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Questão 111, caderno azul do ENEM 2022 D2

O eixo de rotação da Terra apresenta uma inclinação em relação ao plano de sua órbita em torno do Sol, interferindo na duração do dia e da noite ao longo do ano.

Questão 111 - ENEM 2022 -

Uma pessoa instala em sua residência uma placa fotovoltaica, que transforma energia solar em elétrica. Ela monitora a energia total produzida por essa placa em 4 dias do ano, ensolarados e sem nuvens, e lança os resultados no gráfico

Questão 111 - ENEM 2022 -

Próximo a que região se situa a residência onde as placas foram instaladas? 

A) Trópico de Capricórnio. 

B) Trópico de Câncer. 

C) Polo Norte. 

D) Polo Sul. 

E) Equador.

 Resolução Em Texto

Matérias Necessárias para a Solução da Questão
Astronomia (Movimentos da Terra, Solstícios e Estações do Ano); Geografia Física (Climatologia e Latitude); Física (Óptica e Transformação de Energia).

Tema/Objetivo Geral:
Correlacionar a eficiência da geração de energia fotovoltaica (que depende da intensidade da luz) com a variação sazonal da incidência solar em diferentes latitudes do globo.

Nível da Questão: Fácil.

  • Exige a capacidade de ler um gráfico de barras simples e cruzar essa informação com conhecimentos básicos de geografia: saber que janeiro é verão no hemisfério sul e que a incidência solar varia conforme nos afastamos da linha do Equador.

Gabarito: Alternativa (A).

  • O gráfico mostra máxima produção em janeiro e mínima em julho. Esse padrão de “Verão no início do ano” é exclusivo do Hemisfério Sul. A incidência direta mostrada no diagrama confirma a localização no Trópico de Capricórnio.

PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

A questão fornece dois dados visuais cruciais:

  1. Um diagrama da Terra em 21 de dezembro, mostrando raios solares atingindo o planeta.
  2. Um gráfico de barras que mostra a energia gerada por uma placa solar em quatro datas diferentes (Janeiro, Abril, Julho, Outubro).

O objetivo é descobrir a localização geográfica da casa onde essa placa está instalada.
Simplificação Radical:
Uma placa solar funciona como um “termômetro de verão”. Ela gera muito mais energia quando o sol está forte e os dias são longos. O gráfico mostra que a placa teve seu melhor desempenho em Janeiro e o pior em Julho.
A pergunta real é: “Em que lugar do mundo o sol ‘bombando’ em Janeiro e fica fraco em Julho?”

Nosso Plano de Ataque será o seguinte:

  • Mapear o comportamento da luz solar nas principais linhas imaginárias da Terra usando uma Tabela Comparativa.
  • Cruzar os dados do gráfico (picos e vales) com essa tabela para eliminar regiões.
  • Confirmar a resposta observando o ângulo de incidência mostrado no diagrama da Terra.

PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Para resolver isso sem chutar, precisamos entender o Perfil de Insolação de cada região. Vamos usar uma tabela para comparar como o Sol se comporta em cada latitude chave.

Tabela Comparativa: O Calendário Solar Global

Região / Latitude Quando é o Pico Solar (Verão)? Quando é o Vale Solar (Inverno)? Comportamento do Gráfico de Energia
Hemisfério Norte (Trópico de Câncer) Junho / Julho Dezembro / Janeiro Barras baixas no início/fim do ano e altas no meio (Formato de “U” invertido).
Linha do Equador Março / Setembro (Equinócios) – (Variação Mínima) Barras quase da mesma altura o ano todo. Pequena oscilação, sem “inverno” rigoroso.
Hemisfério Sul (Trópico de Capricórnio) Dezembro / Janeiro Junho / Julho Barras altas no início/fim do ano e baixas no meio (Formato de “U”).
Polo Norte Junho (Sol da Meia-Noite) Janeiro (Noite Polar) Barra zero em Janeiro. Barra média em Junho.
Polo Sul Janeiro (Sol da Meia-Noite) Junho (Noite Polar) Barra média em Janeiro. Barra zero em Junho.

Aprofundamento Técnico:
Por que a placa gera menos energia no inverno? Não é só porque o dia é mais curto. É por causa do Ângulo de Incidência.

  • Verão: O Sol passa alto no céu (perto do zênite). Os raios batem “de chapa” (perpendicularmente) na placa. A densidade de energia é máxima.
  • Inverno: O Sol passa baixo no horizonte. Os raios batem “de raspão” (oblíquos). A mesma quantidade de luz se espalha por uma área maior, diminuindo a potência recebida pela placa.

PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Vamos analisar os dados da questão com uma lupa, conectando o gráfico ao diagrama da Terra.

Análise Cronológica do Gráfico:

  1. Data 10/01 (Janeiro): A barra de energia está no máximo. Isso indica que, neste local, janeiro é a época de maior luminosidade e dias mais longos. Estamos inequivocamente no Verão.
  2. Data 10/07 (Julho): A barra de energia despencou para o mínimo (menos da metade da produção de janeiro). Isso indica sol baixo e dias curtos. Estamos no Inverno.
  3. Veredito Climático: Se é Verão em Janeiro e Inverno em Julho, estamos obrigatoriamente no Hemisfério Sul. Isso já elimina qualquer opção no Norte (Trópico de Câncer, Polo Norte).

Análise Geométrica do Diagrama da Terra:
O enunciado diz: “Terra em 21 de dezembro”.
Olhe para as setas que representam os raios solares.

  • Existe uma seta central marcada como “Incidência direta ao meio-dia”.
  • Siga a linha dessa seta até tocar a superfície da Terra. Onde ela toca?
  • Ela toca exatamente na linha do Trópico de Capricórnio.

A Conexão Final:
O gráfico diz: “A melhor época é Janeiro/Dezembro”.
O diagrama diz: “Em Dezembro, o sol bate reto no Trópico de Capricórnio”.
A conclusão é matemática: A placa está instalada onde o sol é rei em dezembro.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
A alternativa Equador é o maior distrator aqui. Muitos alunos pensam: “No Equador faz sol sempre, então deve gerar muita energia”. O erro é ignorar a variação.
Se a casa fosse no Equador, a produção de energia seria alta o ano todo. A barra de Julho seria quase do mesmo tamanho da barra de Janeiro. O gráfico apresentado mostra uma queda drástica (sazonalidade forte). Onde há grande diferença entre verão e inverno, não pode ser o Equador.

A Bússola (O Perfil do Culpado):
Síntese do raciocínio:
Pico de produção em Janeiro + Queda brusca em Julho = Hemisfério Sul com estações bem definidas.
Incidência perpendicular mostrada no mapa = Trópico de Capricórnio.
Expectativa: Procuramos a latitude 23,5° S.


PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

Análise Individual:

  • (A) Trópico de Capricórnio.
    Análise de Correspondência:
    Perfeita. Localizado no Hemisfério Sul. Recebe a incidência solar direta (zênite) no Solstício de Verão (Dezembro), o que explica a barra máxima em 10/01. Sofre com sol inclinado no inverno (Julho), explicando a barra mínima.
    Conclusão: ✔️ Alternativa correta.
  • (B) Trópico de Câncer.
    Diagnóstico do Erro: Inversão Hemisférica.
    Localizado no Norte. Lá, janeiro é o auge do inverno. Se fosse aqui, a barra de 10/01 seria a menor de todas, e a de 10/07 seria a maior. O gráfico seria o espelho do apresentado.
    Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • (C) Polo Norte.
    Diagnóstico do Erro: Contexto de Escuridão Total.
    Em janeiro, o Polo Norte está na “Noite Polar”. Não há sol. A produção de energia seria zero (barra inexistente).
    Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • (D) Polo Sul.
    Diagnóstico do Erro: Ineficiência Angular e Padrão de Gráfico.
    Embora seja “dia” em janeiro no Polo Sul, o sol nunca fica a pino; ele gira baixo no horizonte (360 graus). A eficiência seria baixa. Além disso, em julho (inverno polar), a produção seria zero absoluto (escuridão total). O gráfico mostra que ainda há produção em julho, logo, não pode ser uma região polar.
    Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • (E) Equador.
    Diagnóstico do Erro: Ignorância da Sazonalidade.
    No Equador, os dias têm 12 horas de luz o ano todo e o sol sempre está alto. O gráfico resultante seria “plano”, com barras de alturas muito semelhantes o ano inteiro. A variação apresentada na questão é incompatível com a estabilidade equatorial.
    Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Frase de Fechamento:
A assinatura energética de uma placa solar revela sua latitude: grandes oscilações com pico em janeiro indicam o Trópico de Capricórnio, enquanto a constância indica o Equador e a inversão (pico em julho) indica o Trópico de Câncer.

Resumo-flash (A Imagem Mental):
Gráfico em “U” (alto nas pontas, baixo no meio) = Sorriso do Hemisfério Sul.

Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
Esse conceito define a inclinação ideal de instalação das placas solares.

  • Na Europa (Norte), instalamos inclinadas para o Sul.
    Se você errar a inclinação ou a direção geográfica, perde até 30% da eficiência do sistema.
  • No Equador, instalamos as placas deitadas (0° de inclinação).
  • No Trópico de Capricórnio (ex: São Paulo), instalamos as placas inclinadas apontando para o Norte (para pegar o sol que “foge” para o Norte no inverno).

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