Questão 49 caderno azul ENEM 2008

A figura abaixo apresenta dados percentuais que integram os Indicadores Básicos para a Saúde, relativos às principais causas de mortalidade de pessoas do sexo masculino.

Com base nos dados, conclui-se que

a) a proporção de mortes por doenças isquêmicas do coração é maior na faixa etária de 30 a 59 anos que na faixa etária dos 60 anos ou mais.

b) pelo menos 50% das mortes na faixa etária de 15 a 29 anos ocorrem por agressões ou por causas externas de intenção indeterminada.

c) as doenças do aparelho circulatório causam, na faixa etária de 60 anos ou mais, menor número de mortes que as doenças do aparelho respiratório.

d) uma campanha educativa contra o consumo excessivo de bebidas alcoólicas teria menor impacto nos indicadores de mortalidade relativos às faixas etárias de 15 a 59 anos que na faixa etária de 60 anos ou mais.

e) o Ministério da Saúde deve atuar preferencialmente no combate e na prevenção de doenças do aparelho respiratório dos indivíduos na faixa etária de 15 a 59 anos.

  • Matérias Necessárias para a Solução da Questão:
    • Interpretação de Gráficos de Barras
    • Análise Comparativa de Dados Percentuais
    • Raciocínio Lógico
  • Tema/Objetivo Geral: Analisar dados estatísticos de mortalidade por faixa etária para validar ou refutar conclusões sobre saúde pública e distribuição de riscos.
  • Nível da Questão: Fácil.
    • Detalhe: A questão é classificada como fácil, pois requer apenas a leitura direta dos valores no gráfico e a realização de comparações ou somas simples para verificar cada uma das afirmativas.
  • Gabarito:Letra B
    • Explicação: A alternativa B está correta porque a soma das mortes por agressões (M1, aprox. 53%) e por causas externas de intenção indeterminada (M3, aprox. 5%) na faixa de 15 a 29 anos ultrapassa os 50%.

1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

  • Decodificação do Objetivo: A missão é atuar como um perito em estatística. Temos um gráfico com as principais causas de morte para homens em diferentes idades. Precisamos analisar cinco afirmações e determinar qual delas é uma conclusão verdadeira e defensável, baseada exclusivamente nos dados do gráfico.
  • Simplificação Radical (A Analogia Central): Pense no gráfico como o relatório de um legista sobre as mortes em uma cidade. As alternativas são cinco manchetes de jornal. Quatro manchetes são sensacionalistas ou simplesmente erradas. O verdadeiro desafio é ser o detetive meticuloso que lê o relatório com atenção e aponta qual é a única manchete que reflete a verdade dos fatos.
  • Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação): Nosso método será um interrogatório sistemático, uma alternativa de cada vez.
    1. Isolar a Afirmação: Ler a alternativa e entender exatamente o que ela está comparando ou somando.
    2. Localizar as Evidências: Encontrar as barras correspondentes no gráfico (ex: M6 na faixa de 30-59 vs. M6 na faixa de 60+).
    3. Analisar os Dados: Ler os valores percentuais aproximados no eixo vertical.
    4. Dar o Veredito: Com base na análise, declarar a afirmação como “verdadeira” ou “falsa”.

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Para este caso de verificação de fatos, nossa ferramenta principal é a Precisão na Leitura de Dados. Vamos criar um dossiê com o procedimento de análise.

  • DOSSIÊ DO CASO: Procedimento de Verificação Factual
    • Passo 1: Decodificar a Causa.

       Usar a legenda para traduzir o código (ex: M6) no seu significado (“doenças isquêmicas do coração”).

    • Passo 2: Localizar a Faixa Etária.

       Encontrar a coluna correta no gráfico (15 a 29, 30 a 59, ou 60 ou mais).

    • Passo 3: Estimar a Porcentagem.

       Olhar a altura da barra e compará-la com o eixo Y da esquerda. Seja conservador, mas preciso.

    • Passo 4: Realizar a Operação.

       Fazer a comparação (“maior que”, “menor que”) ou a soma solicitada pela alternativa.

    • Passo 5: Confrontar e Concluir.

       Comparar o resultado da sua operação com o que a alternativa afirma.


3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Vamos executar nosso plano e submeter cada alternativa ao procedimento.

  • Análise das Afirmativas:
    • Afirmativa A:a proporção de mortes por doenças isquêmicas do coração (M6) é maior na faixa de 30 a 59 anos que na faixa dos 60 anos ou mais.
      • Evidências: M6 (30-59) ≈ 10%. M6 (60+) ≈ 18%.
      • Veredito: 10% não é maior que 18%. INCORRETA.
  • Afirmativa B:pelo menos 50% das mortes na faixa etária de 15 a 29 anos ocorrem por agressões (M1) ou por causas externas de intenção indeterminada (M3).
    • Evidências: M1 (15-29) está visivelmente acima da linha de 45%, chegando talvez a 53%. M3 (15-29) está na linha de 5%.
    • Cálculo: 53% + 5% = 58%.
    • Veredito: 58% é, de fato, “pelo menos 50%”. CORRETA.
  • Afirmativa C:as doenças do aparelho circulatório (M6, M8, M9) causam […] menor número de mortes que as do aparelho respiratório (M10, M11).
    • Evidências (60+): Circulatório (M8 ≈ 19% + M6 ≈ 18% + M9 ≈ 9%) ≈ 46%. Respiratório (M10 ≈ 10% + M11 ≈ 7%) ≈ 17%.
    • Veredito: 46% não é menor que 17%. INCORRETA.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO! A armadilha mais comum é a “impressão visual”. Ao olhar para o conjunto de barras, o candidato pode fazer um julgamento rápido sem somar os valores. As três barras de doenças circulatórias, quando somadas, representam quase metade das mortes na faixa dos 60+, um valor muito superior às duas barras de doenças respiratórias. Confiar na impressão em vez de fazer a conta rápida é um erro fatal.

  • A Bússola (O Perfil do Culpado):
    • Síntese do raciocínio: Após uma análise numérica de cada afirmação, apenas a B se sustenta. As outras contêm comparações ou conclusões factualmente erradas com base nos dados do gráfico.
    • Expectativa: A alternativa correta deve ser a B.

4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

  • Alternativa A: …proporção de M6 é maior em 30-59 que 60+.
    • A “Narrativa do Erro”: Leitura apressada ou inversão da comparação.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Contradição Direta com os Dados. O gráfico mostra o oposto.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • Alternativa B: …pelo menos 50% das mortes em 15-29 são por M1 ou M3.
    • Análise de Correspondência: Corresponde perfeitamente à nossa análise. M1 (sozinho) já se aproxima ou ultrapassa 50%, e com M3, a soma passa confortavelmente desse valor.
    • Conclusão: ✔️ Alternativa correta.
  • Alternativa C: …circulatórias (60+) < respiratórias (60+).
    • A “Narrativa do Erro”: Leitura visual superficial, sem somar as barras de cada grupo.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Contradição Direta com os Dados. A soma das doenças circulatórias é quase o triplo das respiratórias.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • Alternativa D: …campanha sobre álcool teria menor impacto em 15-59 que em 60+.
    • A “Narrativa do Erro”: Uma falha completa em conectar a causa (álcool) com seus efeitos mais prováveis (causas externas).
    • O “Diagnóstico do Erro”: Contradição Lógica. O impacto seria drasticamente maior nos mais jovens, onde as causas externas (M1, M2) dominam.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • Alternativa E: …Ministério da Saúde deve atuar em doenças respiratórias em 15-59.
    • A “Narrativa do Erro”: O candidato não percebeu a ausência de dados.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Conclusão Baseada em Dados Inexistentes. O gráfico mostra 0% de mortalidade por doenças respiratórias (M10, M11) nas faixas de 15 a 59 anos. Seria a menor das prioridades com base nestes dados.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

  • Frase de Fechamento: Confirmamos que a alternativa B é a única conclusão factualmente correta, baseada em uma leitura e soma cuidadosa dos dados do gráfico, enquanto a alternativa E, o gabarito sugerido, é refutada pelos próprios dados.
  • Resumo-flash (A Imagem Mental): “Para ler estatísticas, seja um contador, não um vidente. Some as barras, e a verdade aparece.”
  • 🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro): A análise que fizemos é a base da Epidemiologia, a ciência que estuda os padrões de saúde e doença nas populações. Um epidemiologista olha para um gráfico como este e identifica os maiores problemas para cada grupo (neste caso, a violência entre os jovens e as doenças cardíacas entre os idosos). Esse diagnóstico é fundamental para o campo da Gestão em Saúde Pública, que usa esses dados para decidir onde alocar recursos: campanhas de prevenção da violência para jovens, programas de controle do colesterol para idosos, políticas de segurança no trânsito, etc. O que fizemos aqui é o primeiro passo para tomar decisões que podem salvar milhões de vidas.

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