15% off para você conhecer a Plataforma Assaad

Didática mágica, resultados garantidos. Aproveite mais de 15% de desconto na Plataforma Assaad e garanta sua aprovação em Medicina ainda em 2025.

Questão 85, caderno azul do ENEM PPL 2018

Os próprios senhores de engenho eram uns gulosos de doce e de comidas adocicadas. Houve engenho que ficou com o nome de “Guloso”. E Manuel Tomé de Jesus, no seu Engenho de Noruega, antigo dos Bois, vivia a encomendar doces às doceiras de Santo Antão; vivia a receber presentes de doces de seus compadres. Os bolos feitos em casa pelas negras não chegavam para o gasto. O velho capitão-mor era mesmo que menino por alfenim e cocada. E como estava sempre hospedando frades e padres no seu casarão de Noruega, tinha o cuidado de conservar em casa uma opulência de doces finos.

FREYRE, G. Nordeste: aspectos da influência da cana sobre a vida e a paisagem do Nordeste do Brasil.
 Rio de Janeiro: José Olympio, 1985 (adaptado).

O texto relaciona-se a uma prática do Nordeste oitocentista que está evidenciada em:

A) Produção familiar de bens para festejar as datas religiosas.

B) Fabricação escrava de alimentos para manter o domínio das elites.

C) Circulação regional de produtos para garantir as trocas metropolitanas.

D) Criação artesanal de iguarias para assegurar as redes de sociabilidade.

E) Comercialização ambulante de quitutes para reproduzir a tradição portuguesa.

Resolução em texto

📘 Matérias Necessárias para a Solução da Questão: História do Brasil (século XIX) e Sociologia (dinâmicas de sociabilidade).
📔 Nível da Questão: Médio.
Gabarito: D) Criação artesanal de iguarias para assegurar as redes de sociabilidade.
🎯 Tema/Objetivo Geral: Compreender o papel dos alimentos e da produção artesanal como instrumento de fortalecimento dos laços sociais na sociedade colonial e oitocentista nordestina.


🔷 Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo

📌 Retomando o comando:
A questão pede para identificar qual prática social do Nordeste oitocentista está retratada no texto de Gilberto Freyre.

📌 Explicação detalhada do que está sendo pedido:
Devemos descobrir qual função social os doces e a produção artesanal assumiam no cotidiano da elite rural nordestina no século XIX.

📌 Palavras-chave destacadas:

  • Senhores de engenho gulosos
  • Doceiras de Santo Antão
  • Presentes de doces
  • Hospedagem de frades e padres
  • Opulência de doces finos

📌 Objetivo claro:
Perceber que a produção e a circulação dos doces não eram apenas para consumo, mas serviam para manter e reforçar relações sociais e políticas, ou seja, redes de sociabilidade.

📌 Dica Geral:
⚡ Sempre que o enunciado destacar trocas de presentes, recepção de visitas e fartura de alimentos, pense em práticas de sociabilidade — não apenas em comércio ou necessidade básica!

📣 Elemento de Esclarecimento:
Você entendeu isso?
➡️ No Nordeste colonial e oitocentista, ter doces finos era uma maneira de mostrar prestígio e acolher aliadosuma estratégia para consolidar relações de amizade, poder e influência.


🔷 Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários

📌 Conceitos principais:

  • Redes de Sociabilidade:
    → Conjunto de relações sociais, familiares e políticas que se reforçam através de práticas cotidianas como trocas de presentes, festas, hospedagens.
  • Produção artesanal de alimentos:
    → Os doces eram feitos por escravizados ou trabalhadores locais, não para comércio em larga escala, mas para consumo privado e para impressionar visitantes importantes.

📌 Exemplo prático:

  • Assim como hoje se oferece um jantar elegante para visitas ilustres, no século XIX se preparava uma grande variedade de doces finos para demonstrar hospitalidade e status social.

🔷 Passo 3: Tradução e Interpretação do Texto

📌 Tradução simples do que foi dito:

  • Senhores de engenho = Apaixonados por doces.
  • Recebiam e encomendavam doces = Troca de presentes sociais.
  • Conservavam muitos doces em casa para visitas = Mostrar riqueza e bom relacionamento.
  • Frades e padres hospedados = Relacionamentos sociais e políticos mantidos pela fartura e hospitalidade.

📌 Conclusão parcial:
A produção e consumo de doces no Nordeste oitocentista era muito mais que uma questão de gosto pessoal: era uma prática social estruturante, servindo para reforçar alianças, amizades e prestígio.


🔷 Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio

📌 Construindo o raciocínio lógico:

  1. Produção artesanal = doces feitos em casa ou em pequena escala.
  2. Circulação de doces = envio e recebimento de presentes entre famílias e aliados.
  3. Função principal = reforço das redes de amizade, parentesco e poder político-religioso.
  4. Portanto = doces como instrumentos de sociabilidade e manutenção de prestígio.

Conclusão parcial:
Não se tratava apenas de vender doces ou alimentar a família, mas de utilizar as iguarias para consolidar laços sociais.


🔷 Passo 5: Análise das Alternativas

📌 Analisando uma a uma:

A) Produção familiar de bens para festejar datas religiosas:

  • O texto fala de visitas e hospitalidade no dia a dia, não necessariamente de festas religiosas.

B) Fabricação escrava de alimentos para manter o domínio das elites:

  • A produção de doces existe, mas o foco do texto não é a dominação via trabalho, mas sim o uso social dos doces.

C) Circulação regional de produtos para garantir trocas metropolitanas:

  • Não se trata de comércio para a metrópole, mas de relações locais.

D) Criação artesanal de iguarias para assegurar redes de sociabilidade:

  • Exatamente! A produção e circulação de doces garantiam e reforçavam os laços sociais e o prestígio.

E) Comercialização ambulante de quitutes para reproduzir a tradição portuguesa:

  • O texto não fala de comércio ambulante nem de tradição específica portuguesa.

🔷 Passo 6: Conclusão e Justificativa Final

📌 Conclusão:
O texto destaca que, no Nordeste oitocentista, a produção artesanal de doces tinha a função principal de reforçar as redes de sociabilidade, servindo para manter alianças, acolher visitantes e demonstrar status social.

Alternativa correta: D) Criação artesanal de iguarias para assegurar as redes de sociabilidade.

📌 🔍 Resumo Final:
No Nordeste do século XIX, doces finos não eram só sobremesas: eram instrumentos estratégicos de fortalecimento de amizades, prestígio social e alianças políticas.

Encontrou algum erro?

Clique no botão abaixo e reporte para os nossos corretores.