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Questão 60, caderno azul do ENEM 2023 – DIA 1

Negar o pedido por dinheiro indispensável para necessidades pessoais ou comprar bens usando o nome da pessoa sem o consentimento dela. Ameaçar o corte de recursos dependendo de atitudes pessoais, esconder documentos ou trocar senhas do banco sem avisar. Ou, ainda, proibir a pessoa de trabalhar ou destruir seus pertences. As histórias são comuns, mas às vezes não são reconhecidas como abuso. Mas é uma das cinco formas de conduta contra a mulher previstas na Lei Maria da Penha.

LEWGOY. J. Conduta quase invisível destrói a vida de mulheres. Disponível em: https://valorinveste.globo.com. Acesso em: 23 out. 2021 (adaptado).

O texto apresenta tipos de conduta sujeitos a punição, conforme previsto na Lei Maria da Penha, porque consistem em formas de

a) ação difamatória.

b) desvio comportamental.

c) expressão preconceituosa.

d) violência patrimonial.

e) desentendimento matrimonial.

  • Matérias Necessárias para a Solução da Questão:
    • Interpretação de Texto
    • Legislação (Lei Maria da Penha – Lei nº 11.340/2006)
    • Sociologia (Violência de Gênero)
  • Tema/Objetivo Geral: Identificar e nomear um dos tipos específicos de violência doméstica e familiar contra a mulher previstos na legislação brasileira.
  • Nível da Questão: Fácil.
    • Justificativa: A questão é considerada fácil porque o texto fornece uma lista detalhada de exemplos de abuso. Todos os exemplos — negar dinheiro, usar o nome sem consentimento, controlar senhas, proibir de trabalhar, destruir pertences — estão diretamente relacionados ao controle de bens, dinheiro e recursos. A conexão com o conceito de “violência patrimonial” é, portanto, muito direta e explícita.
  • Gabarito: D) violência patrimonial.
    • Explicação Resumida: A alternativa está correta porque todas as condutas descritas no texto (controle de dinheiro, uso indevido de bens, destruição de pertences) são exemplos clássicos de violência patrimonial, uma das cinco formas de violência contra a mulher tipificadas pela Lei Maria da Penha.

1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Em bom português, a missão é a seguinte: o texto lista uma série de ações abusivas que um parceiro pode cometer contra uma mulher, todas relacionadas a dinheiro, bens e documentos. A questão nos pede para dizer qual é o “nome oficial” desse tipo de crime, de acordo com a Lei Maria da Penha.

Simplificando, imagine que a lei é um grande catálogo de crimes. O texto descreve um criminoso que não bate nem xinga, mas que rouba o cartão de crédito da vítima, esconde seus documentos, a proíbe de trabalhar e quebra seus objetos pessoais. A questão quer que a gente olhe o índice do “catálogo da lei” e encontre o capítulo que descreve exatamente esse tipo de abuso.

Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação): Para resolver este enigma, nosso plano será metódico e preciso:

  • 1. Catalogar as Condutas Criminosas: Vamos primeiro listar todas as ações abusivas que o texto descreve.
  • 2. Encontrar o Elemento Comum: Vamos analisar essa lista e identificar qual é o “alvo” comum de todas essas ações.
  • 3. Tipificar o Crime: Com o alvo identificado, vamos procurar a alternativa que usa o termo jurídico correto para descrever a violência contra esse alvo.

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Para este caso, a melhor ferramenta é um Dossiê do Crime, onde vamos organizar as ações descritas para encontrar o padrão.

Dossiê do Abuso “Quase Invisível”:

  • Ação 1: “Negar o pedido por dinheiro indispensável”.
  • Ação 2: “Comprar bens usando o nome da pessoa sem o consentimento dela”.
  • Ação 3: “Ameaçar o corte de recursos”.
  • Ação 4: “Esconder documentos ou trocar senhas do banco”.
  • Ação 5: “Proibir a pessoa de trabalhar”.
  • Ação 6: “Destruir seus pertences”.

Análise do Modus Operandi: Qual é o elemento que conecta todas essas ações? O alvo não é o corpo (violência física), nem a mente diretamente (violência psicológica), nem a reputação (violência moral). O alvo é o patrimônio da mulher. Patrimônio inclui seu dinheiro, seus bens (pertences), seus documentos, seu crédito (nome) e sua capacidade de gerar renda (trabalho). Todas as ações visam controlar, subtrair ou destruir os recursos materiais e financeiros da vítima.


3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

A execução do nosso plano nos leva a uma conclusão clara. O texto está descrevendo uma estratégia de controle e dominação que opera através da asfixia financeira. Ao negar dinheiro, roubar o nome, esconder documentos e proibir o trabalho, o agressor busca criar uma situação de total dependência econômica. Ao destruir os pertences, ele ataca o que é materialmente da mulher, reforçando a ideia de que ela não tem posse sobre nada.

O texto nos informa que, embora “às vezes não são reconhecidas como abuso”, essas condutas são, de fato, crimes previstos em lei. A Lei Maria da Penha, em seu Artigo 7º, define cinco tipos de violência: física, psicológica, sexual, moral e patrimonial. As ações descritas no texto se encaixam perfeitamente nesta última categoria.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO! A armadilha mais sedutora aqui é a alternativa (E) “desentendimento matrimonial”. O erro é a minimização da violência. A sociedade por muito tempo tratou abusos graves como “briga de marido e mulher”. A Lei Maria da Penha foi criada justamente para combater essa ideia, deixando claro que essas condutas não são “desentendimentos”, mas sim crimes de violência. A alternativa (E) representa o pensamento antigo que a lei veio para superar.

  • A Bússola (O Perfil do Culpado):
    • Síntese do raciocínio: A investigação demonstra que todas as ações abusivas listadas no texto têm como alvo o controle, a apropriação ou a destruição dos recursos financeiros e bens materiais da vítima.
    • Expectativa: A alternativa correta deve nomear o tipo de violência que se refere especificamente ao patrimônio de uma pessoa.

4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

Com nosso perfil do crime em mãos, vamos interrogar os suspeitos.

a) ação difamatória.
O erro é Foco Incorreto. Difamação se refere a atacar a honra ou a reputação de alguém (violência moral). O texto descreve ataques a bens e dinheiro, não à reputação.
Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

b) desvio comportamental.
O erro é Termo Vago e Genérico. “Desvio comportamental” é um termo psicológico amplo que não tem valor jurídico e não descreve a natureza específica do crime.
Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

c) expressão preconceituosa.
O erro é Foco Incorreto. O texto não descreve atos de preconceito verbal, mas sim ações concretas de controle financeiro e material.
Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

d) violência patrimonial.
Análise de Correspondência: Esta é a tipificação jurídica exata. Todas as condutas listadas — negar dinheiro, usar o nome, esconder documentos, proibir de trabalhar, destruir pertences — são exemplos de violência contra o patrimônio da vítima. O encaixe é perfeito.
Conclusão: ✔️ Alternativa correta.

e) desentendimento matrimonial.
Esta é a armadilha que desarmamos. O erro é a Minimização da Violência. A lei define essas ações como violência, não como um simples desentendimento.
Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.


5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Confirmamos que a alternativa D é a correta. O texto nos educa sobre uma forma de abuso muitas vezes “invisível”, a violência patrimonial, deixando claro que o controle sobre os recursos de uma mulher é uma grave violação de seus direitos, punível pela Lei Maria da Penha.

  • Resumo-flash (A Imagem Mental): A violência patrimonial é a arte covarde de prender alguém cortando suas asas financeiras, em vez de trancar a porta da gaiola.
  • 🧠 Para ir Além (Ponte para o Futuro): O mesmo princípio de usar o controle de recursos como uma forma de poder e dominação é um conceito central em Geopolítica, especificamente no estudo de Sanções Econômicas. Quando um país ou bloco de países (como os EUA ou a União Europeia) impõe sanções a outra nação, eles estão, em essência, aplicando uma forma de “violência patrimonial” em escala macro. Eles “negam dinheiro” (congelando ativos), “proíbem de trabalhar” (impedindo o comércio em certos setores) e controlam o acesso a recursos para forçar uma mudança de comportamento no regime sancionado. A lógica de usar o poder econômico para subjugar é a mesma, seja em um relacionamento abusivo ou nas relações internacionais.

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