A comunidade de Mumbuca, em Minas Gerais, tem uma organização coletiva de tal forma expressiva que coopera para o abastecimento de mantimentos da cidade do Jequitinhonha, o que pode ser atestado pela feira aos sábados. Em Campinho da Independência, no Rio de Janeiro, o artesanato local encanta os frequentadores do litoral sul do estado, além do restaurante quilombola que atende aos turistas.
ALMEIDA, A. W. B. (Org.). Cadernos de debates nova cartografia social: Territórios quilombolas e conflitos.
Manaus: Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia; UEA Edições, 2010 (adaptado).
No texto, as estratégias territoriais dos grupos de remanescentes de quilombo visam garantir:
A) Perdão de dívidas fiscais.
B) Reserva de mercado local.
C) Inserção econômica regional.
D) Protecionismo comercial tarifário.
E) Benefícios assistenciais públicos.

✍ “Resolução Em Texto”
Matérias Necessárias para a Solução da Questão
Geografia Humana (Populações Tradicionais e Espaço Rural).
Sociologia (Identidade Cultural e Economia Solidária).
Atualidades (Sustentabilidade e Turismo Comunitário).
Tema/Objetivo Geral:
Compreender como as comunidades remanescentes de quilombos (quilombolas) utilizam sua cultura e seu território não apenas como moradia, mas como ativos produtivos para se integrarem ao mercado e garantirem sua sobrevivência econômica.
Nível da Questão
Médio.
Embora o texto seja simples, o aluno precisa vencer o estereótipo de que quilombos são lugares isolados ou dependentes de caridade, reconhecendo neles uma força econômica ativa.
Gabarito
Letra C.
A alternativa está correta pois descreve exatamente o movimento dos quilombolas em direção ao mercado: eles saem do isolamento e vendem seus produtos (alimentos, artesanato, serviços) para as cidades e turistas vizinhos, inserindo-se na economia da região.
1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)
Decodificação do Objetivo:
A questão quer saber qual é o objetivo prático das atividades econômicas (feira, artesanato, restaurante) descritas no texto. Por que essas comunidades estão produzindo e vendendo para fora?
Simplificação Radical (A Analogia Central):
Imagine uma Fazenda Familiar que faz queijos deliciosos.
Se a família comer todo o queijo, eles sobrevivem (subsistência).
Mas, se eles levarem o queijo para vender na cidade vizinha ou abrirem a porteira para turistas provarem, eles estão entrando no jogo econômico.
Eles deixam de ser “invisíveis” e passam a ser fornecedores.
O verdadeiro desafio aqui é perceber que o texto narra a transformação da identidade cultural em geração de renda.
Plano de Ataque:
- Listar as Atividades: Abastecimento de mantimentos, feira, artesanato, restaurante.
- Identificar o Cliente: A cidade de Jequitinhonha, frequentadores do litoral, turistas.
- Concluir: Se há vendedor (quilombo) e comprador (região), há uma inserção econômica.
2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)
Vamos usar o conceito de Ressignificação do Território Quilombola.
Historicamente, o Quilombo era um lugar de refúgio e isolamento (para fugir da escravidão).
Hoje, o Quilombo contemporâneo é um lugar de residência, resistência e produção.
O Ciclo da Economia Quilombola Moderna:
- O Ativo: A terra, a técnica agrícola ancestral, a culinária típica, o artesanato.
- A Estratégia: Organizar-se coletivamente (cooperativas/associações).
- O Resultado: Venda de produtos e serviços.
- O Impacto: O quilombo deixa de ser uma “ilha isolada” e passa a ser uma peça importante na engrenagem da economia local (Regional).
3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)
Vamos analisar os dois casos apresentados:
- Caso 1 (Mumbuca – MG): “Coopera para o abastecimento… da cidade”.
Isso significa que a cidade depende ou se beneficia da comida produzida no quilombo. O quilombo é um agente econômico fornecedor. - Caso 2 (Campinho – RJ): “Artesanato encanta… restaurante atende turistas”.
Aqui, o quilombo entrou no setor de serviços e turismo. Eles estão captando o dinheiro dos turistas que visitam a região.
Síntese do raciocínio:
Ambos os exemplos mostram comunidades rompendo barreiras e trocando mercadorias/serviços com o mundo exterior. Eles não estão pedindo favor, estão fazendo negócios. Isso é Inserção Econômica.
🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO! Muitos alunos têm uma visão assistencialista sobre populações tradicionais. Ao ler “quilombo” ou “indígena”, o cérebro procura automaticamente palavras como “ajuda”, “governo” ou “benefício”. O texto mostra o oposto: mostra protagonismo e trabalho. Não caia na armadilha de tratá-los como passivos.
A Bússola (O Perfil do Culpado):
- Síntese do raciocínio: As comunidades usam o território para produzir e vender para a vizinhança.
- Expectativa: A alternativa deve falar sobre integração, mercado, comércio ou economia local/regional.
4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)
A) Perdão de dívidas fiscais.
- Diagnóstico do Erro: Alucinação (Não está no texto).
- Análise: O texto não menciona impostos, dívidas ou negociações com a Receita Federal. Fala de produção e venda.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
B) Reserva de mercado local.
- Diagnóstico do Erro: Uso incorreto de termo técnico.
- Análise: “Reserva de mercado” é quando o governo proíbe concorrentes de fora para proteger quem é de dentro (ex: Lei da Informática nos anos 80). Os quilombolas estão competindo e participando do mercado, não têm uma lei que proíba outros restaurantes ou agricultores de venderem lá.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
C) Inserção econômica regional.
- Análise de Correspondência: Perfeita.
- Análise:
- Inserção: Entrar, participar.
- Econômica: Venda de produtos (feira) e serviços (restaurante).
- Regional: Cidades vizinhas (Jequitinhonha) e Litoral Sul.
- A alternativa descreve exatamente o fenômeno sociogeográfico narrado.
- Conclusão: ✔️ Alternativa correta.
D) Protecionismo comercial tarifário.
- Diagnóstico do Erro: Escala Inadequada (Macroeconomia).
- Análise: Tarifas alfandegárias são cobradas entre Países (Exportação/Importação). Uma comunidade local não tem poder para cobrar tarifas nem criar barreiras comerciais internacionais.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
E) Benefícios assistenciais públicos.
- Diagnóstico do Erro: Estereótipo / Leitura Viciada.
- Análise: O texto descreve atividades laborais (trabalho): plantar, fazer artesanato, cozinhar. Isso é geração de renda autônoma. “Benefício assistencial” (como Bolsa Família) é transferência de renda do governo, sem contrapartida imediata de produto. O texto mostra o quilombo produzindo, não recebendo doação.
- 🔄 ENGENHARIA REVERSA: Esta alternativa estaria correta se o texto dissesse: “Devido à seca e à falta de mercado para seus produtos, a comunidade de Mumbuca sobrevive graças aos repasses governamentais e cestas básicas…”
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)
Frase de Fechamento:
Longe de serem peças de museu, os quilombos contemporâneos utilizam sua identidade cultural como motor de desenvolvimento, promovendo uma inserção econômica regional através do turismo, artesanato e agricultura familiar.
Resumo-flash (A Imagem Mental):
Do Quilombo para a Feira: Cultura vira Renda.
🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
Conecte isso com Economia Criativa e Sustentabilidade.
O que esses quilombos fazem é o que chamamos de “Turismo de Base Comunitária” (TBC). Diferente do turismo de massa (resorts), o TBC valoriza a experiência autêntica, gera renda direta para o morador e preserva o meio ambiente. É uma tendência global de consumo consciente.