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Questão 86 caderno azul ENEM 2010 comum Dia 1

Três dos quatro tipos de testes atualmente empregados para a detecção de príons patogênicos em tecidos cerebrais de gado morto são mostrados nas figuras a seguir. Uma vez identificado um animal morto infectado, funcionários das agências de saúde pública e fazendeiros podem removê-lo do suprimento alimentar ou rastrear os alimentos infectados que o animal possa ter consumido.

Analisando os testes I, II e III, para a detecção de príons patogênicos, identifique as condições em que os resultados foram positivos para a presença de príons nos três testes:

A) Animal A, lâmina B e gel A.

B) Animal A, lâmina A e gel B.

C) Animal B, lâmina A e gel B.

D) Animal B, lâmina B e gel A.

E) Animal A, lâmina B e gel B.

Matérias Necessárias para a Solução da Questão

  • Interpretação de Diagramas Científicos
  • Biologia Celular (Proteínas e Príons)
  • Imunologia (Reação Antígeno-Anticorpo)
  • Biotecnologia (Métodos de Diagnóstico)

Tema/Objetivo Geral:
Interpretação de diferentes métodos de diagnóstico laboratorial para a detecção de um agente patogênico.

Nível da Questão
Médio – A questão é de nível médio porque não exige conhecimento prévio aprofundado, mas sim uma forte capacidade de raciocínio lógico e interpretação de esquemas que representam processos biológicos. O aluno precisa deduzir o que significa um “resultado positivo” em cada um dos três cenários experimentais distintos.

Gabarito
C) – A alternativa está correta. A morte do animal B (Teste I), a aglutinação na lâmina A (Teste II) e a marcação no gel B (Teste III) são os indicadores visuais da presença do príon patogênico em cada um dos respectivos testes


🔎 Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo

1.1 Transcrição Essencial
“Analisando os testes I, II e III, para a detecção de príons patogênicos, identifique as condições em que os resultados foram positivos para a presença de príons nos três testes:”

1.2 O que está sendo pedido?
A questão nos pede para olhar os diagramas de cada um dos três testes e decidir, para cada um, qual resultado (A ou B) significa “POSITIVO”, ou seja, “Sim, o príon patogênico está aqui”.

1.3 Objetivo Cristalino
Nosso objetivo é analisar cada teste individualmente, determinar o resultado positivo de cada um e, ao final, montar a sequência correta (resultado do Teste I, resultado do Teste II, resultado do Teste III) para encontrar a alternativa correspondente.

1.4 Pergunta de Atenção
Em um teste de diagnóstico, o que geralmente indica um resultado positivo: uma ausência de reação ou a ocorrência de alguma mudança visível (uma morte, uma aglutinação, uma mancha)? Manter isso em mente ajuda a interpretar os diagramas!


📚 Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários

2.1 Definições e Fórmulas / explicação de termos
Para entender os testes, precisamos conhecer os “personagens” da história:

  • Príons Patogênicos (PrPsc):
    • Classificação: Agente infeccioso.
    • Explicação Simples: São proteínas que existem normalmente em nosso corpo, mas que, por algum motivo, adotam uma forma “errada” ou enovelada incorretamente. O mais perigoso é que essa versão defeituosa consegue converter as proteínas normais em cópias defeituosas, causando um efeito dominó que leva a doenças neurológicas graves, como o “Mal da Vaca Louca”.
  • Anticorpo:
    • Classificação: Proteína do sistema imunológico.
    • Explicação Simples: Pense nos anticorpos como a “polícia” especializada do nosso corpo. Cada tipo de anticorpo é projetado para reconhecer e se ligar a um alvo específico (um antígeno), como um vírus ou, neste caso, o príon patogênico. Quando muitos anticorpos se ligam a seus alvos, eles podem formar “aglomerados” ou grumos, um fenômeno chamado aglutinação, que é um sinal visível da presença do alvo.
  • Protease:
    • Classificação: Enzima.
    • Explicação Simples: É uma enzima que funciona como uma “tesoura molecular”, cuja função é digerir ou quebrar outras proteínas. Uma característica marcante dos príons patogênicos é que eles são muito resistentes à ação das proteases, enquanto as proteínas normais são facilmente digeridas.
  • Gel com Marcador Específico:
    • Classificação: Técnica de laboratório (similar ao Western Blot).
    • Explicação Simples: É um método para detectar a presença de uma proteína específica em uma amostra. Após algum processamento, um “marcador” (que pode ser um anticorpo com uma etiqueta fluorescente) é adicionado. Se a proteína alvo estiver presente no gel, o marcador se ligará a ela, criando uma mancha ou uma banda visível.

📝 Passo 3: Tradução e Interpretação do Problema

3.1 Contextualização Simplificada
A questão nos mostra três maneiras diferentes de responder à mesma pergunta: “Esta amostra de cérebro de boi está contaminada com o príon da vaca louca?”.

  • Teste I: Injetamos a amostra em ratos. Será que eles ficam doentes e morrem?
  • Teste II: Usamos “anticorpos-detetives” que só se agarram ao príon ruim. Será que eles encontram algo e formam um aglomerado?
  • Teste III: Primeiro tentamos destruir todas as proteínas com uma enzima (protease). Depois, usamos um marcador que só detecta o príon ruim. Será que o príon sobreviveu à enzima e foi detectado?

Nossa tarefa é identificar qual resultado em cada teste significa “SIM, a amostra está contaminada”.

3.2 Estratégia Geral
Vamos analisar cada teste separadamente, usando a lógica biológica para determinar qual imagem (A ou B) representa a detecção positiva do príon. Ao final, juntaremos os três resultados na ordem correta.


🧮 Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio e Cálculos

4.1 Passo a Passo Detalhado
Vamos decifrar cada teste:

  • Análise do Teste I (Bioensaio):
    • Uma amostra do cérebro bovino é injetada em dois animais de teste.
    • Animal A sobrevive. Isso indica que a amostra injetada era inofensiva ou que ele não desenvolveu a doença.
    • Animal B morre. A morte após a inoculação de um material suspeito é o sinal clássico de que o agente infeccioso estava presente na amostra e foi transmitido com sucesso.
    • Conclusão do Teste I: O resultado positivo é a morte do Animal B.
  • Análise do Teste II (Imunodetecção):
    • A amostra é colocada em duas lâminas e misturada com um anticorpo que reconhece especificamente o príon patogênico.
    • Na Lâmina A, vemos vários pontos escuros, indicando aglutinação. Isso acontece porque os anticorpos encontraram seu alvo (o príon) e se agruparam.
    • Na Lâmina B, a amostra permanece homogênea, sem aglutinação, indicando que os anticorpos não encontraram seu alvo.
    • Conclusão do Teste II: O resultado positivo é a aglutinação na Lâmina A.
  • Análise do Teste III (Detecção com Protease e Marcador):
    • A amostra é tratada com protease (que destrói proteínas normais, mas não o príon patogênico) e depois analisada em um gel com um marcador específico.
    • No Gel A, não há nenhuma mancha. Isso significa que, após o tratamento com protease, não sobrou nada que o marcador pudesse detectar. A amostra provavelmente continha apenas proteínas normais, que foram digeridas.
    • No Gel B, vemos manchas escuras. Isso significa que, mesmo após o tratamento com protease, algo sobreviveu e foi reconhecido pelo marcador. Esse “algo” só pode ser o príon patogênico, que é resistente à protease.
    • Conclusão do Teste III: O resultado positivo é a detecção de manchas no Gel B.

4.2 Verificação Intermediária
Juntando nossas conclusões, a sequência de resultados positivos é: Animal B, Lâmina A, Gel B.

4.3 Possível armadilha
A principal armadilha é a interpretação incorreta do que é “positivo”. No Teste I, pode-se pensar que o animal que sobrevive (A) é o “resultado bom” ou positivo, mas no contexto de um teste de detecção de patógeno, a manifestação da doença (morte) é o sinal positivo. No Teste III, é preciso conhecer a propriedade de resistência do príon à protease para entender por que a presença de um sinal no gel B é o resultado positivo.

4.4 Fechamento e expectativa
Nossa análise nos deu uma sequência inequívoca. Agora, vamos procurar a alternativa que corresponde a “Animal B, lâmina A e gel B”.


✅ Passo 5: Análise das Alternativas

5.1 Listagem das Alternativas
A) Animal A, lâmina B e gel A.
B) Animal A, lâmina A e gel B.
C) Animal B, lâmina A e gel B.
D) Animal B, lâmina B e gel A.
E) Animal A, lâmina B e gel B.

5.2 Justificativa Individual

  • A) 🔴 Errada. Corresponde à sequência de todos os resultados negativos.
  • B) 🔴 Errada. Erra o resultado do Teste I (positivo é B, não A).
  • C) 🟢 Correta. Combina perfeitamente os três resultados positivos que identificamos em nossa análise: a morte do Animal B, a aglutinação na lâmina A e a marcação no gel B.
  • D) 🔴 Errada. Erra o resultado do Teste II (positivo é A, não B) e do Teste III (positivo é B, não A).
  • E) 🔴 Errada. Erra o resultado do Teste I (positivo é B, não A) e do Teste II (positivo é A, não B).

🏆 Passo 6: Conclusão e Justificativa Final

6.1 Resumo do Raciocínio
A solução foi encontrada pela interpretação lógica de cada diagrama experimental, entendendo que um resultado positivo é indicado por um evento observável que confirma a presença e a atividade do agente patogênico: a morte no bioensaio, a aglutinação no teste imunológico e a resistência à digestão no teste com protease.

6.2 Gabarito Reafirmado
A alternativa correta é a C.

6.3 Resumo Final para Revisão 🔍
Em testes de diagnóstico, pense no resultado “positivo” como a confirmação de uma suspeita. A mudança visível (morte, cor, aglomerado) é a prova que o detetive (o teste) encontrou o culpado (o patógeno). Ausência de mudança geralmente significa que o culpado não estava lá.

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