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Questão 26, caderno azul do ENEM 2017 – Dia 1

Apesar de muitas crianças e adolescentes terem a Barbie como um exemplo de beleza, um infográfico feito pelo site Rehabs, com comprovou que, caso uma mulher tivesse as medidas da boneca de plástico, ela nem estaria viva.

Não é exatamente uma novidade que as proporções da boneca mais famosa do mundo são absurdas para o mundo real. Ativistas que lutam pela construção de uma autoimagem mais saudável, pesquisadores de distúrbios alimentares e pessoas que se preocupam com o impacto da indústria cultural na psique humana apontam, há anos, a influência de modelos como a Barbie na distorção do corpo feminino.

Pescoço

Com um pescoço duas vezes mais longo e 15 centímetros mais fino do que o da uma mulher, a Barbie seria incapaz de manter sua cabeça levantada.

Cintura

Com uma cintura de 40 centímetros (menor do que a sua cabeça), a Barbie da vida real só teria espaço em seu corpo para acomodar metade de um rim e alguns centímetros de intestino.

Quadril

O índice que mede a relação entre a cintura e o quadril da Barbie é de 0,56 o que significa que a medida da sua cintura representa 56% da circunferência de seu quadril. Esse mesmo índice, em uma mulher americana média, é de 0,8

Disponível em: http://oglobo.globo.com. Acesso em: 2 de maio 2015.

Ao abordar as possíveis influências da indústria de brinquedos sobre a representação do corpo feminino, o texto analisa a

A) noção de beleza globalizada veiculada pela indústria cultural.    

B) influência da mídia para a adoção de um estilo de vida salutar pelas mulheres.

C) relação entre a alimentação saudável e o padrão de corpo instituído pela boneca.   

D) proporcionalidade entre a representação do corpo da boneca e a do corpo humano.    

E) influência mercadológica na construção de uma autoimagem positiva do corpo feminino.   

Resolução em texto

Matérias Necessárias para a Solução da Questão:

  • Interpretação de texto, Funções de Linguagem, Figuras de Linguagem.

Nível da Questão:

  • Médio.

Gabarito:

  • Alternativa D.

Tema/Objetivo Geral (sugestão adicional):

  • O objetivo desta resolução é analisar como a linguagem e os recursos textuais são utilizados para construir uma crítica em uma resenha, destacando o papel das opiniões na construção do discurso.

1️⃣ ATO 1 – O que o infográfico da Barbie realmente quer esfregar na nossa cara?

Nesta questão, nós fechamos os livros de exatas e entramos no território da Educação Física e da Sociologia. O examinador nos entrega um texto chocante sobre a boneca mais famosa do mundo. Ele nos conta que pesquisadores pegaram as medidas da Barbie e tentaram aplicá-las a uma mulher de carne e osso. O comando da questão é direto: ao falar sobre a influência da indústria de brinquedos, o que exatamente esse texto está analisando?

Não conseguiu visualizar o choque de realidade que o texto propõe? Fica tranquilo — acompanha comigo essa analogia:
Imagina que você pede para uma criança de 5 anos desenhar a planta de uma casa. Ela desenha uma porta minúscula, um teto gigante e paredes tortas. Se um engenheiro tentar construir uma casa de verdade usando exatamente aquele desenho infantil, a casa não vai ficar de pé; o teto vai desabar e ninguém vai conseguir entrar pela porta. O que o texto faz é rigorosamente a mesma coisa: ele pega o “desenho” (o molde de plástico da boneca) e tenta construir uma mulher real com ele, provando por A mais B que essa mulher desabaria e morreria!

Qual é o nosso radar aqui?
Estamos operando na área de Linguagens e Códigos, focando na Leitura Crítica, Mídia e Consciência Corporal. O segredo para resolver essa questão não é focar apenas na introdução do texto, mas olhar para o “recheio” dele: os dados! Vamos ao plano de ataque.


2️⃣ ATO 2 – Como a ciência desmontou o mito do “corpo perfeito” de plástico?

Esqueça a leitura superficial. O autor do texto não está apenas dando uma opinião militante do tipo “eu acho a Barbie ruim”. Ele trouxe uma fita métrica e um livro de anatomia para a briga.

A Narrativa do “Porquê”:
O texto começa citando ativistas e a indústria cultural, mas logo em seguida ele muda o tom e vira um verdadeiro relatório médico. Ele divide a análise em três partes do corpo e mostra como a matemática do brinquedo é incompatível com a biologia humana.

Raio-X dos Dados:

  • Pescoço: É 15 centímetros mais fino. O resultado biológico? A cabeça da mulher cairia, ela não conseguiria se sustentar.
  • Cintura: Tem apenas 40 centímetros. O resultado biológico? Os órgãos seriam esmagados; caberia apenas metade de um rim e um pedaço de intestino.
  • Quadril: A relação entre cintura e quadril na boneca é de 0,56. Em uma mulher americana média e real, esse índice é de 0,8.

O que o autor fez aqui? Ele traçou um comparativo direto de proporções entre a fantasia de plástico e a máquina humana.


3️⃣ ATO 3 – Mão na massa: qual é o foco principal dessa investigação anatômica?

O Fio da Meada chegou. O comando quer saber o que o texto analisa.

Se você olhar para os nossos dados do Ato 2, verá que o texto gasta 80% do seu espaço medindo centímetros, comparando a finura do pescoço, o espaço do abdômen e os índices de cintura/quadril. Ele está cruzando as medidas matemáticas da boneca com as medidas viáveis para a sobrevivência de um humano. O nome disso, na geometria e na arte, é proporcionalidade. O texto analisa se as proporções da boneca fazem algum sentido no mundo real.

🚨 AVISO DE PERIGO (A Armadilha da Introdução Sociológica) 🚨
Atenção máxima aqui, detetive! A maior casca de banana dessa questão está na letra A. O aluno lê as primeiras linhas do texto, vê as palavras “indústria cultural” e “distorção do corpo”, o cérebro dele brilha e ele pensa: “Ah, o texto é uma crítica à beleza globalizada do capitalismo!”. Cuidado! O primeiro parágrafo apenas apresenta o tema, mas a análise real que o texto faz (o desenvolvimento com os tópicos Pescoço, Cintura e Quadril) é puramente anatômica e proporcional. Nunca deixe a introdução de um texto apagar o que está escrito no corpo dele!


4️⃣ ATO 4 – Vamos colocar as alternativas sob a lupa do médico legista?

A nossa investigação provou que o texto é um choque de realidade entre as medidas do brinquedo e as medidas do corpo humano. Vamos caçar as pegadinhas da banca:

A) noção de beleza globalizada veiculada pela indústria cultural.
🔴 Anatomia do Erro: Foi a nossa armadilha mortal do Ato 3! Embora a “indústria cultural” seja citada na introdução, o texto não gasta nenhuma linha analisando o que é beleza globalizada, como a moda funciona em outros países ou como o padrão se espalhou pelo globo. A análise é física, e não mercadológica global.

B) influência da mídia para a adoção de um estilo de vida salutar pelas mulheres.
🔴 Anatomia do Erro: “Salutar” significa saudável. O texto diz o exato oposto! Ele fala que a boneca gera a “distorção do corpo” e é estudada por pesquisadores de “distúrbios alimentares”. Não há nada de salutar ou saudável nessa influência.

C) relação entre a alimentação saudável e o padrão de corpo instituído pela boneca.
🔴 Anatomia do Erro: O candidato que marcou essa inventou um texto fantasma. Não há nenhuma menção a dietas, saladas, calorias ou “alimentação saudável” no texto. Ele apenas diz que no corpo da boneca só caberia metade de um rim.

D) proporcionalidade entre a representação do corpo da boneca e a do corpo humano.
🟢 O Confronto: O nosso gabarito cirúrgico e perfeito! É o resumo exato de tudo o que destrinchamos. O texto analisa a falta absurda de “proporcionalidade” ao comparar o pescoço, a cintura e o quadril da “representação da boneca” com a biologia real do “corpo humano”. Leitura impecável dos dados!

E) influência mercadológica na construção de uma autoimagem positiva do corpo feminino.
🔴 Anatomia do Erro: Mais um erro de sinal (inversão de sentido). A autoimagem que o texto relata não é “positiva”. Como vimos, a busca por esse corpo gera sentimentos nocivos, distúrbios e distorção da psique. É uma influência extremamente destrutiva.


5️⃣ ATO 5 – Qual é a grande lição sobre mídia e corpo que você vai levar para a prova?

A Chave do Mistério: “Quando um texto fatiar um problema em medidas, centímetros e comparações anatômicas, o coração da análise não é a filosofia abstrata; o coração da análise é a proporcionalidade física e o choque com a realidade material.”

🧠 A Ponte para o Futuro: Onde você vê essa exata distorção bizarra acontecendo hoje no seu celular? Nos filtros do Instagram e do TikTok! Assim como a Barbie nos anos 90, os filtros de hoje encolhem narizes até um tamanho onde seria impossível respirar, e aumentam os olhos até um tamanho que não caberia no crânio humano. Cirurgiões plásticos relatam todos os dias que jovens chegam aos consultórios pedindo para ficarem iguais aos seus filtros na internet. É a mesma desproporção anatômica vendendo ilusões e adoecendo a mente de uma nova geração! O ENEM cobrou a Barbie, mas ele estava testando a sua capacidade de não ser enganado pelas telas de hoje!

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