Questão 34 caderno azul ENEM 2008

O gráfico ao lado modela a distância percorrida, em km, por uma pessoa em certo período de tempo. A escala de tempo a ser adotada para o eixo das abscissas depende da maneira como essa pessoa se desloca.

Qual é a opção que apresenta a melhor associação entre meio ou forma de locomoção e unidade de tempo, quando são percorridos 10 km?

a) carroça – semana

b) carro – dia

c) caminhada – hora

d) bicicleta – minuto

e) avião – segundo 

  • Matérias Necessárias para a Solução da Questão:
    • Interpretação de Gráficos (Plano Cartesiano)
    • Conceito de Velocidade Média (Física)
    • Raciocínio Lógico e Senso Crítico (Noções de Grandeza)
  • Tema/Objetivo Geral: Correlacionar um modelo matemático (o gráfico de distância por tempo) com um cenário plausível do mundo real, avaliando a compatibilidade entre meio de locomoção, distância e tempo.
  • Nível da Questão: Médio.
    • Detalhe: Embora não exija cálculos complexos, a questão é classificada como média por sua natureza conceitual. Ela demanda que o candidato traduza os dados do gráfico em uma grandeza física (velocidade) e, em seguida, use seu conhecimento de mundo e senso de escala para julgar a razoabilidade de cada alternativa, um processo mais abstrato do que uma simples aplicação de fórmula.
  • Gabarito:Letra C
    • Explicação: A alternativa é a única que apresenta uma velocidade compatível com a realidade, pois percorrer 10 km em 2 horas resulta em uma velocidade média de 5 km/h, que é a velocidade típica de uma caminhada.

1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

  • Decodificação do Objetivo: O gráfico nos mostra uma jornada de 10 km que dura 2 “unidades de tempo”. A missão é descobrir qual combinação de “meio de transporte” e “unidade de tempo” (hora, dia, minuto) torna essa jornada realista.
  • Simplificação Radical (A Analogia Central): Pense que encontramos um diário de viagem antigo. A única página legível diz: “Parti do ponto A e, após 2 [palavra borrada], cheguei ao ponto B, a 10 km de distância.” Nós somos os detetives que precisam preencher a palavra borrada. Foi uma caminhada de 2 horas? Uma viagem de carroça de 2 semanas? O verdadeiro desafio aqui é calcular a “velocidade da viagem” para descobrir qual cenário faz sentido.
  • Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação): Nosso plano será focado em encontrar a pista crucial.
    1. Extrair a Evidência do Gráfico: Primeiro, vamos ler o gráfico para determinar a distância percorrida e o tempo gasto (em unidades genéricas).
    2. Calcular a Velocidade do Viajante: Vamos usar a fórmula da velocidade média (Distância / Tempo) para encontrar a velocidade do nosso “viajante misterioso”.
    3. Confrontar os Suspeitos: Por fim, vamos testar cada alternativa, substituindo a “unidade de tempo” genérica e verificando se a velocidade calculada é compatível com o meio de locomoção proposto.

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

A ferramenta mais poderosa para este caso é a Tabela de Análise de Plausibilidade. Ela nos permite organizar os “suspeitos” (as alternativas) e confrontá-los com a evidência principal: a velocidade.

  • A Pista Central: O Cálculo da Velocidade
    • Do gráfico, temos: Distância (d) = 10 km
    • Do gráfico, temos: Tempo (t) = 2 unidades
    • Fórmula da Velocidade: v = d / t
    • Velocidade do Mistério: v = 10 km / 2 unidades = 5 km por unidade de tempo

Agora, vamos usar essa velocidade de “5 km/unidade” para interrogar cada alternativa na nossa tabela.

Alternativa (Suspeito) Unidade de Tempo (A “palavra borrada”) Cálculo da Velocidade (Modus Operandi) Análise de Plausibilidade (Veredito do Detetive)
A) Carroça Semana v = 5 km/semana 🐢 Extremamente Lento. Uma carroça, embora não seja rápida, se moveria mais do que isso. É implausível.
B) Carro Dia v = 5 km/dia 🐌 Absurdamente Lento. Um carro que leva um dia inteiro para andar 5 km está quebrado. Totalmente implausível.
C) Caminhada Hora v = 5 km/hora 👍 Perfeitamente Plausível. 5 km/h é a velocidade média clássica de uma pessoa caminhando em ritmo normal.
D) Bicicleta Minuto v = 5 km/minuto (ou 300 km/h) 🚀 Absurdamente Rápido. 300 km/h é a velocidade de um trem-bala, não de uma bicicleta. Totalmente implausível.
E) Avião Segundo v = 5 km/segundo (ou 18.000 km/h) ☄️ Hypersônico. Esta velocidade é várias vezes a de um caça a jato. Totalmente implausível.

3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Nossa tabela já resolveu o mistério, mas vamos formalizar o raciocínio.

  • Execução do Plano: O coração do problema é a relação entre distância e tempo, que define a velocidade. Ao calcular a velocidade como 5 km por [unidade de tempo], nós criamos um “filtro da realidade”. A tarefa agora é passar cada alternativa por esse filtro.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO! O erro mais comum aqui é analisar a distância e o tempo de forma isolada, sem conectá-los pela velocidade. Por exemplo, pensar “10 km é uma distância que uma bicicleta percorre” e “minutos é uma unidade de tempo comum” e se sentir tentado pela alternativa D. A armadilha é esquecer de fazer a pergunta crucial: “Mas uma bicicleta percorre 10 km em APENAS 2 minutos?”. A relação entre os números é a chave, não os números sozinhos.

  • A Bússola (O Perfil do Culpado):
    • Síntese do raciocínio: Calculamos a velocidade implícita no gráfico (5 km por unidade de tempo). Em seguida, avaliamos cada alternativa para encontrar a única combinação de meio de transporte e unidade de tempo que resulta em uma velocidade fisicamente realista.
    • Expectativa: A alternativa correta deve descrever um cenário cotidiano e plausível, onde a velocidade de 5 km/[unidade de tempo] faz total sentido.

4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

Vamos realizar a autópsia final em cada alternativa.

  • Alternativa A: carroça – semana
    • A “Narrativa do Erro”: O candidato associa “carroça” a “lento” e “semana” a “longo período”, e acha que a combinação faz sentido sem fazer o cálculo.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Erro de Escala. A velocidade resultante (5 km/semana) é tão baixa que se torna irreal até mesmo para uma carroça.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • Alternativa B: carro – dia
    • A “Narrativa do Erro”: Mesma lógica da anterior. “Carro percorre 10 km? Sim. Uma viagem pode levar dias? Sim.” O erro é não cruzar as informações.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Contradição com o Senso Comum. A velocidade de 5 km/dia para um carro é absurda.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • Alternativa C: caminhada – hora
    • Análise de Correspondência: Esta alternativa se encaixa perfeitamente na nossa “Expectativa”. A velocidade calculada, 5 km/hora, é a definição padrão de uma caminhada em ritmo moderado. É o único cenário realista.
    • Conclusão: ✔️ Alternativa correta.
  • Alternativa D: bicicleta – minuto
    • A “Narrativa do Erro”: O candidato não converte as unidades e subestima drasticamente a velocidade.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Erro de Grandeza. A velocidade de 5 km/minuto (300 km/h) é incompatível com uma bicicleta.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • Alternativa E: avião – segundo
    • A “Narrativa do Erro”: Idêntico ao erro da alternativa D, mas em um grau ainda maior.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Erro de Grandeza Extremo. A velocidade de 5 km/segundo (18.000 km/h) é de ficção científica para um avião comercial.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

  • Frase de Fechamento: Confirmamos que a alternativa C é a resposta correta, pois é a única que apresenta uma associação entre locomoção e tempo que resulta em uma velocidade plausível no mundo real (5 km/h).
  • Resumo-flash (A Imagem Mental): “O gráfico te deu a velocidade, mas com a unidade em branco. Sua missão era encontrar o único par (veículo e tempo) que não tornasse a história um absurdo.”
  • 🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro): Este exercício de “calibração com a realidade” é um princípio central na Engenharia e na Modelagem Computacional. Quando um engenheiro cria uma simulação de computador (por exemplo, de um fluxo de ar sobre uma asa de avião), os resultados numéricos precisam ser constantemente verificados contra o mundo real. Eles se perguntam: “Este número faz sentido físico? Ou há um erro no meu modelo?”. A habilidade de olhar para um dado e perguntar “Isto é razoável?” — o chamado “sanity check” — é o que separa uma simulação útil de um amontoado de números sem sentido.

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