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Questão 04 (INGLÊS) caderno azul ENEM 2020 Dia 1

A Minor Bird

I have wished a bird would fly away,
And not sing by my house all day;
Have clapped my hands at him from the door
When it seemed as if I could bear no more.
The fault must partly have been in me.
The bird was not to blame for his key.
And of course there must be something wrong
In wanting to silence any song.

FROST, R. West-running Brook. New York: Henry Holt and Company, 1928.

No poema de Robert Frost, as palavras “fault” e “blame” revelam por parte do eu lírico uma

A) culpa por não poder cuidar do pássaro.
B) atitude errada por querer matar o pássaro.
C) necessidade de entender o silêncio do pássaro.
D) sensibilização com relação à natureza do pássaro.
E) irritação quanto à persistência do canto do pássaro.

✍ Resolução Em Texto

  • Matérias Necessárias para a Solução da Questão:
    • Interpretação de Texto Poético (em Inglês)
    • Análise Literária (Jornada do Eu Lírico, Tom Poético)
  • Tema/Objetivo Geral: Analisar um poema para identificar a resolução de um conflito interno do eu lírico, que evolui de uma atitude de irritação para uma de reflexão e sensibilização.
  • Nível da Questão: Médio.
    • A questão se concentra na segunda metade do poema, onde o eu lírico faz uma autorreflexão explícita. As palavras “fault” (culpa/falha) e “blame” (culpa/responsabilidade) são pistas diretas que indicam uma mudança de perspectiva, tornando a conclusão relativamente direta para um leitor atento.
  • Gabarito: D
    • A alternativa está correta porque o eu lírico, após expressar sua irritação inicial, reflete e conclui que a “falha” (“fault”) estava nele mesmo e que o pássaro não tinha “culpa” (“blame”), demonstrando uma nova compreensão e empatia, ou seja, uma sensibilização com a natureza do pássaro.

PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Decodificação do Objetivo: Em bom português, a missão é: “O poema mostra uma pessoa que primeiro se irrita com um pássaro, mas depois usa as palavras ‘culpa’ e ‘responsabilizar’. O que essa mudança de tom e vocabulário revela sobre a conclusão final do pensamento dessa pessoa?”

Simplificação Radical (A Analogia Central): Imagine alguém incomodado com a risada alta de uma criança no parque. Primeiro Ato (Irritação): “Ah, que barulho! Queria que essa criança fosse embora!”. Segundo Ato (Reflexão): “Mas espere… a culpa não é da criança. Ela só está sendo criança, expressando sua alegria. A falha deve estar em mim, por estar tão mal-humorado hoje. Na verdade, há algo de errado em querer silenciar a alegria de alguém”. A questão nos pede para identificar o que aconteceu nesse “Segundo Ato”: a pessoa desenvolveu uma nova empatia, uma sensibilização.

Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação):

  • Analisar o Conflito Inicial: Como o eu lírico se sente e age na primeira metade do poema?
  • Identificar o Ponto de Virada: Qual é a mudança de perspectiva que ocorre na segunda metade?
  • Analisar as Palavras-Chave: Qual o papel das palavras “fault” e “blame” nessa virada?
  • Realizar a Autópsia: Vamos analisar cada alternativa para ver qual delas melhor descreve a resolução final desse conflito.

PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Para este caso, a melhor ferramenta é uma Tabela Comparativa da Jornada Emocional. Ela nos ajudará a contrastar a atitude inicial do eu lírico com sua reflexão final.

Estágio do Conflito Estágio 1: IRRITAÇÃO (Primeira Metade do Poema) Estágio 2: SENSIBILIZAÇÃO (Segunda Metade do Poema)
Ação Descrita “I have wished a bird would fly away” (Eu desejei que o pássaro voasse para longe). “Have clapped my hands at him” (Bati palmas para ele). “The fault must partly have been in me.” (A falha deve ter estado em mim). “The bird was not to blame…” (O pássaro não tinha culpa…).
Sentimento Central Incomodo, intolerância. (“I could bear no more” – Eu não aguentava mais). Autocrítica, empatia, compreensão.
Foco da Culpa O eu lírico culpa o PÁSSARO (o agente externo) pelo seu incômodo. O eu lírico transfere a culpa para SI MESMO (o agente interno).
Visão sobre o Canto É um barulho persistente que precisa ser silenciado. É a natureza do pássaro (“his key” – sua melodia), uma “canção” que não deve ser silenciada.

Conclusão Forense da Tabela: A tabela mostra uma mudança de 180 graus na perspectiva do eu lírico. Ele começa culpando o pássaro e termina culpando a si mesmo, passando a reconhecer o valor intrínseco do canto. Esse movimento de irritação para compreensão empática é, por definição, um processo de sensibilização.


PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Nossa tabela já traçou a jornada do eu lírico:

  • O poema começa com uma reação humana comum: o incômodo com um som repetitivo.
  • O ponto de virada é a autorreflexão. O uso das palavras “fault” (falha, culpa) e “blame” (culpa, responsabilidade) é o mecanismo que formaliza essa mudança de perspectiva. Ele deixa de culpar o mundo exterior (o pássaro) e passa a questionar seu mundo interior (sua própria intolerância).
  • A conclusão é uma máxima universal: “há algo de errado em querer silenciar qualquer canção”. Ele entende que o canto é a natureza do pássaro, e que o problema estava em sua incapacidade de aceitar essa natureza.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨

CUIDADO! A armadilha mais sedutora é a alternativa (E), “irritação quanto à persistência do canto do pássaro”. O erro é focar apenas na primeira metade do poema e ignorar a resolução do conflito. A irritação é o ponto de partida da história, mas não a conclusão da reflexão do eu lírico. A questão, ao focar em “fault” e “blame”, nos direciona para o final da jornada, não para o começo.

A Bússola (O Perfil do Culpado):

  • Síntese do raciocínio: A investigação mostra que o eu lírico passa por um processo de autocrítica, reconhecendo que sua irritação era uma falha pessoal e que o canto do pássaro é uma expressão natural.
  • Expectativa: A alternativa correta deve descrever essa mudança de perspectiva em direção a uma maior empatia e compreensão com a natureza.

PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

Vamos agora interrogar cada um dos suspeitos.

  • A) culpa por não poder cuidar do pássaro.
    • A “Narrativa do Erro”: O candidato vê a palavra “culpa” e a associa com uma responsabilidade de cuidado.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Fuga ao Tema. O poema não fala sobre cuidar ou não cuidar do pássaro. A culpa que o eu lírico sente é por sua atitude intolerante, não por uma omissão de cuidado.
    • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
  • B) atitude errada por querer matar o pássaro.
    • A “Narrativa do Erro”: O candidato exagera a intenção do eu lírico.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Extrapolação Indevida. O texto diz que ele queria “silenciar” o canto e que o espantou (“clapped my hands”). Não há nenhuma evidência que sugira um desejo de matar o pássaro.
    • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
  • C) necessidade de entender o silêncio do pássaro.
    • A “Narrativa do Erro”: Uma leitura invertida do conflito.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Contradição Direta. O problema do eu lírico não é o silêncio do pássaro, mas o exato oposto: o canto dele.
    • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
  • D) sensibilização com relação à natureza do pássaro.
    • Análise de Correspondência: Esta alternativa é o retrato falado da nossa Bússola. Ela descreve perfeitamente o estágio final da jornada do eu lírico: ele passa a entender que o canto é a “natureza” do pássaro (“his key” – sua melodia/tom) e que querer silenciar isso é errado. Isso é a definição de sensibilização.
    • Conclusão: 🟢 Alternativa correta.
  • E) irritação quanto à persistência do canto do pássaro.
    • A “Narrativa do Erro”: O candidato cai na “Armadilha Clássica”, focando apenas no início do poema.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Análise Incompleta. A irritação é o ponto de partida, mas as palavras “fault” e “blame” marcam a superação dessa irritação em favor de uma reflexão mais profunda. A alternativa descreve o problema, não a solução.
    • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Frase de Fechamento: Confirmamos que a alternativa D é a correta. O poema de Robert Frost, em sua simplicidade, é uma poderosa lição sobre como a verdadeira sabedoria muitas vezes começa quando paramos de culpar o mundo exterior e começamos a examinar nossas próprias falhas.

Resumo-flash (A Imagem Mental): Primeiro, o barulho do pássaro o incomodou; depois, o barulho do seu próprio preconceito o incomodou mais.

Para ir Além (A Ponte para o Futuro): O mesmo processo de mudança de perspectiva de culpar o externo para a autoanálise é um conceito central na Psicologia Cognitivo-Comportamental (TCC). Uma das técnicas da TCC é ajudar os pacientes a identificar “distorções cognitivas”, como a “externalização da culpa” (a tendência de culpar os outros pelos nossos sentimentos). O eu lírico do poema realiza uma sessão de auto-TCC: ele percebe que sua irritação (“The fault must partly have been in me”) não é causada pelo pássaro, mas pela sua própria interpretação e intolerância. A jornada do poema é a jornada de uma reestruturação cognitiva bem-sucedida.

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