Uma pessoa vê-se forçada pela necessidade a pedir dinheiro emprestado. Sabe muito bem que não poderá pagar, mas vê também que não lhe emprestarão nada se não prometer firmemente pagar em prazo determinado. Sente a tentação de fazer a promessa; mas tem ainda consciência bastante para perguntar a si mesma: não é proibido e contrário ao dever livrar-se de apuros desta maneira? Admitindo que se decida a fazê-lo, a sua máxima de ação seria: quando julgo estar em apuros de dinheiro, vou pedi-lo emprestado e prometo pagá-lo, embora saiba que tal nunca sucederá.
KANT, I. Fundamentação da metafísica dos costumes. São Paulo: Abril Cultural, 1980.
De acordo com a moral kantiana, a “falsa promessa de pagamento” representada no texto
A) assegura que a ação seja aceita por todos a partir da livre discussão participativa.
B) garante que os efeitos das ações não destruam a possibilidade da vida futura na terra.
C) opõe-se ao princípio de que toda ação do homem possa valer como norma universal.
D) materializa-se no entendimento de que os fins da ação humana podem justificar os meios.
E) permite que a ação individual produza a mais ampla felicidade para as pessoas envolvidas.

Resolução em texto
Matérias Necessárias para a Solução da Questão: Filosofia (Ética de Kant).
Nível da Questão: Médio.
Gabarito: C.
Tema/Objetivo Geral (Opcional): Analisar como a moral kantiana determina que uma ação só seja considerada moral se puder valer como norma universal para todos.
Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo
- 📌 Retomar o Comando da Questão (trecho essencial):
“De acordo com a moral kantiana, a ‘falsa promessa de pagamento’ representada no texto…?” - 🔹 Explicação Detalhada:
A questão pede que identifiquemos, segundo a ética de Kant, por que a falsa promessa de pagamento se opõe ao princípio de universalização das máximas morais. - 🔹 Identificação de Palavras-chave:
- “Moral kantiana”
- “Falsa promessa”
- “Dever”
- “Universalização”
- 🔹 Definição do Objetivo:
Mostrar que, para Kant, uma ação deve ser regida por uma máxima passível de universalização. Se a falsa promessa não pode ser universalizada sem contradição, ela se opõe à lei moral.
➡Agora que o comando foi analisado e o objetivo definido, vamos explicar os conceitos e conteúdos necessários.
Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários
- 📌 Conceitos Teóricos Essenciais:
- Imperativo Categórico (Kant): “Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal.”
- Máxima: Regra subjetiva de ação, que deve poder ser aplicada a todos para ser moral.
- Falsa Promessa: Exemplo clássico de ação que, se universalizada, gera contradição, pois ninguém mais confiaria em promessas.
➡Com esses conceitos, prossigamos para a interpretação do texto.
Passo 3: Tradução e Interpretação do Texto
- 📌 Análise do Contexto:
O texto descreve a situação de alguém que quer fazer uma promessa falsa para conseguir dinheiro, mas sabe que não poderá pagar. Kant mostra que isso é contrário ao dever. - 📌 Identificação de Frases-chave:
- “não é proibido e contrário ao dever livrar-se de apuros desta maneira?”
- “o que se ofereceu a fazer a promessa”
- “embora saiba que tal nunca sucederá”
- 📌 Relação com os Conteúdos:
Kant afirma que a ação (fazer promessa falsa) não pode ser universalizada sem gerar uma contradição. Logo, vai contra a moral do imperativo categórico.
➡Agora que o texto foi interpretado, vamos desenvolver o raciocínio para a resolução completa.
Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio
- 📌 Resolução Completa:
- Princípio da Universalização: A máxima de uma ação deve poder valer para todos sem contradição.
- Exemplo da Falsa Promessa: Se todos agissem prometendo pagar sem a intenção de cumprir, a ideia de promessa perderia sentido, pois ninguém acreditaria em mais nada.
- Conclusão: Uma ação que não pode ser universalizada é imoral, pois contradiz a razão prática.
- 📌 Explicação da Lógica:
A razão prática, segundo Kant, impõe a universalização como critério de moralidade. A falsa promessa se destrói quando universalizada, evidenciando sua imoralidade.
➡Com o raciocínio desenvolvido, vamos analisar as alternativas apresentadas.
Passo 5: Análise das Alternativas e Resolução
- 📌 Reescrita das Alternativas:
A) Assegura que a ação seja aceita por todos…
B) Garante que os efeitos das ações não destruam…
C) Opõe-se ao princípio de que toda ação do homem possa valer como norma universal.
D) Materializa-se no entendimento de que os fins da ação humana…
E) Permite que a ação individual produza a mais ampla felicidade… - ✅ Justificativa da Alternativa Correta (C):
A falsa promessa não pode ser universalizada sem contradição, o que vai contra o princípio kantiano de que toda ação deva valer como norma universal. - ❌ Análise das Alternativas Incorretas:
- (A) Não assegura a aceitação geral, pois a promessa falsa não pode ser aceita por todos.
- (B) Não se refere a efeitos de destruição do meio ou da vida futura na Terra.
- (D) Kant não defende que os fins justifiquem os meios.
- (E) Não se trata de felicidade, mas de universalização racional.
➡Finalmente, vamos concluir a resolução com um resumo e a justificativa final.
Passo 6: Conclusão e Justificativa Final
- 📌 Resumo do Raciocínio:
A moral kantiana exige que as ações sejam passíveis de universalização. A falsa promessa de pagamento se autodestrói quando universalizada, mostrando que é imoral. - 📌 Reafirmação da Alternativa Correta:
A resposta correta é (C), pois a falsa promessa se opõe ao princípio de universalização que rege a moralidade kantiana. - 🔍 Resumo Final:
Segundo Kant, qualquer máxima que não possa ser válida para todos sem contradição é contrária ao dever. A falsa promessa, portanto, exemplifica essa quebra de universalização, invalidando-a moralmente.