Como a solidão pode comprometer a sua saúde
Segundo estudo, solitários têm risco 39% maior de apresentar sintomas mais intensos de um resfriado. Ter muitos amigos nas redes sociais não diminui o risco.
Você se sente sozinho? Uma nova pesquisa, publicada na revista Health Psychology, sugere que seu nível de solidão pode impactar diretamente na gravidade e na resposta do organismo a uma doença.
Para o atual estudo, os pesquisadores avaliaram níveis de solidão de 159 pessoas, entre 18 e 55 anos, além da quantidade de amigos que elas tinham nas redes sociais. Depois, os voluntários receberam, por via nasal, doses iguais de vírus de resfriado comum. Eles, então, ficaram isolados por cinco dias em um hotel para que os sintomas manifestados fossem avaliados pelos especialistas.
Todas as pessoas que participaram do estudo tiveram a mesma chance de ficar doentes, mas aquelas que relataram sentir-se mais solitárias manifestaram sintomas de resfriado, como dor de garganta, espirro e coriza, mais graves do que as que não se sentiam sozinhas. Segundo os resultados, os participantes solitários apresentaram uma probabilidade 39% maior para os sintomas mais agudos.
Disponível em: http://veja.abril.com.br. Acesso em: 1 dez. 2017 (adaptado).
Nessa reportagem, a referência à pesquisa é acionada como uma estratégia argumentativa para
A) promover o estudo sobre as consequências da solidão.
B) questionar o número de participantes envolvidos no estudo.
C) demonstrar a opinião de cientistas sobre as reações ao vírus.
D) comparar os impactos da solidão entre solitários e não solitários.
E) embasar o debate sobre os riscos da solidão para a saúde humana.

✍ Resolução Em Texto
Matérias Necessárias: Interpretação de Texto, Estratégias Argumentativas (Tipos de Argumento) e Gêneros Jornalísticos.
Tema/Objetivo Geral: Compreender a função de dados científicos e citações de autoridade dentro de um texto informativo/argumentativo.
Nível da Questão: Fácil/Médio.
Por que? O texto é claro, mas a questão exige que o aluno diferencie o conteúdo do estudo (o que ele diz) da função do estudo no texto (para que ele serve). É uma questão sobre a “intencionalidade” do autor.
Gabarito: Alternativa E.
A pesquisa entra como um “Argumento de Prova Concreta”, dando sustentação científica para a afirmação de que a solidão faz mal à saúde.
Resolução Passo a Passo
1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)
Decodificação do Objetivo:
A questão quer saber POR QUE o jornalista citou uma pesquisa científica. Qual é a utilidade desse dado estatístico na construção do texto?
Simplificação Radical (A Analogia Central):
Imagine um advogado num tribunal.
Ele diz: “Meu cliente é inocente!” (Isso é uma afirmação).
O juiz pergunta: “Como você prova isso?”
O advogado mostra um vídeo de segurança. (Isso é a prova).
Neste texto, a afirmação é “A solidão faz mal”. A pesquisa científica é o “vídeo de segurança”. Ela serve para provar que o autor não está inventando nada.
Nosso Plano de Ataque será o seguinte:
- Identificar a tese do texto (O que ele afirma?).
- Identificar o papel da pesquisa (Ela contraria a tese? Ela explica? Ela prova?).
- Buscar a alternativa que use verbos como “sustentar”, “validar” ou “embasar”.
2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)
Precisamos da ferramenta das Estratégias Argumentativas.
Quando escrevemos um texto, usamos “pilares” para segurar nossas ideias. Os principais são:
- Argumento de Autoridade: “Segundo o especialista X…”
- Argumento de Prova Concreta: “Segundo a pesquisa Y, 39% das pessoas…” (É o caso desta questão).
- Argumento de Exemplificação: “Por exemplo, o caso de João…”
Fluxograma da Credibilidade:
Afirmação (Tese) ➔ Dúvida do Leitor (“Será verdade?”) ➔ Inserção da Pesquisa (Prova) ➔ Validação do Argumento (Embasamento).
3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)
Vamos analisar a estrutura da reportagem:
- Título/Lide: “Como a solidão pode comprometer a sua saúde”. (Esta é a premissa).
- Corpo do texto: Cita a revista Health Psychology, detalha o método (159 pessoas, vírus nasal, isolamento) e traz o número mágico (risco 39% maior).
Raciocínio Investigativo:
O autor não citou a pesquisa para fazer propaganda da revista ou para criticar o método. Ele citou para dizer: “Olha, não sou eu que estou dizendo que solidão mata; é a CIÊNCIA”.
A função é dar peso de verdade ao texto. Sem a pesquisa, o texto seria apenas uma opinião ou um “achismo”. Com a pesquisa, vira um fato embasado.
🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
Confundir “O que a pesquisa faz” com “Por que o texto usa a pesquisa”.
A pesquisa compara solitários e não solitários (Alternativa D). Isso é verdade dentro da pesquisa. Mas o texto usa a pesquisa para algo maior: para validar o debate sobre saúde. A questão pergunta sobre a estratégia da reportagem, não sobre a metodologia interna do estudo.
A Bússola (Expectativa):
Procuramos uma alternativa que fale sobre “dar base”, “fundamentar”, “sustentar” ou “embasar” a discussão.
4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)
Vamos examinar as opções:
A) promover o estudo sobre as consequências da solidão.
- Análise: “Promover” significa fazer publicidade ou divulgar para tornar famoso. O objetivo de uma reportagem de saúde não é vender o estudo científico, mas usar o estudo para informar o público sobre um risco.
- Diagnóstico do Erro: Confusão de finalidade (Informar vs. Publicitar).
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
B) questionar o número de participantes envolvidos no estudo.
- Análise: O texto apenas relata que foram 159 pessoas. Em nenhum momento o autor diz “foram poucas pessoas” ou “a amostra é insuficiente”. Não há crítica ou questionamento, apenas exposição.
- Diagnóstico do Erro: Extrapolação (ver crítica onde não há).
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
C) demonstrar a opinião de cientistas sobre as reações ao vírus.
- Análise: O texto apresenta resultados estatísticos (39% maior risco), não apenas “opiniões” subjetivas. Além disso, o foco não é a reação ao vírus em si (virologia), mas a conexão entre essa reação e a solidão (psicologia/saúde social).
- Diagnóstico do Erro: Reducionismo (tratar dados como opinião).
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
D) comparar os impactos da solidão entre solitários e não solitários.
- Análise: Cuidado! O estudo faz essa comparação? Sim. Mas a referência à pesquisa no texto serve apenas para isso? Não. A comparação é o meio, não o fim. O objetivo final de citar a pesquisa é provar que a solidão é perigosa. A alternativa D descreve o método do estudo, a E descreve a função da citação no texto.
- Diagnóstico do Erro: Descrição da parte (o método), não do todo (a estratégia argumentativa).
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
E) embasar o debate sobre os riscos da solidão para a saúde humana.
- Análise: Perfeita. “Embasar” significa dar base, fundamento. O texto levanta um debate (“Solidão faz mal?”) e usa a pesquisa como a base sólida (o cimento) para construir essa afirmação. É a função clássica do argumento de prova concreta.
- Conclusão: 🟢 Alternativa correta.
5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)
Frase de Fechamento:
Em textos dissertativos e jornalísticos, dados estatísticos e pesquisas não são enfeites; eles são as fundações de concreto que transformam uma opinião frágil em um argumento inabalável.
Resumo-flash (A Imagem Mental):
🏗️ A Casa da Verdade: A opinião é o telhado, mas a pesquisa científica é o alicerce. Sem alicerce (embasamento), o teto cai.
🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
Isso é vital para a sua Redação do Enem. Quando você cita um dado do IBGE ou uma frase de um filósofo, você está fazendo exatamente o que esse jornalista fez: “Embasando o debate”. Você deixa de ser um estudante dando opinião e passa a ser um autor argumentando com autoridade.