O farrista
Quando o almirante Cabral
Pôs as patas no Brasil
O anjo da guarda dos índios
Estava passeando em Paris.
Quando ele voltou de viagem
O holandês já está aqui.
O anjo respira alegre:
“Não faz mal, isto é boa gente,
Vou arejar outra vez.”
O anjo transpôs a barra,
Diz adeus a Pernambuco,
Faz barulho, vuco-vuco,
Tal e qual o zepelim
Mas deu um vento no anjo,
Ele perdeu a memória…
E não voltou nunca mais.
MENDES. M. História do Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1992
A obra de Murilo Mendes situa-se na fase inicial do Modernismo, cujas propostas estéticas transparecem, no poema, por um eu lírico que
A) configura um ideal de nacionalidade pela integração regional.
B) remonta ao colonialismo assente sob um viés iconoclasta.
C) repercute as manifestações do sincretismo religioso.
D) descreve a gênese da formação do povo brasileiro.
E) promove inovações no repertório linguístico.

Resolução em texto
Matérias Necessárias para a Solução da Questão:
Interpretação de texto, Funções de Linguagem, Figuras de Linguagem.
Nível da Questão:
Médio/Difícil.
Gabarito:
Alternativa B.
📌 Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo
- Comando: Analise o trecho do poema “O farrista” de Murilo Mendes e determine qual característica do eu lírico é evidenciada no texto.
- Palavras-chave: “fase inicial do Modernismo”, “eu lírico”, “iconoclasta”, “desmonta a visão idealizada do período colonial”.
- Objetivo: Identificar, com base na interpretação do texto, que o eu lírico expressa uma visão que rompe com os valores tradicionais coloniais, desafiando a sacralização do passado.
🔹 Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários
- Interpretação de Texto: Envolve a análise do discurso, identificando a intenção do autor e o uso de elementos estilísticos.
- Funções de Linguagem: Observe como o autor usa uma linguagem irreverente e coloquial para desfazer o caráter solene do discurso colonial.
- Figura de Linguagem (Iconoclastia): Refere-se à quebra de símbolos e convenções, neste caso, a dessacralização dos ideais tradicionais.
📌 Passo 3: Tradução e Interpretação do Texto
- Contexto: O poema de Murilo Mendes, inserido na fase inicial do Modernismo, reflete uma postura crítica em relação à visão idealizada do período colonial.
- Frases-chave: Expressões como “pôs as patas” e “deu um vento no anjo” demonstram uma linguagem popular e irreverente.
- Interpretação: Tais expressões evidenciam uma postura iconoclasta, ou seja, uma tentativa de desconstituir a visão tradicional e ufanista do passado colonial.
✔ Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio e Cálculos
- O texto remete à fase inicial do Modernismo, onde a ruptura com o passado idealizado é uma característica marcante.
- O eu lírico do poema utiliza uma linguagem coloquial e irreverente, desafiando as convenções e exaltando uma visão crítica do período colonial.
- Essa postura se configura como um ato de iconoclastia, no sentido de “desmontar” os símbolos e as tradições veneradas, rompendo com o discurso oficial de sacralização do passado.
- Assim, a proposta do poema é justamente a de apresentar uma visão que questiona e desconstrói o ideal colonial.
✅ Passo 5: Análise das Alternativas e Resolução
- Alternativa A: Foca na integração regional, mas o texto ressalta a ruptura com o passado, não uma idealização integradora.
- Alternativa B: Está correta, pois enfatiza a crítica ao colonialismo através de uma postura iconoclasta, que é justamente o que o eu lírico demonstra.
- Alternativa C: Refere-se a sincretismo religioso, o que não é o foco do texto.
- Alternativa D: Trata da formação do povo brasileiro, mas o texto não aborda a gênese cultural, e sim a crítica ao passado colonial.
- Alternativa E: Fala de inovações linguísticas, o que também não é o tema central do poema.
🔍 Passo 6: Conclusão e Justificativa Final
- Resumo do Raciocínio: O poema “O farrista” de Murilo Mendes, situado na fase inicial do Modernismo, utiliza uma linguagem irreverente e coloquial para romper com a visão tradicional e idealizada do período colonial. Essa atitude iconoclasta do eu lírico – que desmonta símbolos e convenções do passado – é claramente evidenciada no texto.
- Alternativa Correta: ✅ B – O eu lírico remonta ao colonialismo sob um viés iconoclasta.
- Resumo Final: A análise do texto mostra que a postura do eu lírico é crítica em relação à sacralização do passado colonial, utilizando uma linguagem que desconstroi os símbolos tradicionais, o que caracteriza uma visão iconoclasta, conforme expresso na alternativa B.