Antes de Roma ser fundada, as colinas de Alba eram ocupadas por tribos latinas, que dividiam o ano de acordo com seus deuses. Os romanos adaptaram essa estrutura. No princípio dessa civilização o ano tinha dez meses e começava por Martius (atual março). Os outros dois teriam sido acrescentados por Numa Pompílio, o segundo rei de Roma.
Até Júlio César reformar o calendário local, os meses eram lunares, mas as festas em homenagem aos deuses permaneciam designada pelas estações. O descompasso de dez dias por ano fazia que, em todos os triênios, um décimo terceiro mês, o Intercalaris, tivesse que ser enxertado. Com a ajuda de matemáticos do Egito emprestados por Cleópatra, Júlio César acabou com a bagunça ao estabelecer o seguinte calendário solar: Januarius, Februarius, Martius, Aprilis, Maius, Junius, Quinctilis, Sextilis, September, October, November e December. Quase igual ao nosso, com as diferenças que Quinctilis e Sextilis deram origem aos meses de julho e agosto.
Disponível em: https://aventurasnahistoria,uol.com.br. Acesso em: 8 dez.2019.
Considerando as informações no texto e aspectos históricos da formação da língua, a atual escrita dos meses em português
A) reflete a origem latina de nossa língua.
B) decorre de uma língua falada no Egito antigo.
C) tem como base um calendário criado por Cleópatra.
D) segue a reformulação da norma da língua proposta por Júlio César.
E) resulta da padronização do calendário antes da fundação de Roma.

✍ “Resolução Em Texto”
Matérias Necessárias para a Solução da Questão
- História da Língua Portuguesa (Origem Latina).
- História Geral (Roma Antiga e Calendário Juliano).
- Interpretação de Texto Informativo.
Tema/Objetivo Geral:
Identificar a raiz etimológica e histórica dos nomes dos meses em português, relacionando-os à sua origem na cultura e na língua latina (Roma Antiga).
Nível da Questão
Fácil/Médio.
O texto fornece a lista dos nomes em latim (Januarius, Martius), que são visual e sonoramente muito parecidos com o português. O desafio é não se distrair com os detalhes periféricos (Cleópatra, Egito, Numa Pompílio) e focar na essência da formação da língua.
Gabarito
Letra A.
O texto apresenta os nomes dos meses em latim (Januarius, Februarius…), que são a base direta para Janeiro, Fevereiro, etc. Isso evidencia que a nossa escrita atual é uma herança direta (reflexo) da língua latina falada em Roma.
1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)
Decodificação do Objetivo:
A questão quer saber de onde vem a grafia (a escrita) dos meses que usamos hoje no Brasil. Baseado no texto, quem inventou esses nomes e em que língua eles estavam?
Simplificação Radical (A Analogia Central):
Imagine um Teste de DNA.
- O “Filho” é o calendário em Português (Janeiro, Fevereiro).
- O “Pai” é o calendário Romano (Januarius, Februarius).
- Ao olhar para os dois, você vê que eles têm o “mesmo nariz” e os “mesmos olhos”.
O verdadeiro desafio aqui é reconhecer que o Português é uma Língua Neolatina (filha do Latim). O texto prova essa paternidade ao mostrar os nomes originais.
Plano de Ataque:
- Comparar os Nomes: Olhar a lista latina do texto e traduzir mentalmente para o português.
- Identificar a Origem: Onde esses nomes foram criados? (Em Roma, em latim).
- Eliminar Distrações: Ignorar quem fez a conta matemática (egípcios) e focar em quem deu os nomes (romanos).
2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)
A ferramenta essencial aqui é a Etimologia (a origem das palavras) dentro da História.
Tabela: A Evolução dos Nomes
| Latim (No Texto) | Português (Atual) | Conclusão |
| Januarius | Janeiro | A raiz é a mesma. |
| Martius | Março | A raiz é a mesma. |
| Augustus (Sextilis) | Agosto | Homenagem a Augusto (Imperador Romano). |
| July (Quinctilis) | Julho | Homenagem a Júlio César. |
Conceito-Chave: A língua portuguesa não “inventou” os nomes dos meses; ela os herdou e adaptou foneticamente do Latim. O texto diz: “Quase igual ao nosso”. Essa semelhança é a prova da herança latina.
3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)
Vamos rastrear a pista linguística:
- O Texto diz: “Júlio César… acabou com a bagunça ao estabelecer o seguinte calendário solar: Januarius, Februarius…”.
- A Análise: Esses nomes estão em Latim.
- A Conexão: O enunciado pergunta sobre a “atual escrita dos meses em português”.
- Se em latim é Januarius e em português é Janeiro, a conclusão óbvia é que o português reflete a origem latina. Nós somos falantes de uma língua que evoluiu do latim vulgar trazido pelos romanos.
🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO! O texto menciona “matemáticos do Egito emprestados por Cleópatra”.
Muitos alunos marcam a Letra B achando que a língua veio do Egito.
Como não cair: Os egípcios deram a matemática (o cálculo do tempo solar), mas quem deu os nomes (a língua) foram os romanos (Júlio César). A pergunta é sobre a escrita (língua), não sobre o cálculo astronômico.
A Bússola (O Perfil do Culpado):
- Síntese do raciocínio: O calendário foi estruturado pelos romanos usando a língua latina. O português, sendo uma língua românica, manteve essa nomenclatura com leves adaptações.
- Expectativa: A alternativa correta deve vincular o português ao latim ou à Roma Antiga.
4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)
A) reflete a origem latina de nossa língua.
- Análise de Correspondência: Perfeita.
- O texto mostra os nomes em latim (Martius, Aprilis).
- Nós usamos nomes quase iguais.
- Isso prova (reflete) que nossa língua vem do latim.
- Conclusão: ✔️ Alternativa correta.
B) decorre de uma língua falada no Egito antigo.
- Diagnóstico do Erro: Confusão entre Ciência e Linguagem.
- Análise: Os matemáticos eram do Egito, mas o calendário foi implantado em Roma, usando nomes romanos (latim). Não usamos os nomes egípcios (como Thoth ou Mesori).
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
C) tem como base um calendário criado por Cleópatra.
- Diagnóstico do Erro: Invenção de Fato Histórico.
- Análise: O texto diz que Cleópatra “emprestou matemáticos”, não que ela criou o calendário. Quem estabeleceu o calendário foi Júlio César (Calendário Juliano).
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
D) segue a reformulação da norma da língua proposta por Júlio César.
- Diagnóstico do Erro: Confusão de Objeto (Reforma do Tempo vs. Reforma da Língua).
- Análise: Júlio César reformou o calendário (a contagem do tempo), não a norma da língua (gramática/ortografia). Ele não mudou como se escrevia latim, mudou quantos dias tinha o ano.
- 🔄 ENGENHARIA REVERSA: Esta alternativa estaria correta SE o texto dissesse: “Júlio César publicou um decreto mudando a ortografia das palavras e a gramática do latim, o que influenciou o português.”
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
E) resulta da padronização do calendário antes da fundação de Roma.
- Diagnóstico do Erro: Erro Cronológico.
- Análise: O texto diz que antes de Roma, as tribos já dividiam o ano, mas a padronização citada (os 12 meses como conhecemos hoje: Januarius a December) foi feita por Júlio César, séculos após a fundação de Roma. O calendário pré-Roma tinha apenas 10 meses.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)
Frase de Fechamento:
A alternativa A é a correta pois conecta a evidência do texto (nomes latinos) à realidade linguística (língua portuguesa como filha do latim), mostrando que nosso calendário é um fóssil vivo da Roma Antiga.
Resumo-flash (A Imagem Mental)
O calendário na sua parede é um bilhete escrito em Roma há 2.000 anos, apenas com a letra um pouco mudada.
🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
Curiosidade útil: Você notou que Setembro (7), Outubro (8), Novembro (9) e Dezembro (10) têm nomes de números, mas são os meses 9, 10, 11 e 12?
Isso acontece porque, como o texto diz, o ano original começava em Março (Martius). Quando Júlio César e os reis anteriores adicionaram Januarius e Februarius no começo, “empurraram” os meses numéricos para frente, criando esse “erro” matemático que carregamos até hoje. Isso prova ainda mais a força da tradição latina.