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Questão 58 caderno azul do ENEM 2020 PPL – Dia 1

Ordena-se pela autoridade do Parlamento, que ninguém leve, ou faça levar, para fora deste reino ou Gales, ou qualquer parte do mesmo, qualquer forma de dinheiro da moeda desse reino, ou de dinheiro e moedas de outros reinos, terras ou senhorias, nem bandejas, vasilhas, barras ou joias de ouro guarnecidas ou não, ou de prata, sem a licença do rei.

HUBERMAN, L. História da riqueza do homem. Rio de Janeiro: Zahar, 1978.

A temática exposta no texto, referente à Inglaterra dos séculos XVI e XVII, caracteriza uma associação entre

A)  determinação de regras protecionistas e fortalecimento das instituições monárquicas. 

B)  racionalização da empresa colonial e reconhecimento dos particularismos regionais.

C)  demarcação de fronteiras comerciais e descentralização dos poderes políticos.

D)  expansão das atividades extrativas e questionamento da investidura divina.

E)  difusão de práticas artesanais e aumento do controle do legislativo.

✍ Resolução Em Texto

Matérias Necessárias para a Solução da Questão:
História Geral (Idade Moderna), Absolutismo e Mercantilismo (Política Econômica).

Tema/Objetivo Geral:
Compreender a relação intrínseca entre a formação das Monarquias Nacionais e a prática econômica do Mercantilismo (especificamente o Metalismo e o Protecionismo).

Nível da Questão:
Médio.
Por que? O texto é um documento histórico com linguagem jurídica antiga. O aluno precisa conectar uma ordem econômica específica (proibição de saída de ouro) ao contexto político macro (fortalecimento do Estado Absolutista), sem se perder em detalhes sobre o Parlamento.

Gabarito:
Alternativa A.
A lei citada é uma medida econômica de proteção à riqueza nacional (protecionismo) que, ao exigir a “licença do rei”, reforça a autoridade central do monarca.


Resolução Passo a Passo

1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Decodificação do Objetivo:
A questão apresenta uma lei antiga que diz: “Ninguém pode tirar ouro, prata ou dinheiro da Inglaterra sem pedir permissão ao Rei”.
Ela quer saber: O que essa lei revela sobre a união entre Economia e Política naquela época?

Simplificação Radical (A Analogia Central):
Imagine um pai de família (o Rei) que tranca o cofre da casa e diz aos filhos: “Ninguém tira um centavo daqui sem a minha assinatura”.
Isso mostra duas coisas:

  1. Ele quer proteger o dinheiro da família (Protecionismo).
  2. Ele quer deixar claro que quem manda no dinheiro é ele (Fortalecimento da Autoridade).
    A questão quer que você encontre a alternativa que diz exatamente isso: “Proteger o dinheiro + Mandar mais”.

Nosso Plano de Ataque será o seguinte:

  1. Traduzir a lei do texto: “Proibido exportar ouro”.
  2. Identificar o nome econômico disso: Metalismo / Protecionismo.
  3. Identificar quem ganha poder com isso: O Rei (Estado Moderno).

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Precisamos da ferramenta do Mercantilismo.

Dossiê Técnico: O Estado é Rico se tiver Ouro
Nos séculos XVI e XVII, a riqueza de uma nação era medida pela quantidade de metais preciosos (ouro e prata) dentro de suas fronteiras. Isso se chamava Metalismo (ou Bullionismo na Inglaterra).

Para garantir que o ouro ficasse no país, o Estado criava regras rígidas:

  • Balança Comercial Favorável: Vender mais do que comprar.
  • Protecionismo Alfandegário: Taxar produtos estrangeiros.
  • Proibição de Saída de Metais: (O caso do texto).

A Conexão Política:
Quem aplicava essas regras? O Estado Absolutista. O Mercantilismo não existia sem um Rei forte para impor as leis e controlar a economia.


3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Vamos analisar o decreto:

  • A Ordem: “ninguém leve… para fora deste reino… qualquer forma de dinheiro… ou joias de ouro”.
    • Tradução Econômica: O objetivo é a retenção de divisas. O Estado quer acumular capital. Isso é uma regra Protecionista.
  • A Autoridade: “…sem a licença do rei”.
    • Tradução Política: O mercado não é livre. Quem decide quem pode ou não comercializar é o Monarca. Isso demonstra o Fortalecimento das Instituições Monárquicas (o Rei controlando a vida privada e econômica).

Raciocínio Investigativo:
O texto une o útil (ficar rico acumulando ouro) ao agradável (o rei ter o controle total). É o casamento perfeito do Antigo Regime: Estado forte e Economia controlada.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
Focar na palavra “Parlamento”.
O texto começa dizendo “Ordena-se pela autoridade do Parlamento”. Alguns alunos podem pensar que a resposta tem a ver com “democracia” ou “controle legislativo” (Alternativa E).
CUIDADO! Nos séculos XVI e XVII, mesmo com o Parlamento, a figura central da execução e da concessão de licenças (“sem a licença do rei”) ainda era a Coroa. Além disso, a alternativa E fala de “práticas artesanais”, o que foge totalmente do tema “ouro e dinheiro”. O foco é a medida econômica, não a briga Parlamento x Rei.

A Bússola (Expectativa):
Procuramos uma alternativa que junte Economia Fechada/Protegida + Poder Real Centralizado.


4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

Vamos examinar as opções:

A) determinação de regras protecionistas e fortalecimento das instituições monárquicas.

  • Análise: Perfeito.
    • “Regras protecionistas”: Proibir a saída de ouro protege a economia nacional (evita evasão de divisas).
    • “Fortalecimento monárquico”: Ao exigir a “licença do rei”, o monarca se reafirma como o juiz supremo da economia.
  • Conclusão: 🟢 Alternativa correta.

B) racionalização da empresa colonial e reconhecimento dos particularismos regionais.

  • Análise: O texto fala do “reino ou Gales”, tratando o território como uma unidade, não focando em particularismos (diferenças regionais). Além disso, o texto foca na circulação monetária interna/externa, não na gestão das colônias especificamente.
  • Diagnóstico do Erro: Fuga ao tema (foco errado em colônia e regionalismo).
  • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

C) demarcação de fronteiras comerciais e descentralização dos poderes políticos.

  • Análise: “Descentralização” é o oposto do que acontecia. O Estado Moderno é marcado pela Centralização do poder nas mãos do Rei. Se o rei tem que dar licença, o poder está centralizado nele, não espalhado.
  • Diagnóstico do Erro: Conceito histórico oposto (Descentralização vs. Centralização Absolutista).
  • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

D) expansão das atividades extrativas e questionamento da investidura divina.

  • Análise: O texto não fala de extrair ouro (mineração), mas de não deixar o ouro sair. E, principalmente, não há questionamento do poder divino. Pelo contrário, a autoridade do rei está sendo imposta e respeitada como condição para o comércio.
  • Diagnóstico do Erro: Leitura equivocada do contexto político.
  • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

E) difusão de práticas artesanais e aumento do controle do legislativo.

  • Análise: O texto cita o Parlamento, mas o objeto da lei é “dinheiro e ouro”, não “práticas artesanais”. Além disso, a condição final é a “licença do rei”, o que mostra que o Executivo (Monarca) tinha a palavra final na prática diária, não apenas o Legislativo.
  • Diagnóstico do Erro: Fuga ao tema (artesanato) e interpretação parcial da política.
  • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Frase de Fechamento:
No Mercantilismo, a economia não servia ao indivíduo, mas ao poderio do Estado: acumular ouro (protecionismo) era a estratégia vital para financiar exércitos e sustentar o absolutismo monárquico.

Resumo-flash (A Imagem Mental):
👑🔒 O Rei é o Porteiro: O Reino é um cofre gigante, e a chave do portão fica no bolso do Rei. Nada sai sem ele saber.

🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
Conecte isso com a Guerra Comercial EUA x China hoje.
Quando um país taxa produtos do outro ou controla o câmbio para proteger sua indústria, ele está usando uma versão moderna do Protecionismo. A lógica é a mesma de 400 anos atrás: “Proteger o meu para ficar mais forte que o vizinho”.

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