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Questão 82, caderno azul do ENEM 2018

TEXTO I
Há mais de duas décadas, os cientistas e ambientalistas têm alertado para o fato de a água doce ser um recurso
escasso em nosso planeta. Desde o começo de 2014, o Sudeste do Brasil adquiriu uma clara percepção dessa
realidade em função da seca.

TEXTO II
Dinâmicas atmosféricas no Brasil
Elementos relevantes ao transporte de umidade na América do Sul a leste dos Andes pelos Jatos de Baixos Níveis
(JBN), Frentes Frias (FF) e transporte de umidade do Atlântico Sul, assim como a presença da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), para um verão normal e para o verão seco de 2014. “A” representa o centro da anomalia de alta pressão atmosférica.

De acordo com as informações apresentadas, a seca de 2014, no Sudeste, teve como causa natural o(a)

A) constituição de frentes quentes barrando as chuvas convectivas.
B) formação de anticiclone impedindo a entrada de umidade.
C) presença de nebulosidade na região de cordilheira.
D) avanço de massas polares para o continente.
E) baixa pressão atmosférica no litoral.

✍ Resolução Em Texto

Matérias Necessárias para a Solução da Questão:

  • Climatologia (Dinâmica das Massas de Ar).
  • Física da Atmosfera (Pressão Atmosférica: Ciclones e Anticiclones).
  • Leitura de Mapas Meteorológicos (Cartografia Temática).

Tema/Objetivo Geral:
Compreender a relação física entre sistemas de pressão atmosférica e a formação (ou impedimento) de chuvas, especificamente o fenômeno do Bloqueio Atmosférico.

Nível da Questão:
Médio.
Por que? Exige leitura de linguagem cartográfica específica (saber o que significa a letra “A” no mapa) e conhecimento de física: saber que Alta Pressão dispersa nuvens e Baixa Pressão forma nuvens.

Gabarito:
Letra B.
A alternativa está correta pois o mapa mostra um grande “A” (Alta Pressão ou Anticiclone) sobre o Sudeste. Esse sistema funciona como uma “tampa” ou um ventilador gigante que sopra o ar de cima para baixo e para fora, impedindo que a umidade chegue e forme nuvens de chuva.


🕵️‍♂️ Resolução Passo a Passo

1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

  • Decodificação do Objetivo: A questão mostra dois cenários: um verão com chuva (Normal) e um verão seco (2014). Ela quer saber a causa natural da seca. Para isso, você deve olhar para o mapa de 2014, achar a diferença visual em relação ao normal e traduzir o símbolo encontrado para a linguagem técnica.
  • Simplificação Radical (A Analogia Central):
    • Imagine que o Sudeste do Brasil é uma piscina.
    • Normalmente, mangueiras (Rios Voadores da Amazônia e brisa do mar) enchem essa piscina.
    • Em 2014, alguém colocou uma Cúpula de Vidro Gigante em cima da piscina. A água bate no vidro e escorre para fora, não caindo dentro.
    • A questão quer o nome técnico dessa “cúpula de vidro” que aparece no mapa com a letra “A”.
  • Nosso Plano de Ataque:
    1. Identificar o símbolo “A” no mapa de 2014.
    2. Entender o significado de “A” (Alta Pressão / Anticiclone).
    3. Ligar esse fenômeno ao bloqueio da umidade.

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Para não confundir nunca mais Alta e Baixa pressão, use esta Tabela da Dinâmica Atmosférica.

Sistema de Pressão Símbolo no Mapa Nome Técnico Movimento do Ar Consequência no Tempo
Alta Pressão A (ou H em inglês) Anticiclone O ar desce (subsidência) e se espalha para fora. Tempo Seco e Aberto. O ar descendo esquenta e dissolve as nuvens. Funciona como um bloqueio.
Baixa Pressão B (ou L em inglês) Ciclone O ar sobe (convecção) e puxa ventos para dentro. Chuva e Tempestade. O ar subindo esfria e condensa, formando nuvens.

Conceito Chave: Anticiclone = Bloqueio. Pense no Anticiclone como um “anti-chuva”. Ele empurra a umidade para longe. É exatamente o que a seta circular no mapa de 2014 está mostrando: o vento girando e afastando a umidade.


3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

  • Olhar para o Verão Normal: Veja a seta cinza grossa (JBN – Jatos de Baixos Níveis) trazendo umidade da Amazônia e encontrando a seta preta (Frente Fria) no Sudeste. Esse encontro cria a ZCAS (Zona de Convergência do Atlântico Sul), que é a “estrada da chuva”.
  • Olhar para o Verão de 2014: Onde deveria estar a chuva, tem um círculo com a letra “A”.
  • A Interpretação: O texto diz: “A representa o centro da anomalia de alta pressão atmosférica”.
  • A Dedução: Se “A” é Alta Pressão, e Alta Pressão é sinônimo de Anticiclone, e o mapa mostra as setas de umidade desviando desse “A”, então temos um Anticiclone impedindo a entrada de umidade.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
Muitos alunos confundem a dinâmica: acham que “Alta Pressão” espreme a nuvem e faz chover. É o contrário! Alta pressão “espreme” o ar para baixo, impedindo que ele suba para virar nuvem.

  • Ar subindo (Baixa Pressão) = Nuvem ☁️.
  • Ar descendo (Alta Pressão) = Sol ☀️ (e Seca 🌵).

A Bússola (O Perfil do Culpado):

  • Síntese do raciocínio: O mapa mostra um “A”. “A” é Alta Pressão. Alta Pressão é Anticiclone. Anticiclone causa seca.
  • Expectativa: Procuramos uma alternativa que fale de “Alta Pressão” ou “Anticiclone” bloqueando a chuva.

4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

A) constituição de frentes quentes barrando as chuvas convectivas.

  • Análise: O Brasil raramente tem atuação de “frentes quentes” clássicas como na Europa. O problema foi um sistema estático de pressão, não o choque de uma frente quente. Além disso, o mapa mostra o bloqueio de frentes frias (FF), que ficaram presas no sul, e não a formação de frentes quentes.
  • Diagnóstico do Erro: Invenção de Fenômeno. Usa termos meteorológicos aleatórios que não se aplicam ao mapa.
  • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

B) formação de anticiclone impedindo a entrada de umidade.

  • Análise: Perfeito. O “A” no mapa significa Alta Pressão. Na meteorologia, uma zona de alta pressão é chamada de Anticiclone. O mapa mostra graficamente as setas de umidade (JBN e Fluxo do Oceano) batendo nesse sistema e desviando, sem conseguir entrar no Sudeste. Foi o famoso “Bloqueio Atmosférico” de 2014/2015.
  • Conclusão: 🟢 Alternativa correta.

C) presença de nebulosidade na região de cordilheira.

  • Análise: A Cordilheira dos Andes (a leste do mapa) sempre influencia o clima, mas a seca no Sudeste foi causada por algo sobre o Sudeste. Nebulosidade nos Andes não explica a falta de chuva em São Paulo.
  • Diagnóstico do Erro: Desvio Geográfico. Foca em uma região distante da área afetada.
  • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

D) avanço de massas polares para o continente.

  • Análise: Se as massas polares (Frentes Frias) tivessem avançado, teria chovido! O mapa “Verão de 2014” mostra a linha da Frente Fria (FF) barrada lá embaixo, no Uruguai/RS. Ela não conseguiu avançar justamente por causa do bloqueio da Alta Pressão.
  • Diagnóstico do Erro: Contradição com a Imagem. O mapa mostra o recuo/bloqueio da massa polar, não o avanço.
  • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

E) baixa pressão atmosférica no litoral.

  • Análise: Se fosse Baixa Pressão (“B”), o ar subiria e formaria nuvens de tempestade, resolvendo a seca. A seca é causada pela Alta Pressão. O aluno que marca essa inverteu os conceitos físicos.
  • Diagnóstico do Erro: Inversão Conceitual. Confunde Baixa Pressão (Chuva) com Alta Pressão (Seca).
  • Conclusão: 🟡 PARCIALMENTE CORRETA / DISTRATOR TÉCNICO. (Usa o termo “pressão”, mas erra a polaridade).

5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Frase de Fechamento:
A seca histórica de 2014 foi provocada por uma “tampa invisível” de ar denso chamada Anticiclone (Alta Pressão), que estacionou sobre o Sudeste e desviou a umidade vital da Amazônia e do Oceano.

Resumo-flash (A Imagem Mental):
🛑 O Porteiro do Tempo: O Anticiclone é um segurança gigante de braços abertos (“A”) dizendo: “Nenhuma nuvem entra aqui!”.

🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
Conecte isso com Mudanças Climáticas!
Os cientistas debatem se esse bloqueio de 2014 foi um azar natural ou se foi intensificado pelo Aquecimento Global. Esse tipo de “bolha de calor” ou bloqueio persistente está se tornando mais comum, afetando o abastecimento de água (Crise Hídrica) e a geração de energia (Hidrelétricas) no Brasil.

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