Segundo quadro
Uma sala da prefeitura. O ambiente é modesto. Durante a mutação, ouve-se um dobrado e vivas a Odorico, “viva o prefeito” etc. Estão em cena Dorotéa, Juju, Dirceu, Dulcinéa, o vigário e Odorico. Este último, à janela, discursa.
ODORICO – Povo sucupirano! Agoramente já investido no cargo de Prefeito, aqui estou para receber a confirmação, a ratificação, a autenticação e por que não dizer a sagração do povo que me elegeu.
Aplausos vêm de fora.
ODORICO – Eu prometi que o meu primeiro ato como prefeito seria ordenar a construção do cemitério.
Aplausos, aos quais se incorporam as personagens em cena.
ODORICO – (Continuando o discurso:) Botando de lado os entretantos e partindo pros finalmente, é uma alegria poder anunciar que prafrentemente vocês lá poderão morrer descansados, tranquilos e desconstrangidos, na certeza de que vão ser sepultados aqui mesmo, nesta terra morna e cheirosa de Sucupira. E quem votou em mim, basta dizer isso ao padre na hora da extrema-unção, que tem enterro e cova de graça, conforme o prometido.
GOMES, D. O bem amado. Rio de Janeiro: Ediouro, 2012.
O gênero peça teatral tem o entretenimento como uma de suas funções. Outra função relevante do gênero, explícita nesse trecho de O bem amado, é a
A) criticar satiricamente o comportamento de pessoas públicas.
B) denunciar a escassez de recursos públicos nas prefeituras do interior.
C) censurar a falta de domínio da língua padrão em eventos sociais.
D) despertar a preocupação da plateia com a expectativa de vida dos Cidadãos.
E) questionar o apoio irrestrito de agentes públicos aos gestores governamentais.

Resolução em texto
Matérias Necessárias: Literatura Brasileira (gêneros textuais, análise de peça teatral), Interpretação de Texto, Elementos de sátira e crítica social.
Nível da Questão: Médio.
Gabarito: A) criticar satiricamente o comportamento de pessoas públicas.
Objetivo Geral: Compreender como o teatro pode criticar e satirizar práticas políticas por meio da fala e das atitudes das personagens.
🔷 Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo
1.1 Transcrição Essencial (📌)
“Outra função relevante do gênero, explícita nesse trecho de O bem amado, é a…”
1.2 O que está sendo pedido? (📌)
Quer saber além do entretenimento, qual é a função crítica e social que a peça cumpre neste trecho específico.
1.3 Objetivo Cristalino (📌)
Identificar como o teatro, além de divertir, serve para expor e criticar comportamentos políticos, principalmente usando a sátira.
1.4 Pergunta de Atenção (✔)
Você percebeu como o discurso exagerado do prefeito serve para ironizar promessas políticas? Lembrou de alguma situação parecida no mundo real?
🔷 Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários
2.1 Definições e Fórmulas (📌)
- Peça teatral: Texto feito para ser encenado, geralmente com diálogos e marcações de cena.
- Sátira: Uso do humor, ironia ou exagero para criticar ou ridicularizar alguém ou algo.
- Função crítica do teatro: Muitas peças usam personagens caricatos para expor defeitos ou problemas da sociedade, especialmente no campo político.
2.2 Possível armadilha (❓✔)
- Confusão comum: Achar que toda peça é apenas diversão ou que toda crítica é explícita. Neste texto, a crítica é feita de forma irônica, por meio do exagero e da fala engraçada do prefeito.
🔷 Passo 3: Tradução e Interpretação do Problema
3.1 Contextualização Simplificada (📌)
Estamos vendo uma cena em que Odorico Paraguaçu, recém-empossado prefeito, faz um discurso exagerado e pomposo sobre… construir um cemitério! Ele transforma uma necessidade básica (e até meio mórbida) em promessa de campanha, tratando isso como uma “grande conquista”.
3.2 Estratégia Geral (📌)
O objetivo é perceber como o autor utiliza essa situação cômica para zombar dos políticos, mostrando como eles distorcem prioridades e fazem discursos vazios, muitas vezes para manipular a opinião pública.
🔷 Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio e Cálculos
4.1 Passo a Passo Detalhado (📌)
Passo 1:
Ler o discurso e notar o uso de palavras “importantes” e promessas absurdas, como enterro de graça.
Passo 2:
Perceber que há um exagero proposital (“Botando de lado os entretantos e partindo pros finalmente…”), criando humor e sátira.
Passo 3:
Identificar que, além de divertir, a cena faz uma crítica social ao comportamento político típico — prometer o que deveria ser obrigação, tratar coisa séria como “grande feito”, buscar aprovação pelo discurso e não pelas ações.
4.2 Verificação Intermediária (📌)
Até aqui, percebemos que o riso nasce do absurdo e do exagero, mas a crítica está no fundo: não é só piada, é denúncia da falta de seriedade e da manipulação de certos políticos.
🔷 Passo 5: Análise das Alternativas
5.1 Listagem das Alternativas
- A) Criticar satiricamente o comportamento de pessoas públicas.
- B) Denunciar a escassez de recursos públicos nas prefeituras do interior.
- C) Censurar a falta de domínio da língua padrão em eventos sociais.
- D) Despertar a preocupação da plateia com a expectativa de vida dos cidadãos.
- E) Questionar o apoio irrestrito de agentes públicos aos gestores governamentais.
5.2 Justificativa Individual
- A (✅) A peça faz uma crítica engraçada, irônica e satírica à atuação dos políticos, usando Odorico como caricatura.
- B (❌) Não há foco em falta de dinheiro, mas em promessas e manipulação.
- C (❌) A linguagem do prefeito é propositalmente pomposa, mas o alvo não é a gramática.
- D (❌) Não é sobre expectativa de vida, mas sobre discurso político.
- E (❌) Não critica exatamente o apoio dos outros, mas sim o comportamento do líder político.
🔷 Passo 6: Conclusão e Justificativa Final
6.1 Resumo do Raciocínio (📌)
A peça diverte, mas também faz pensar, criticando políticos que transformam atos simples ou obrigações em “grandes conquistas” e manipulam a população por meio de discursos exagerados.
6.2 Gabarito Reafirmado (📌)
Alternativa correta: A) criticar satiricamente o comportamento de pessoas públicas.
6.3 Resumo Final para Revisão (🔍)
Sempre que ler um discurso exagerado ou promessas absurdas em textos teatrais, desconfie: o autor pode estar usando o humor para criticar a sociedade ou seus líderes. Fique atento à sátira!