Sexto rei sumério (governante entre os séculos XVIII e XVII a.C.) e nascido em Babel, “Khammu-rabi” (pronúncia em babilônio) foi fundador do I Império Babilônico (correspondente ao atual Iraque), unificando amplamente o mundo mesopotâmico, unindo os semitas e os sumérios e levando a Babilônia ao máximo esplendor. O nome de Hamurabi permanece indissociavelmente ligado ao código jurídico tido como o mais remoto já descoberto: o Código de Hamurabi. O legislador babilônico consolidou a tradição jurídica, harmonizou os costumes e estendeu o direito e a lei a todos os súditos.
Disponível em: www.direitoshumanos.usp.br. Acesso em: 12 fev. 2013 (adaptado).
Nesse contexto de organização da vida social, as leis contidas no Código citado tinham o sentido de
A) assegurar garantias individuais aos cidadãos livres.
B) tipificar regras referentes aos atos dignos de punição.
C) conceder benefícios de indulto aos prisioneiros de guerra.
D) promover distribuição de terras aos desempregados urbanos.
E) conferir prerrogativas políticas aos descendentes de estrangeiros.

✍ Resolução Em Texto
- Matérias Necessárias para a Solução da Questão:
- História Antiga (Mesopotâmia, Império Babilônico)
- História do Direito (Código de Hamurabi, Lei de Talião)
- Tema/Objetivo Geral: Compreender a função histórica e social do Código de Hamurabi como uma ferramenta de unificação e organização social através da codificação de leis e punições.
- Nível da Questão: Fácil.
- A questão se resolve pela compreensão básica do que é um “código jurídico”. O texto afirma que o nome de Hamurabi está ligado a um “código jurídico” que “consolidou a tradição jurídica” e estendeu a “lei a todos os súditos”. A função mais elementar de um código jurídico penal é definir o que é crime e qual a sua punição.
- Gabarito: B
- A alternativa está correta porque a principal função de um “código jurídico”, como o de Hamurabi, é exatamente estabelecer um conjunto de leis que definem quais atos são considerados crimes e quais são as punições correspondentes. “Tipificar regras referentes aos atos dignos de punição” é a descrição técnica precisa desse processo.
PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)
Decodificação do Objetivo: Em bom português, a missão é: “O texto fala sobre o famoso Código de Hamurabi. Para a sociedade daquela época, qual era o sentido, a principal função das leis que estavam escritas nesse código?”
Simplificação Radical (A Analogia Central): Imagine uma escola onde não há regras escritas. Cada inspetor pune os alunos como bem entende, de forma arbitrária. A vida é caótica e injusta. Então, o diretor Hamurabi decide criar o primeiro Código de Conduta da escola. Ele escreve em uma grande pedra no pátio: “Regra 1: Colar na prova. Punição: Ficar sem recreio por uma semana.”, “Regra 2: Correr no corredor. Punição: Escrever 50 vezes ‘não devo correr’”. O que esse código fez? Ele não deu “direitos individuais” aos alunos, nem “distribuiu terras”. A função principal dele foi definir claramente quais atos eram errados e qual era a punição para cada um, acabando com a arbitrariedade.
Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação):
- Analisar a Missão de Hamurabi: O que o texto diz que o “legislador babilônico” fez?
- Decifrar os Termos-Chave: O que significa “consolidar a tradição jurídica” e “estender o direito e a lei”?
- Conectar com a Função do Código: Juntando tudo, qual era o propósito central dessa organização da vida social?
- Realizar a Autópsia: Vamos analisar cada alternativa para ver qual delas melhor descreve esse propósito.
PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)
Para este caso, a melhor ferramenta é uma Análise do “Trabalho do Legislador”. Vamos decompor as ações de Hamurabi descritas no texto.
O TRABALHO DE HAMURABI
- AÇÃO 1: “Consolidou a tradição jurídica”
- Análise: Antes dele, as leis existiam, mas eram costumes orais e dispersos. “Consolidar” significa juntar tudo, organizar e tornar sólido, oficial.
- AÇÃO 2: “Harmonizou os costumes”
- Análise: Diferentes povos (semitas e sumérios) tinham costumes diferentes. “Harmonizar” significa criar um padrão único, uma regra que valesse para todos dentro do império unificado.
- AÇÃO 3: “Estendeu o direito e a lei a todos os súditos”
- Análise: Ao escrever as leis em uma estela (pedra) e colocá-la em público, a lei deixou de ser um segredo da elite e passou a ser de conhecimento de todos. Todos sabiam (ou podiam saber) as regras do jogo.
- SÍNTESE DA MISSÃO:
- O trabalho de Hamurabi foi pegar um conjunto de regras de certo e errado que já existiam de forma confusa, organizá-las, padronizá-las e torná-las públicas. O foco de um “código jurídico” dessa natureza é, antes de tudo, estabelecer o que acontece com quem faz algo errado.
Conclusão Forense: A essência do Código de Hamurabi foi criar um sistema claro e previsível de crime e castigo. Sua principal função era tipificar (definir, classificar) os atos errados e as punições correspondentes.
PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)
Nossa análise já revelou a função do Código. Ele foi uma ferramenta de organização e controle social.
- Ao unificar um “amplo mundo mesopotâmico”, Hamurabi precisava de uma ferramenta para garantir que todos seguissem as mesmas regras.
- Um código penal escrito é a ferramenta mais eficaz para isso. Ele diz a todos: “Se você fizer X, acontecerá Y”.
- Isso traz previsibilidade e ordem à vida social.
A grande inovação de Hamurabi foi transformar a justiça de algo arbitrário e pessoal em um sistema de regras aplicáveis. E o coração de um sistema de regras são as punições para quem as quebra.
🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO! A armadilha mais sedutora é a alternativa (A), “assegurar garantias individuais aos cidadãos livres”. O candidato pode associar “lei” com “direitos” e “garantias” no sentido moderno. O erro é o anacronismo. O conceito de “garantias individuais” como o conhecemos (direito à ampla defesa, presunção de inocência, etc.) não existia. O código de Hamurabi era brutal para os padrões modernos e refletia a hierarquia da sociedade (um nobre que feria um escravo recebia uma punição muito mais branda do que o contrário). O foco era a ordem e a punição, não a garantia de direitos individuais.
A Bússola (O Perfil do Culpado):
- Síntese do raciocínio: A investigação mostra que o Código de Hamurabi foi uma ferramenta para unificar e organizar a sociedade babilônica através da padronização de leis.
- Expectativa: A alternativa correta deve descrever a função central de um código penal: definir crimes e suas punições.
PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)
Vamos agora interrogar cada um dos suspeitos.
- A) assegurar garantias individuais aos cidadãos livres.
- A “Narrativa do Erro”: O candidato cai na “Armadilha Clássica”, aplicando um conceito moderno ao mundo antigo.
- O “Diagnóstico do Erro”: Anacronismo. A noção de direitos e garantias individuais é muito posterior. O código era sobre ordem e punição, e era explicitamente desigual em sua aplicação.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
- B) tipificar regras referentes aos atos dignos de punição.
- Análise de Correspondência: Esta alternativa é o retrato falado da nossa Bússola. “Tipificar” é o verbo jurídico para “definir e classificar como crime”. A função central do código era exatamente listar os “atos dignos de punição” e as “regras” (penas) para cada um.
- Conclusão: 🟢 Alternativa correta.
- C) conceder benefícios de indulto aos prisioneiros de guerra.
- A “Narrativa do Erro”: Uma associação aleatória com outro aspecto do direito.
- O “Diagnóstico do Erro”: Fuga ao Tema. O texto não faz nenhuma menção a prisioneiros de guerra ou indultos. O código tratava da organização da vida civil dentro do império.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
- D) promover distribuição de terras aos desempregados urbanos.
- A “Narrativa do Erro”: O candidato confunde um código penal com uma reforma agrária ou um programa social.
- O “Diagnóstico do Erro”: Fuga ao Tema. O texto não menciona distribuição de terras nem desemprego. Embora o código tratasse de questões de propriedade, seu objetivo não era a redistribuição, mas a regulação dos conflitos existentes.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
- E) conferir prerrogativas políticas aos descendentes de estrangeiros.
- A “Narrativa do Erro”: Uma associação aleatória com direito de cidadania.
- O “Diagnóstico do Erro”: Fuga ao Tema. O texto não menciona estrangeiros ou direitos políticos. O foco do código era a regulação da vida social e a punição de delitos.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)
Frase de Fechamento: Confirmamos que a alternativa B é a correta. O Código de Hamurabi representa um passo monumental na história da civilização: a ideia de que a justiça não deve vir do capricho de um rei, mas de um conjunto de regras conhecidas por todos.
Resumo-flash (A Imagem Mental): O Código de Hamurabi foi a primeira vez que a sociedade escreveu o “manual de instruções” de si mesma, com um grande capítulo sobre “o que acontece se você quebrar as regras”.
Para ir Além (A Ponte para o Futuro): O mesmo princípio de tipificar regras para garantir a ordem e a previsibilidade é a base do desenvolvimento de software e de protocolos de internet. Pense no protocolo TCP/IP, a “lei” que rege a comunicação na internet. Ele não dá “direitos” aos pacotes de dados. Ele estabelece um conjunto extremamente rígido de regras sobre como um pacote deve ser formatado, endereçado e confirmado. Se um pacote de dados viola essas regras (um “ato digno de punição”), ele é simplesmente descartado pelo sistema. Essa “tipificação” rigorosa garante que bilhões de dispositivos diferentes consigam se comunicar de forma ordenada, evitando o caos. A lógica de Hamurabi para organizar uma sociedade é a mesma lógica dos engenheiros para organizar a internet.