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Questão 88, caderno azul ENEM 2020

TEXTO I

TEXTO II

O Rio Tietê está morto. Ao menos uma parte dele: 137 quilômetros, para ser mais preciso. Uma pesquisa da Fundação SOS Mata Atlântica mostra que, em 2016, o trecho do rio com qualidade de água classificada como ruim ou péssima começa em Itaquaquecetuba, passa por toda a Região Metropolitana de São Paulo e chega até Cabreúva, já no interior de São Paulo. Nesse trecho, a água não tem oxigênio suficiente para abrigar vida.

Disponível em: http://epoca.globo.com. Acesso em: 7 dez. 2017 (adaptado).

Considerando a análise dos textos, a condição atual desse rio tem como origem a

A) valorização do sítio urbano.

B) extinção da vegetação nativa.

C) recepção de densa carga de dejetos.

D) captação desordenada do regime pluvial.

E) expansão do uso de defensivos químicos.

✍ Resolução Em Texto

  • Matérias Necessárias para a Solução da Questão:
    • Geografia Urbana (Urbanização, Problemas Ambientais Urbanos)
    • Ecologia (Poluição Hídrica, Eutrofização)
    • Interpretação de Texto e Imagem
  • Tema/Objetivo Geral: Analisar a relação entre urbanização e degradação ambiental para identificar a principal causa da poluição de um rio urbano como o Tietê.
  • Nível da Questão: Fácil.
    • A questão se resolve pela inferência lógica mais direta. A imagem mostra um rio cercado por uma megalópole (São Paulo). O texto afirma que, nesse trecho, o rio está “morto”, sem oxigênio. A conclusão mais óbvia é que a imensa população da cidade despeja seus resíduos no rio, causando a poluição que o matou.
  • Gabarito: C
    • A alternativa está correta porque a condição de “morte” do rio (sem oxigênio para abrigar vida) é uma consequência direta da poluição orgânica. Em um contexto de uma megalópole como São Paulo, a principal fonte dessa poluição é o esgoto doméstico e industrial, ou seja, a recepção de uma densa carga de dejetos.

PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Decodificação do Objetivo: Em bom português, a missão é: “A imagem mostra o Rio Tietê espremido pela cidade de São Paulo. O texto diz que, nesse trecho, o rio está ‘morto’. Juntando essas duas pistas, qual é a causa principal, a origem da morte do rio?”

Simplificação Radical (A Analogia Central): Imagine um pequeno aquário com peixes saudáveis. Agora, imagine que milhões de pessoas começam a despejar seu lixo e esgoto diretamente dentro desse aquário todos os dias. O que vai acontecer? A água ficará turva, o oxigênio acabará e os peixes morrerão. O aquário se tornará um tanque de dejetos. O Rio Tietê, ao passar por São Paulo, é esse aquário. A questão nos pede para identificar o que matou os peixes.

Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação):

  • Analisar a Prova 1 (A Imagem): O que a fotografia nos mostra sobre o ambiente ao redor do rio?
  • Analisar a Prova 2 (O Texto): Qual é o “diagnóstico médico” do rio, segundo a pesquisa?
  • Conectar Causa e Efeito: Juntando a urbanização massiva (imagem) com o rio sem oxigênio (texto), qual é a conexão lógica mais provável?
  • Realizar a Autópsia: Vamos analisar cada alternativa para ver qual delas melhor descreve essa causa.

PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Para este caso, a melhor ferramenta é uma Análise Integrada da Cena do Crime Ambiental. Vamos conectar as pistas visuais e textuais.

A CENA DO CRIME: O RIO TIETÊ EM SÃO PAULO

  • A PISTA VISUAL (IMAGEM): O CONTEXTO
    • Mostra uma imensa mancha urbana: prédios, indústrias, vias expressas.
    • O rio está canalizado e espremido por essa estrutura urbana.
    • Inferência: Uma população gigantesca vive e produz resíduos nessa área.
  • A PISTA TEXTUAL (TEXTO II): O DIAGNÓSTICO
    • Condição do Rio: “morto”, “qualidade de água ruim ou péssima”.
    • Causa da Morte: “não tem oxigênio suficiente para abrigar vida”.
  • A CONEXÃO FORENSE (O elo perdido):
    • O que consome o oxigênio da água de um rio de forma tão drástica?
    • A decomposição de uma quantidade enorme de matéria orgânica.
    • De onde vem essa matéria orgânica em uma metrópole? Do esgoto doméstico e dos efluentes industriais.
  • Conclusão: A densa ocupação urbana mostrada na imagem gera uma densa carga de dejetos que, ao ser lançada no rio, consome todo o oxigênio e o mata, conforme descrito no texto.
  • Veredito da Análise: A origem do problema é a poluição massiva gerada pela metrópole.

PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Nossa análise integrada já resolveu o caso. A imagem nos mostra a causa potencial (uma cidade gigante) e o texto nos dá o efeito (um rio morto).

A degradação do Rio Tietê não é um fenômeno natural. É um problema ambiental clássico de urbanização acelerada e sem planejamento de saneamento básico adequado. A cidade cresceu mais rápido do que a capacidade de tratar seu próprio esgoto, e o rio se tornou o destino final desses dejetos.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨

CUIDADO! A armadilha mais sedutora é a alternativa (B), “extinção da vegetação nativa”. É verdade que a urbanização remove a mata ciliar (a vegetação das margens), o que causa outros problemas como assoreamento e erosão. No entanto, a causa da morte do rio por falta de oxigênio, que é o problema específico apontado no Texto II, é a poluição por matéria orgânica (esgoto), e não a falta de árvores na margem.

A Bússola (O Perfil do Culpado):

  • Síntese do raciocínio: A investigação mostra que a morte do rio por anoxia (falta de oxigênio) em um trecho que corta uma megalópole é causada pelo despejo massivo de esgoto.
  • Expectativa: A alternativa correta deve apontar para esse despejo de dejetos como a causa do problema.

PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

Vamos agora interrogar cada um dos suspeitos.

  • A) valorização do sítio urbano.
    • A “Narrativa do Erro”: O candidato pode pensar que a construção de marginais e prédios é uma forma de “valorização”.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Foco Incorreto. A questão pergunta a origem da condição atual do rio (poluído, morto), que é um problema ambiental, e não sobre o mercado imobiliário ou a dinâmica de valorização do espaço.
    • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
  • B) extinção da vegetação nativa.
    • A “Narrativa do Erro”: O candidato cai na “Armadilha Clássica”.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Causa Secundária. Embora a remoção da mata ciliar seja um problema ambiental grave, a causa direta da morte do rio por falta de oxigênio é a poluição por esgoto.
    • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
  • C) recepção de densa carga de dejetos.
    • Análise de Correspondência: Esta alternativa é o retrato falado da nossa Bússola. “Densa carga de dejetos” é a descrição precisa do esgoto doméstico e industrial gerado pela metrópole e despejado no rio, causando a poluição que consome o oxigênio.
    • Conclusão: 🟢 Alternativa correta.
  • D) captação desordenada do regime pluvial.
    • A “Narrativa do Erro”: O candidato pensa em outro problema urbano, as enchentes.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Fuga ao Tema. A gestão da água da chuva (regime pluvial) está mais ligada ao problema das enchentes. O problema descrito no texto é a qualidade da água do rio, não o seu volume durante as chuvas.
    • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
  • E) expansão do uso de defensivos químicos.
    • A “Narrativa do Erro”: O candidato pensa em outra fonte de poluição da água.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Fuga ao Tema. Defensivos químicos (agrotóxicos) são uma fonte de poluição associada à agricultura, na zona rural. O texto e a imagem retratam um problema eminentemente urbano.
    • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Frase de Fechamento: Confirmamos que a alternativa C é a correta. Este caso é um retrato contundente de como o crescimento urbano desacompanhado de saneamento básico transforma os rios em esgotos a céu aberto, um dos maiores desafios ambientais do Brasil.

Resumo-flash (A Imagem Mental): O rio não morreu de causas naturais; ele foi assassinado pela cidade.

Para ir Além (A Ponte para o Futuro): O mesmo processo de morte de um ecossistema por excesso de “nutrientes” (poluição orgânica), que vemos no Rio Tietê, ocorre no corpo humano em uma condição chamada sepse ou septicemia. A sepse é uma resposta inflamatória generalizada do corpo a uma infecção grave. Nessa condição, a “densa carga de dejetos” (as toxinas liberadas pelas bactérias e a resposta do próprio corpo) é tão grande que os sistemas entram em colapso. Um dos efeitos é a hipóxia tecidual, onde os tecidos não recebem oxigênio suficiente para abrigar vida, levando à falência de órgãos. A morte de um rio por eutrofização e a morte de uma pessoa por sepse compartilham uma lógica fisiopatológica assustadoramente semelhante.

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