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Questão 39, caderno azul do ENEM 2013

Questão 039 - ENEM 2013 -

A charge ironiza a política desenvolvimentista do governo Juscelino Kubitschek, ao:

A) evidenciar que o incremento da malha viária diminuiu as desigualdades regionais do país.

B) destacar que a modernização das indústrias dinamizou a produção de alimentos para o mercado interno.

C) enfatizar que o crescimento econômico implicou aumento das contradições socioespaciais.

D) ressaltar que o investimento no setor de bens duráveis incrementou os salários de trabalhadores.

E) mostrar que a ocupação de regiões interioranas abriu frentes de trabalho para a população local.

Resolução em Texto

📚 Matérias Necessárias para a Solução da Questão: História do Brasil – República; Economia e Política do Governo JK; Cultura e crítica social

📝 Tema/Objetivo Geral: Analisar a crítica às desigualdades sociais durante o processo de modernização no governo Juscelino Kubitschek

📊 Nível da Questão: Médio — exige leitura de imagem e articulação entre desenvolvimento econômico e crítica social

🎯 Gabarito: C


Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo

📌 A questão apresenta uma charge que contrapõe o discurso desenvolvimentista de Juscelino Kubitschek (JK) com a figura do Jeca Tatu, símbolo do homem pobre do campo, faminto e excluído.

🧠 O que está sendo pedido? Identificar a crítica expressa na charge em relação ao projeto desenvolvimentista de JK, o chamado Plano de Metas.

🎯 Objetivo cristalino: Compreender que a imagem ironiza o contraste entre o crescimento industrial e a permanência da fome e miséria entre os brasileiros pobres.

👁 Se o Brasil estava se modernizando com automóveis, estradas e gasolina… por que o Jeca ainda está pedindo feijão?


Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários

🚗 O Plano de Metas (1956–1961), de JK, tinha como slogan “cinquenta anos em cinco” e focava em áreas como indústria, transporte e energia.

💸 Grande parte dos investimentos foi direcionada para a instalação de multinacionais, ampliação da malha rodoviária e estímulo ao setor automobilístico — com pouco foco nas questões sociais, como combate à fome e melhoria das condições de vida da população pobre.

🌾 A figura do Jeca Tatu, criada por Monteiro Lobato, representa o homem do campo pobre, doente e marginalizado, símbolo das mazelas sociais brasileiras — especialmente em contraposição aos avanços técnicos urbanos.

⚠️ A charge evidencia uma contradição: enquanto o país exibe progresso tecnológico, parte da população ainda sofre com necessidades básicas.


Passo 3: Interpretação do Texto e Desenvolvimento do Raciocínio

🗣️ JK, na charge, se gaba dos feitos industriais e rodoviários de seu governo: automóveis, estradas e gasolina brasileiros. Mas o Jeca responde com ironia e necessidade: “Um prato de feijão brasileiro, seu dotô!”, denunciando a ausência de progresso social real.

💬 A crítica, portanto, está em mostrar que o desenvolvimento econômico não atingiu igualmente todas as camadas da sociedade — e que a modernização beneficiava principalmente setores urbanos e industriais, deixando os mais pobres à margem.

📉 Isso reflete o que chamamos de crescimento com exclusão, ou seja, uma economia que cresce sem redistribuir benefícios.


Passo 4: Análise das Alternativas e Resolução

A) Evidenciar que o incremento da malha viária diminuiu as desigualdades regionais do país.
❌ Errada. A charge não mostra diminuição de desigualdades, mas sim a persistência da miséria.

B) Destacar que a modernização das indústrias dinamizou a produção de alimentos para o mercado interno.
❌ Incorreta. Pelo contrário: a fala do Jeca mostra falta de acesso a alimentos básicos, como o feijão.

C) Enfatizar que o crescimento econômico implicou aumento das contradições socioespaciais.
Correta. A charge mostra como o progresso urbano-industrial coexistia com fome e pobreza rural, reforçando as contradições do desenvolvimento brasileiro.

D) Ressaltar que o investimento no setor de bens duráveis incrementou os salários de trabalhadores.
❌ Errada. Não há qualquer menção a salários ou melhora de vida dos trabalhadores.

E) Mostrar que a ocupação de regiões interioranas abriu frentes de trabalho para a população local.
❌ Incorreta. A imagem do Jeca faminto desmente qualquer melhoria no interior.


Passo 5: Conclusão e Justificativa Final

📌 A charge evidencia que, apesar do discurso otimista sobre progresso técnico e industrial, o Brasil de JK ainda era marcado por profundas desigualdades sociais e regionais. O desenvolvimento favoreceu setores urbanos e industriais, enquanto parte da população seguia marginalizada e sem acesso ao básico.

✅ Por isso, a alternativa correta é a letra C.

🔍 Resumo Final:
A charge ironiza o projeto de JK ao mostrar que o progresso técnico e industrial não eliminou a fome e a miséria. O contraste entre o discurso oficial e a realidade do povo denuncia o crescimento econômico sem equidade social, ou seja, o aumento das contradições socioespaciais — alternativa C.

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