Princípios práticos são subjetivos, ou máximas, quando a condição é considerada pelo sujeito como verdadeira só para a sua vontade; são, por outro lado, objetivos, quando a condição é válida para a vontade de todo ser natural.
KANT, I. Crítica da razão prática. Lisboa: Edições 70, 2008.
A concepção ética presente no texto defende a:
A) universalidade do dever.
B) maximização da utilidade.
C) aprovação pelo sentimento.
D) identificação da justa medida.
E) obediência à determinação divina.

Resolução em Texto
📚 Matérias Necessárias para a Solução da Questão
- Filosofia Moderna (Iluminismo)
- Ética Deontológica (Ética Kantiana)
- Conceitos de Imperativo Categórico e Universalidade
🎯 Tema/Objetivo Geral: Compreender o conceito de universalidade do dever na ética de Immanuel Kant, diferenciando máximas subjetivas de leis morais objetivas.
📊 Nível da Questão: Difícil.
Por quê? A questão exige a interpretação de um trecho denso da obra de Kant, um dos filósofos mais complexos da história. É preciso não apenas decodificar o vocabulário (“máximas”, “princípios objetivos”), mas também ter um conhecimento prévio da base de sua filosofia moral (o imperativo categórico) para entender que ele está defendendo a universalidade como critério da moral.
✅ Gabarito: Alternativa A.
Resumo: O texto de Kant estabelece que um princípio moral verdadeiro (objetivo) deve ser válido para todos, e não apenas para um indivíduo. Essa exigência de validade universal é o cerne da sua ideia de dever moral.
Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo
Transcrição Essencial 📌
“A concepção ética presente no texto defende a”
O que está sendo pedido?
A questão pede para identificarmos o princípio central da ética de Kant, com base na distinção que ele faz entre regras que são meramente pessoais e regras que devem valer para todo mundo.
Objetivo Cristalino 💎
Nosso objetivo é decifrar o que Kant quer dizer com “princípios objetivos” e encontrar a alternativa que nomeia esse conceito fundamental de sua filosofia moral.
🧠 Uma mentira para “salvar a pele” pode parecer uma boa regra para você em um momento, mas você acreditaria que “todos devem mentir sempre que for conveniente” é uma boa regra para a humanidade inteira? A reflexão por trás dessa pergunta é a chave para entender o pensamento de Kant.
Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdo Necessários
Definição de Termos 🔖
- Máxima (ou Princípio Subjetivo): Na filosofia de Kant, é uma regra pessoal, um princípio de ação que um indivíduo adota para si mesmo. É válida “só para a sua vontade”.
- Exemplo: “Vou estudar três horas por dia para passar no vestibular”. Essa é uma máxima sua, não uma lei moral para todos.
- Lei Moral (ou Princípio Objetivo): É um princípio que, segundo Kant, deve ser válido para a vontade de “todo ser racional”. Não é pessoal, mas universal. Para ser moral, uma ação deve ser guiada por um princípio que possa valer para todos, sem exceção.
- Dever: Para Kant, a ação moral é aquela feita por dever, ou seja, por respeito à lei moral, e não por interesse, inclinação ou para obter boas consequências. Agimos de certa forma simplesmente porque é o correto a se fazer.
- Universalidade: É o critério fundamental para saber se uma máxima é uma lei moral. Para isso, Kant propõe um teste (conhecido como Imperativo Categórico): “Aja de tal forma que a máxima de sua ação possa se tornar uma lei universal”. Se sua regra pessoal puder ser aplicada a todos sem gerar uma contradição, então ela é moralmente válida.
Passo 3: Tradução e Interpretação do Problema
Contextualização Simplificada 💬
Kant, nesse pequeno trecho, está basicamente separando as regras de conduta em dois times.
- Time 1: “As Minhas Regras Pessoais” (Máximas). São as regras que eu crio para mim mesmo, como “vou evitar doces para ser mais saudável”. Elas são subjetivas.
- Time 2: “As Regras do Jogo da Humanidade” (Leis Morais). Essas são as regras que, para serem consideradas éticas de verdade, têm que funcionar para todo mundo, em qualquer lugar, o tempo todo. Elas são objetivas.
Kant está dizendo que a verdadeira moralidade está no “Time 2”. A questão é: qual é a ideia principal por trás desse time de regras que valem para todos? A ideia é a da universalidade.
Estratégia Geral 🗺️
Vamos analisar a distinção feita por Kant, entender por que ele valoriza tanto os “princípios objetivos” e, em seguida, verificar qual alternativa corresponde a esse ideal de uma lei moral válida para todos, sem exceção.
Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio
Passo a Passo Detalhado 👣
- A Distinção Fundamental: O texto opõe o que é “subjetivo” (válido só para mim) ao que é “objetivo” (válido para todos).
- O Projeto Kantiano: Kant queria encontrar um fundamento para a ética que não dependesse de sentimentos (que são variáveis), de consequências (que são incertas) ou de Deus (pois a filosofia deve se basear na razão). A única base sólida seria a própria razão humana.
- O Critério da Razão: O que a razão pura pode nos dar como critério? Um princípio que qualquer ser racional, em qualquer lugar, teria que aceitar. Esse princípio é a universalidade.
- O Teste da Universalização: Considere a máxima “posso fazer uma promessa falsa se isso me tirar de uma dificuldade”. Se universalizarmos essa regra (“todos podem fazer promessas falsas quando lhes for conveniente”), o próprio conceito de “promessa” seria destruído. Ninguém mais acreditaria em promessas. A regra se autocontradiz. Portanto, ela não é moral.
- A Conclusão: A moralidade, para Kant, reside em seguir um dever que é determinado por uma lei universal, que a própria razão descobre.
A Armadilha Comum 🚨
A maior armadilha aqui é confundir a ética de Kant com outras teorias éticas famosas. As alternativas são exemplos perfeitos disso:
- A alternativa (B) descreve o Utilitarismo.
- A alternativa (C) descreve a ética de David Hume.
- A alternativa (D) descreve a ética de Aristóteles.
- A alternativa (E) descreve a ética de fundamento teológico.
Kant se opõe a todas elas. É crucial saber que a marca registrada de Kant é a universalidade do dever baseado na razão.
Fechamento e Expectativa
O raciocínio nos leva a procurar a alternativa que fale sobre uma lei moral que se aplica a todos, sem exceção, como um dever.
Passo 5: Análise das Alternativas
🟢 A) universalidade do dever.
Correta. É exatamente o que Kant defende. A moralidade de uma ação é determinada se a regra por trás dela (a máxima) pode ser universalizada como um dever para todos os seres racionais.
🔴 B) maximização da utilidade.
Incorreta. Esta é a base do Utilitarismo (de Jeremy Bentham e John Stuart Mill), que julga a moralidade de uma ação por suas consequências, buscando “o maior bem para o maior número”. Kant rejeita radicalmente as consequências como critério moral.
🔴 C) aprovação pelo sentimento.
Incorreta. Esta é a visão de filósofos empiristas como David Hume, para quem a moral se baseia em sentimentos como a empatia. Kant argumenta que sentimentos são subjetivos e variáveis, portanto, não podem servir de base para uma lei moral universal.
🔴 D) identificação da justa medida.
Incorreta. Este é o conceito central da ética da virtude de Aristóteles, que define a virtude como o “meio-termo” (a justa medida) entre dois extremos viciosos (por exemplo, a coragem é o meio-termo entre a covardia e a temeridade). A ética de Kant não é sobre encontrar um equilíbrio, mas sobre seguir uma regra absoluta.
🔴 E) obediência à determinação divina.
Incorreta. Embora Kant fosse pessoalmente religioso, sua filosofia moral busca se fundamentar unicamente na razão autônoma, não em mandamentos revelados. Para ele, a moral não deve ser heterônoma (determinada por uma fonte externa, como Deus), mas autônoma (determinada pela própria razão do indivíduo).
Passo 6: Conclusão e Justificativa Final
Resumo do Raciocínio 📝
Kant estabelece uma distinção clara entre regras pessoais (máximas) e leis morais objetivas. Para ele, uma lei moral só é genuína se puder ser aplicada universalmente a todos os seres racionais, como um dever que emana da própria razão. Essa exigência de validade para todos, sem exceção, constitui o princípio da universalidade do dever.
Gabarito Reafirmado 🏅
A alternativa correta é a A.
Resumo Final para Revisão 🔍
Para Kant, antes de agir, pergunte-se: “E se todo mundo fizesse isso?”. Se a resposta levar a uma contradição ou a um mundo irracional, a ação é imoral. A moralidade está na universalidade da regra, não no resultado da ação.

