Em discurso proferido em 17 de março de 1939, o primeiro-ministro inglês à época, Neville Chamberlain, sustentou sua posição política: “Não necessito defender minhas visitas à Alemanha no outono passado, que alternativa existia? Nada do que pudéssemos ter feito, nada do que a França pudesse ter feito, ou mesmo a Rússia, teria salvado a Tchecoslováquia da destruição. Mas eu também tinha outro propósito ao ir até Munique. Era o de prosseguir com a política por vezes chamada de ‘apaziguamento europeu’, e Hitler repetiu o que já havia dito, ou seja, que os Sudetos, região de população alemã na Tchecoslováquia, eram a sua última ambição territorial na Europa, e que não queria incluir na Alemanha outros povos que não os alemães.”
Internet: (com adaptações).
Sabendo-se que o compromisso assumido por Hitler em 1938, mencionado no texto acima, foi rompido pelo líder alemão em 1939, infere-se que
a) Hitler ambicionava o controle de mais territórios na Europa além da região dos Sudetos.
b) a aliança entre a Inglaterra, a França e a Rússia poderia ter salvado a Tchecoslováquia.
c) o rompimento desse compromisso inspirou a política de ‘apaziguamento europeu’.
d) a política de Chamberlain de apaziguar o líder alemão era contrária à posição assumida pelas potências aliadas.
e) a forma que Chamberlain escolheu para lidar com o problema dos Sudetos deu origem à destruição da Tchecoslováquia.

- Matérias Necessárias para a Solução da Questão:
- Interpretação de Fontes Históricas
- História Contemporânea (Antecedentes da Segunda Guerra Mundial, Política de Apaziguamento)
- Raciocínio Lógico-Inferencial
- Tema/Objetivo Geral: Analisar a Política de Apaziguamento e, a partir da falha dela, inferir as verdadeiras intenções expansionistas da Alemanha Nazista.
- Nível da Questão: Médio.
- Detalhe: A questão é classificada como média porque não se trata apenas de ler o texto. Ela exige que o candidato conecte a informação do texto (a promessa de Hitler) com uma informação externa fornecida no comando (a promessa foi quebrada) para fazer uma dedução lógica sobre a intenção original de Hitler.
- Gabarito:Letra A
- Explicação: Se Hitler prometeu que os Sudetos eram sua “última ambição” e, em seguida, quebrou essa promessa, a única inferência lógica possível é que sua promessa era falsa e que ele, desde o início, ambicionava mais territórios.
1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)
- Decodificação do Objetivo: A missão é atuar como um analista de inteligência. Temos duas peças de informação: 1) O depoimento de Chamberlain, que relata a promessa de Hitler em 1938 (“Os Sudetos são a última coisa que eu quero, prometo!”). 2) A informação de que Hitler quebrou essa promessa em 1939. Juntando essas duas peças, o que podemos concluir sobre as verdadeiras intenções de Hitler?
- Simplificação Radical (A Analogia Central): Imagine que uma criança pede um biscoito e jura solenemente: “É só este, o último, não peço mais nenhum!”. Logo depois, você a pega tentando levar o pote inteiro de biscoitos. O que você infere da quebra dessa promessa? Que a intenção dela, desde o início, não era pegar apenas um biscoito. O verdadeiro desafio aqui é aplicar essa mesma lógica simples à política internacional.
- Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação):
- Isolar a Promessa: Vamos identificar no texto a promessa exata que Hitler fez a Chamberlain.
- Processar a Quebra da Promessa: Vamos levar em conta a informação crucial de que o acordo foi rompido.
- Deduzir a Intenção Real: Com base na promessa falsa, vamos deduzir qual era o verdadeiro plano de Hitler.
- Confrontar as Alternativas: Usaremos nossa dedução para julgar qual alternativa descreve corretamente essa intenção.
2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)
Para este caso de engano e estratégia, a melhor ferramenta é um Dossiê Investigativo que compara as palavras com os atos.
- DOSSIÊ DO CASO: A Promessa de Munique
- As Palavras (A Promessa de Hitler, 1938):
- “…os Sudetos… eram a sua última ambição territorial na Europa…”
- “…não queria incluir na Alemanha outros povos que não os alemães.”
- Objetivo Declarado: Paz e estabilidade após uma última concessão.
- Os Atos (A Realidade de 1939):
- “o compromisso assumido por Hitler […] foi rompido…”
- Ação Real: Expansão territorial continuou (historicamente, com a invasão do resto da Tchecoslováquia e depois da Polônia).
- A Conclusão do Detetive (A Inferência Lógica):
- Se a promessa de “parar” foi quebrada, significa que a intenção nunca foi parar. A promessa foi uma tática para ganhar tempo e território sem resistência. A verdadeira ambição era, portanto, maior do que a declarada.
- As Palavras (A Promessa de Hitler, 1938):
3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)
Nosso dossiê já desvendou a verdade por trás da mentira.
- Execução do Plano: A lógica é irrefutável. A quebra de uma promessa de “fim” prova que aquele não era o fim. A ambição de Hitler ia além dos Sudetos.
🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO! A armadilha mais sedutora aqui é julgar Neville Chamberlain e sua política de apaziguamento. As alternativas (D) e (E) tentam te levar para esse debate. O próprio Chamberlain se defende no texto, dizendo “Nada do que pudéssemos ter feito… teria salvado a Tchecoslováquia”. A questão não pede para você avaliar se Chamberlain foi ingênuo ou se sua política foi correta. Ela pede para você inferir as intenções de Hitler com base na quebra do acordo. Mantenha o foco no “vilão” da história, não no diplomata.
- A Bússola (O Perfil do Culpado):
- Síntese do raciocínio: O rompimento do Acordo de Munique por parte de Hitler é a prova cabal de que sua declaração de que os Sudetos seriam sua “última ambição” era uma falsidade estratégica.
- Expectativa: A alternativa correta deve afirmar que as ambições de Hitler se estendiam para além do território dos Sudetos.
4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)
- Alternativa A: Hitler ambicionava o controle de mais territórios na Europa além da região dos Sudetos.
- Análise de Correspondência: Esta alternativa é o retrato falado da nossa “Expectativa”. É a dedução lógica e direta da quebra da promessa.
- Conclusão: ✔️ Alternativa correta.
- Alternativa B: a aliança entre a Inglaterra, a França e a Rússia poderia ter salvado a Tchecoslováquia.
- A “Narrativa do Erro”: O candidato especula sobre cenários alternativos.
- O “Diagnóstico do Erro”: Contradição Direta com o Texto. O próprio Chamberlain afirma no texto que “Nada do que pudéssemos ter feito, ou mesmo a Rússia, teria salvado a Tchecoslováquia da destruição.”
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
- Alternativa C: o rompimento desse compromisso inspirou a política de ‘apaziguamento europeu’.
- A “Narrativa do Erro”: Uma confusão na linha do tempo dos eventos.
- O “Diagnóstico do Erro”: Inversão de Causa e Efeito. A política de apaziguamento foi o que levou ao compromisso. O rompimento do compromisso, na verdade, destruiu a política de apaziguamento.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
- Alternativa D: a política de Chamberlain de apaziguar o líder alemão era contrária à posição assumida pelas potências aliadas.
- A “Narrativa do Erro”: O candidato assume que havia uma grande discordância entre os aliados.
- O “Diagnóstico do Erro”: Fuga ao Tema / Inferência Indevida. O texto não fornece informações sobre a posição das outras potências (a França, por exemplo, também participou e concordou com o Acordo de Munique).
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
- Alternativa E: a forma que Chamberlain escolheu para lidar com o problema dos Sudetos deu origem à destruição da Tchecoslováquia.
- A “Narrativa do Erro”: O candidato culpa diretamente a política de Chamberlain.
- O “Diagnóstico do Erro”: Julgamento de Valor não Suportado pelo Texto. Esta é uma interpretação histórica possível, mas o texto em si (o discurso de Chamberlain) argumenta o contrário, que a destruição era inevitável. A questão pede uma inferência a partir do texto.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)
- Frase de Fechamento: Confirmamos que a alternativa A é a única correta, pois é a única inferência lógica que se pode tirar da contradição entre a promessa de Hitler e suas ações subsequentes.
- Resumo-flash (A Imagem Mental): “A promessa de Hitler era o cavalo de Troia: um presente de paz que escondia um exército de ambições.”
- 🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro): O dilema de Chamberlain é um estudo de caso clássico em Teoria dos Jogos, especificamente o “Dilema do Prisioneiro” iterado. Chamberlain escolheu “cooperar” (apaziguar), esperando que Hitler também cooperasse (mantivesse a paz). Hitler, no entanto, escolheu “trair” (romper o acordo). Na Teoria dos Jogos, a decisão de confiar ou não em um oponente com base em suas declarações versus seu histórico de ações é fundamental. A falha do apaziguamento ensinou ao mundo uma dura lição sobre estratégias de negociação com atores que não jogam pelas mesmas regras, uma lição que influencia a diplomacia e as relações internacionais até hoje.
Análise
- Análise: Resolução com Ambiguidade. ⚠️
- Justificativa: A ambiguidade reside no fato de que as alternativas incorretas (especialmente B, D e E) tocam no cerne do debate histórico sobre a validade e as consequências da Política de Apaziguamento. Elas convidam o candidato a usar seu conhecimento prévio e a fazer um julgamento moral ou estratégico sobre as ações de Chamberlain. A questão exige, no entanto, a disciplina de se ater à inferência lógica estrita que conecta a promessa e sua quebra. A dificuldade de separar a análise lógica da análise histórica mais ampla torna os distratores muito fortes.