: A alternativa correta deve falar sobre nação, identidade, pátria, união ou nacionalismo.
4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)
- A) construção de identidades nacionais.
- Análise de Correspondência: Perfeito. O nacionalismo de Vargas e Perón precisava de símbolos para unir o povo. O futebol (e outros esportes) tornou-se o símbolo perfeito da “brasilidade” ou “argentinidade”. Ao torcer pelo mesmo time (a seleção), o povo construía sua identidade nacional.
- Conclusão: ✔️ Alternativa correta.
- B) reprodução de poderes autocráticos.
- Diagnóstico do Erro: Confusão de Meio e Fim.
- Narrativa do Erro: Como explicado na armadilha, o esporte ajuda o ditador, mas a função do esporte na propaganda é criar amor pela pátria (identidade), não criar a estrutura ditatorial em si. A identidade nacional é a ferramenta usada para manter o poder.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
- C) celebração de festividades cívicas.
- Diagnóstico do Erro: Reducionismo.
- Narrativa do Erro: Festividades cívicas (como o 7 de Setembro) usam o esporte, mas o esporte vai além da festa pontual; é uma política de Estado contínua. Além disso, a “celebração” é o ato, mas o “objetivo” por trás da celebração é a identidade nacional.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
- D) formação de cidadãos saudáveis.
- Diagnóstico do Erro: Visão Higienista/Ingênua.
- Narrativa do Erro: O texto fala de “propaganda política” e “regimes de Mussolini/Hitler”. O foco não era a saúde (o bem-estar físico individual), mas o uso político do corpo para exaltar o Estado. A saúde era um meio para ter soldados ou trabalhadores fortes, não o fim político descrito.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
- E) contestação de símbolos pátrios.
- Diagnóstico do Erro: Oposto da Realidade.
- Narrativa do Erro: O esporte era usado para exaltar os símbolos pátrios (bandeira, hino, nação), jamais para contestá-los. Regimes nacionalistas não permitem contestação de seus símbolos.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)
Frase de Fechamento:
No campo de jogo, não corriam apenas atletas, corria o projeto de uma nação: Vargas e Perón usaram o esporte como cimento ideológico para a construção de identidades nacionais (Alternativa A), transformando cada vitória no estádio em uma vitória do regime.
Resumo-flash (A Imagem Mental):
A camisa da seleção é o uniforme do soldado da pátria.
🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
Foi na Era Vargas que o futebol deixou de ser amador e elitista para se tornar profissional e popular, sendo abraçado pelo Estado como “o esporte das multidões”. A construção do Maracanã (1950), embora posterior a Vargas, é fruto dessa política de usar o futebol para projetar a grandeza do Brasil.