Questão 69 caderno verde ENEM 2017 Libras 1° Dia

Produzido e divulgado nos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial, o cartaz tinha o objetivo político de

A) promover o término do conflito.

B) justificar o extermínio de judeus.

C) difundir o sentimento xenofóbico.

D) reforçar o revanchismo dos derrotados.

E) enfraquecer o nacionalismo exacerbado.

✍ “Resolução Em Texto”

  • Matérias Necessárias para a Solução da Questão:
    • Interpretação de Imagem (Linguagem Visual)
    • História Contemporânea (Segunda Guerra Mundial, Propaganda de Guerra)
    • Sociologia (Xenofobia, Estereótipos)
  • Tema/Objetivo Geral: Análise de propaganda de guerra e sua função de desumanizar o inimigo para construir apoio popular ao conflito.
  • Nível da Questão:
    • Fácil. A questão é de nível fácil porque a mensagem do cartaz é extremamente explícita e visualmente agressiva. A desumanização da figura inimiga é tão evidente que, mesmo sem um conhecimento aprofundado da Segunda Guerra, é possível inferir a intenção de gerar ódio e medo contra um povo estrangeiro.
  • Gabarito:
    • C) difundir o sentimento xenofóbico. Esta alternativa está correta pois o cartaz utiliza estereótipos raciais e monstruosos para criar aversão e ódio ao inimigo japonês, o que é a definição de xenofobia (aversão a estrangeiros).

1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

  • Decodificação do Objetivo: A missão é olhar para esta imagem de propaganda e descobrir qual era o objetivo político principal por trás dela. O que o governo dos EUA queria que o povo americano sentisse e pensasse ao ver este cartaz?
  • Simplificação Radical (A Analogia Central): Pense neste cartaz como o oposto de uma campanha de turismo. Uma campanha de turismo mostra as melhores paisagens e as pessoas mais sorridentes de um país para que você queira visitá-lo. Este cartaz faz exatamente o contrário: ele pega um povo inteiro (os japoneses) e o retrata como um monstro horrível e perigoso. O objetivo não é atrair, mas sim criar repulsa, medo e ódio. A questão nos pede o nome técnico desse objetivo político.
  • Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação): Nosso plano será o seguinte:
    1. Fazer uma “autópsia” da imagem: Dissecar cada elemento visual do cartaz para entender como ele constrói sua mensagem.
    2. Identificar a emoção-alvo: Determinar qual sentimento a combinação desses elementos visuais busca despertar no espectador.
    3. Conectar a emoção ao objetivo político: Entender como despertar essa emoção específica ajudava no esforço de guerra.
    4. Construir o “Retrato Falado” da resposta correta.

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Uma imagem poderosa pode transformar um conceito abstrato em uma memória inesquecível. A ilustração a seguir foi criada para visualizar a essência da nossa análise, tornando a ideia central clara e impactante:

  • (A Anatomia do Ódio: Desumanizando o Inimigo). Este cartaz não é apenas uma imagem; é uma arma psicológica. Vamos dissecá-lo como um perito forense:
    • A Figura do Inimigo: Ele não é retratado como um soldado humano, mas como um monstro grotesco, quase um primata ou um vampiro. Possui garras, dentes enormes e feições animalescas. Esta é a técnica da desumanização: transformar o outro em algo que não é humano, facilitando o ato de odiá-lo e matá-lo.
    • Os Símbolos de Identificação: O quepe com a bandeira do Sol Nascente do Japão Imperial não deixa dúvidas sobre quem é o alvo. A caricatura racial (olhos puxados, cor da pele) reforça o estereótipo.
    • A Ação Agressiva: A figura empunha uma adaga e avança ameaçadoramente, simbolizando a selvageria, a traição (uma punhalada) e um perigo mortal.
    • A Vítima Indefesa: Abaixo do monstro, vemos o rosto apavorado de uma mulher (provavelmente branca, americana). Ela representa a nação, a família, a inocência e a civilização que estão sob ataque dessa “barbárie”.
    • A Mensagem Direta: A frase “ESTE É O INIMIGO” é uma ordem. Ela não abre espaço para dúvidas, generalizando a monstruosidade para todo um povo.

3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Agora, vamos executar a análise. A combinação de todos esses elementos tem um propósito claro: anular o pensamento racional e provocar uma resposta puramente emocional no povo americano.

Ao retratar o japonês não como um ser humano, mas como uma criatura sub-humana e perversa, a propaganda torna o esforço de guerra mais palatável. É mais fácil justificar a violência extrema contra um monstro do que contra um pai, um filho, um ser humano como você. O objetivo é criar uma barreira psicológica: “eles” não são como “nós”.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO! O erro mais comum aqui seria pensar em respostas genéricas como “para apoiar a guerra” ou “para recrutar soldados”. Embora o cartaz contribua para isso, essas são consequências. O comando pede o objetivo político da peça em si. A ferramenta usada aqui é a construção do ódio ao estrangeiro. Precisamos do nome específico para esse fenômeno.

  • A Bússola (O Perfil do Culpado):
    • Síntese do raciocínio: O cartaz utiliza a desumanização e a caricatura racial para instigar uma aversão profunda e irracional contra o povo japonês, identificando-os como uma ameaça existencial.
    • Expectativa: A alternativa correta deve nomear o ato de promover o ódio, o medo ou a aversão a pessoas de outra nacionalidade. O termo técnico para isso é xenofobia.

4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

Vamos confrontar os suspeitos com nosso Retrato Falado.

  • A) promover o término do conflito.
    • Análise de Correspondência: Um cartaz que incita o ódio faz exatamente o oposto: ele inflama as paixões e a vontade de lutar, prolongando e intensificando o conflito.
    • Diagnóstico do Erro: Contradição Direta.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • B) justificar o extermínio de judeus.
    • Análise de Correspondência: O alvo da propaganda é claramente o Japão (pela bandeira e estereótipos). A perseguição aos judeus foi uma política da Alemanha Nazista, aliada do Japão, mas não o tema deste cartaz americano.
    • Diagnóstico do Erro: Fuga ao Tema.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • C) difundir o sentimento xenofóbico.
    • Análise de Correspondência: Perfeito. Xenofobia significa, literalmente, “medo/aversão ao estrangeiro”. O cartaz é uma máquina de produzir esse sentimento, retratando o estrangeiro (japonês) como um monstro a ser temido e odiado. Encaixa-se perfeitamente em nossa Expectativa.
    • Conclusão: ✔️ Alternativa correta.
  • D) reforçar o revanchismo dos derrotados.
    • Análise de Correspondência: Este cartaz foi produzido durante a guerra pelos EUA, que não eram uma nação “derrotada” buscando revanche, mas uma potência mobilizando-se para a vitória. O “revanchismo” se aplica a nações que perderam uma guerra anterior (como a Alemanha após a Primeira Guerra).
    • Diagnóstico do Erro: Imprecisão Histórica / Anacronismo.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • E) enfraquecer o nacionalismo exacerbado.
    • Análise de Correspondência: O cartaz é um combustível para o nacionalismo. Ao criar um inimigo externo monstruoso, ele fortalece a identidade do “nós” (americanos, civilizados, defensores) e une a nação contra uma ameaça comum.
    • Diagnóstico do Erro: Contradição Direta.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

  • Frase de Fechamento: A resposta correta é a alternativa C, porque a estratégia central do cartaz é a desumanização do inimigo para gerar e espalhar a xenofobia, um sentimento essencial para manter o apoio popular a uma guerra total.
  • Resumo-flash (A Imagem Mental): Propaganda de guerra não vende um produto, ela vende um inimigo; e o primeiro passo para vender um inimigo é transformá-lo em um monstro.
  • 🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro): Pense na Guerra Fria. A propaganda americana não retratava os soviéticos como monstros simiescos, mas a lógica era a mesma. Eram frequentemente mostrados como ursos gigantes e ameaçadores, ou como autômatos sem alma, controlados pelo comunismo. A desumanização se adaptou: o inimigo não era mais “racial”, mas “ideológico”. O objetivo, no entanto, era idêntico ao do cartaz da Segunda Guerra: criar uma imagem do “outro” como uma ameaça existencial e desprovida de humanidade, justificando qualquer ação para contê-lo. A técnica sobrevive, apenas muda de máscara.

Encontrou algum erro?

Clique no botão abaixo e reporte para os nossos corretores.