A figura ilustra diferentes etapas de um experimento realizado por Frederick Griffith em 1928 com camundongos
e pneumococos.

Disponível em: www.ck12.org. Acesso em: 27 jul. 2012.
A hipótese testada com a realização desse experimento é que
A) os seres vivos sofrem mutações pelo calor.
B) o calor é eficaz para matar microrganismos.
C) as bactérias virulentas não são alteradas pelo calor.
D) a virulência de uma bactéria pode ser transferida para outra.
E) a sobrevivência dos camundongos depende da quantidade de bactérias injetadas

✍ Resolução Em Texto
Matérias Necessárias para a Solução da Questão: Biologia (Genética Molecular e Microbiologia) e História da Ciência.
Tema/Objetivo Geral: Compreender o Experimento de Griffith e o princípio da Transformação Bacteriana (o primeiro indício de que o DNA carrega a informação genética).
Nível da Questão: Médio.
Por que Médio? Não exige decoreba de nomes complexos, mas exige raciocínio dedutivo. O aluno precisa analisar a sequência lógica de quatro etapas para entender a conclusão, em vez de apenas lembrar de um fato isolado.
Gabarito: D (a virulência de uma bactéria pode ser transferida para outra).
A alternativa está correta pois resume a conclusão do “Princípio Transformante”: algo nas bactérias mortas (hoje sabemos que é o DNA) instruiu as bactérias inofensivas a se tornarem perigosas.
1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)
Decodificação do Objetivo:
A questão quer que você olhe para o quarto quadrinho da imagem e explique o inexplicável: Como uma mistura de bactérias “boazinhas” (vivas) e bactérias “assassinas” (mas mortas!) conseguiu matar o camundongo? Qual foi a conclusão lógica de Griffith?
Simplificação Radical (A Analogia Central):
Imagine um filme de zumbis.
- Bactéria “do Bem” (Não virulenta): Um cidadão comum, desarmado.
- Bactéria “do Mal” (Virulenta): Um vilão armado até os dentes.
- O Cenário 4: O vilão morre, mas deixa a arma no chão. O cidadão comum pega a arma e vira um novo vilão.
- O Mistério: O cidadão não “mutou” sozinho; ele pegou a arma (virulência) do defunto.
Plano de Ataque:
- Analisar as Testemunhas: Entender o papel de cada grupo de bactérias nos 3 primeiros quadrinhos.
- O Crime Perfeito: Focar no 4º quadrinho (a mistura).
- O Veredito: Deduzir como a morte ocorreu se os assassinos originais estavam mortos.
2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)
Vamos montar um Dossiê das Bactérias (Pneumococos) para não confundir os personagens:
| Tipo de Bactéria | Aparência | Tem “Armadura” (Cápsula)? | Resultado no Rato |
| Não Virulenta (R) | Rugosa (Rough) | ❌ Não (Fácil de ser morta pelo sistema imune) | 🐭 Vivo |
| Virulenta (S) | Lisa (Smooth) | ✅ Sim (Cápsula protege contra defesa do rato) | 💀 Morto |
Conceito Chave: Transformação Bacteriana
É a capacidade de uma bactéria capturar fragmentos de DNA soltos no ambiente (de outras bactérias que morreram) e incorporá-los ao seu próprio genoma, ganhando novas habilidades.
3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)
Vamos ler a “história em quadrinhos” científica:
- Cena 1: Injeta bactéria do bem (sem cápsula). O sistema imune do rato vence. Rato VIVO.
- Cena 2: Injeta bactéria do mal (com cápsula). O sistema imune perde. Rato MORTO.
- Cena 3: Ferve a bactéria do mal (calor). O calor mata a célula, mas mantém a “receita” (DNA) intacta. Bactéria morta não mata ninguém. Rato VIVO.
🚨 O PLOT TWIST (Cena 4):
Misturamos Bactéria do Bem (Viva) + Bactéria do Mal (Morta).
Resultado: Rato MORTO. 💀
A Investigação:
Se examinássemos o sangue desse rato morto (Griffith fez isso!), encontraríamos bactérias do mal VIVAS.
- Como? As bactérias do bem não “evoluíram” do nada.
- Elas absorveram o DNA (a receita da cápsula) das bactérias mortas.
- Elas foram transformadas.
Síntese do Raciocínio:
A virulência não “evaporou” nem desapareceu com a morte das bactérias S. Ela foi transferida para as bactérias R.
Expectativa: A resposta deve falar sobre transferência, passagem ou aquisição de características.
4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)
- A) os seres vivos sofrem mutações pelo calor.
- Diagnóstico do Erro: Confusão de Causa. O calor serviu apenas para matar as bactérias virulentas (Cena 3), não para causar mutação nas vivas. Se fosse mutação pelo calor, o rato da Cena 3 (que recebeu o calor) teria morrido ou desenvolvido algo estranho, mas ele viveu.
- Conclusão: 🔴 Incorreta.
- B) o calor é eficaz para matar microrganismos.
- Diagnóstico do Erro: Reducionismo. Isso é verdade (vemos na Cena 3), mas não é a hipótese principal do experimento completo (Cena 4). Griffith queria entender a hereditariedade, não testar métodos de esterilização.
- Conclusão: 🔴 Incorreta.
- C) as bactérias virulentas não são alteradas pelo calor.
- Diagnóstico do Erro: Contradição Visual. Elas SÃO alteradas: elas morrem! Tanto que na Cena 3, elas não matam o rato.
- Conclusão: 🔴 Incorreta.
- D) a virulência de uma bactéria pode ser transferida para outra.
- Análise: Perfeita. As bactérias R (não virulentas) receberam a informação genética das bactérias S (virulentas mortas) e passaram a produzir a cápsula mortal. Houve uma transferência de característica.
- Conclusão: 🟢 Alternativa correta.
- E) a sobrevivência dos camundongos depende da quantidade de bactérias injetadas
- Diagnóstico do Erro: Fuga ao Tema. O experimento não variou quantidades (ex: 10 bactérias vs 1000 bactérias), variou tipos (virulenta vs não virulenta). A variável é a qualidade (genética), não a quantidade.
- Conclusão: 🔴 Incorreta.
5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)
Frase de Fechamento:
O experimento de Griffith provou que a informação biológica não morre necessariamente com o indivíduo; ela pode ficar disponível no ambiente e ser “baixada” (download genético) por outros organismos, num processo chamado Transformação.
Resumo-flash (A Imagem Mental):
“A bactéria morta deixou o ‘pen-drive’ (DNA) cair no chão; a bactéria viva achou, plugou e instalou o programa ‘Matador 1.0’.”
🧠 Para ir Além (Conexão Medicina Moderna):
Esse conceito de transferência horizontal de genes é o grande pesadelo dos hospitais hoje! Bactérias super-resistentes a antibióticos (superbactérias) frequentemente “passam” a receita da resistência para outras bactérias vizinhas através de plasmídeos, usando mecanismos muito parecidos com o descoberto por Griffith. É por isso que a resistência se espalha tão rápido!