15% off para você conhecer a Plataforma Assaad

Didática mágica, resultados garantidos. Aproveite mais de 15% de desconto na Plataforma Assaad e garanta sua aprovação em Medicina ainda em 2025.

Questão 23, caderno branco do ENEM 2012 PPL

Dos senhores dependem os lavradores que têm partidos arrendados em terras do mesmo engenho; e quanto os senhores são mais possantes e bem aparelhados de todo o necessário, afáveis e verdadeiros, tanto mais são procurados, ainda dos que não têm a cana cativa, ou por antiga obrigação, ou por preço que para isso receberam.

ANTONIL, J. A Cultura e opulência do Brasil [1711]. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1967 (adaptado).

Segundo o texto, a produção açucareira no Brasil colonial era:

A) Baseada no arrendamento de terras para a obtenção da cana a ser moída nos engenhos centrais.

B) Caracterizada pelo funcionamento da economia de livre mercado em relação à compra e venda de cana.

C) Dependente de insumos importados da Europa nas frotas que chegavam aos portos em busca do açúcar.

D) Marcada pela interdependência econômica entre os senhores de engenho e os lavradores de cana.

E) Sustentada no trabalho escravo desempenhado pelos lavradores de cana em terras arrendadas.

✍ Resolução Em Texto

📚 Matérias Necessárias para a Solução da Questão

  • História do Brasil Colonial (Ciclo do Açúcar)
  • Economia Colonial (Estrutura do Engenho)
  • Interpretação de Texto Histórico

🎯 Tema/Objetivo Geral: Compreensão da relação entre senhores de engenho e lavradores de cana.

🎯 Nível da Questão: Médio – A questão exige a interpretação de um texto do século XVIII, cuja linguagem e estrutura podem ser um desafio. Além disso, é preciso ter um conhecimento prévio da estrutura do engenho para não cair em generalizações, como achar que todo o trabalho era escravo.

✅ Gabarito: D – A alternativa está correta, pois o texto evidencia uma relação de dependência mútua: os lavradores dependem das terras e da estrutura dos senhores, e estes, por sua vez, dependem da cana produzida por aqueles.


📖 Resolução Passo a Passo

🔎 Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo

Transcrição Essencial 📌
“Segundo o texto, a produção açucareira no Brasil colonial era:”

O que está sendo pedido? 📌
A questão quer que a gente identifique a característica principal da relação de produção na economia do açúcar, com base exclusivamente nas informações fornecidas no trecho de Antonil.

Objetivo Cristalino 📌
Nosso objetivo é analisar a dinâmica entre os “senhores” e os “lavradores” descrita no texto para definir a natureza do sistema produtivo açucareiro.

Pergunta de Atenção ✔
Você percebeu que o texto fala de dois grupos diferentes: os “senhores” (donos do engenho) e os “lavradores” (que plantam a cana)? Entender como eles se relacionam é a chave para resolver a questão.


📚 Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários

Termo/Conceito Explicação Simples e Direta Exemplo (Analogia)
Engenho Na época colonial, não era apenas a máquina de moer cana. Era um complexo produtivo que incluía as terras (canavial), a fábrica (casa de moenda, caldeiras), a casa-grande (moradia do senhor) e a senzala (moradia dos escravizados). Pense em um grande complexo industrial moderno. O engenho era isso para a época, a “fábrica” do açúcar, com diferentes setores e trabalhadores.
Senhor de Engenho O dono de todo o complexo do engenho. Era a figura mais poderosa da sociedade açucareira, um grande proprietário de terras, de escravos e do maquinário para produzir açúcar. Seria o CEO e principal acionista da “empresa de açúcar” da nossa analogia. Ele detém os meios de produção.
Lavrador de Cana Produtor que não possuía engenho próprio para moer a cana. Havia dois tipos principais: os que plantavam em suas próprias terras e os que arrendavam terras do senhor de engenho (“partidos arrendados”). Em ambos os casos, eles dependiam de um engenho para processar sua produção. Seriam como fornecedores de matéria-prima. Imagine uma montadora de carros (o engenho) que depende de várias empresas menores (os lavradores) que fornecem os pneus, os motores, os vidros, etc.
Interdependência Econômica É uma relação de dependência mútua. Um agente econômico precisa do outro para funcionar, e vice-versa. A crise de um afeta diretamente o outro. Uma padaria depende do fornecedor de farinha, e o fornecedor de farinha depende da padaria para vender seu produto. Eles são interdependentes.

📝 Passo 3: Tradução e Interpretação do Problema

Contextualização Simplificada 📌
Vamos traduzir o português do século XVIII de Antonil: “Os lavradores que alugam terras do engenho dependem dos senhores. E quanto mais poderosos, bem equipados, justos e confiáveis forem os senhores, mais eles são procurados por lavradores, mesmo por aqueles que não têm obrigação contratual de moer a cana ali.” O texto está descrevendo uma relação de mercado e dependência: os lavradores precisam dos senhores para ter terra e moer a cana, e os senhores precisam atrair os lavradores para garantir o fornecimento de cana para seu engenho.

Estratégia Geral 📌
Vamos identificar os dois agentes econômicos citados (senhores e lavradores) e analisar a natureza da relação entre eles, conforme descrito por Antonil. Depois, vamos procurar a alternativa que melhor resume essa relação de troca e dependência.


🧮 Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio

Passo a Passo Detalhado 📌

  1. Primeira Parte da Relação: O texto começa afirmando: “Dos senhores dependem os lavradores que têm partidos arrendados em terras do mesmo engenho”. Aqui fica clara a dependência do lavrador em relação ao senhor, que cede a terra.
  2. Segunda Parte da Relação: Em seguida, o texto inverte a perspectiva: “…quanto os senhores são mais possantes e bem aparelhados […], afáveis e verdadeiros, tanto mais são procurados“. Isso mostra que os senhores de engenho competiam entre si para atrair os lavradores. Se eles precisam atrair os lavradores, significa que também dependem deles para obter a matéria-prima (a cana) e manter o engenho funcionando a pleno vapor.
  3. A Síntese: Um depende do outro. O lavrador precisa da terra e do engenho do senhor. O senhor precisa da cana do lavrador. Essa relação de dependência mútua é o que chamamos de interdependência econômica.

Possível armadilha ❓/ ✔
A armadilha mais comum é a alternativa (E). Ao pensar em “Brasil Colonial” e “produção de açúcar”, a palavra “trabalho escravo” vem automaticamente à mente. E sim, o trabalho escravo era a base de todo o sistema. No entanto, o texto de Antonil está focando em um aspecto específico dessa estrutura: a relação entre o senhor de engenho e os lavradores de cana, que eram, em sua maioria, homens livres (brancos pobres, mestiços) que arrendavam terras ou possuíam pequenas propriedades. O texto não menciona o trabalho escravo diretamente, então escolher essa alternativa seria ir além do que o trecho oferece.

Fechamento e expectativa
O raciocínio nos leva a procurar uma alternativa que não foque em apenas um lado da relação, mas que capture a dinâmica de dependência mútua, a troca de interesses entre senhores de engenho e lavradores de cana.


✅ Passo 5: Análise das Alternativas

Listagem das Alternativas
A) Baseada no arrendamento de terras para a obtenção da cana a ser moída nos engenhos centrais.
B) Caracterizada pelo funcionamento da economia de livre mercado em relação à compra e venda de cana.
C) Dependente de insumos importados da Europa nas frotas que chegavam aos portos em busca do açúcar.
D) Marcada pela interdependência econômica entre os senhores de engenho e os lavradores de cana.
E) Sustentada no trabalho escravo desempenhado pelos lavradores de cana em terras arrendadas.

Justificativa Individual

  • 🟡 (A) Parcialmente correta, mas incompleta. O texto menciona o arrendamento, mas essa é apenas uma parte da relação. A alternativa não captura a dependência do senhor em relação ao lavrador, que é o ponto central da segunda metade do texto.
  • 🟡 (B) Parcialmente correta, mas imprecisa. O texto sugere uma certa competição (“são mais procurados”), mas falar em “livre mercado” é anacrônico e exagera a liberdade dos lavradores, que muitas vezes estavam presos por dívidas e obrigações.
  • 🔴 (C) Incorreta. Embora a economia colonial dependesse de importados, o texto não menciona este fato. A resposta deve se basear no trecho fornecido.
  • 🟢 (D) Correta. Esta alternativa é a mais completa e precisa. Ela resume perfeitamente a relação de dependência mútua (“interdependência”) entre os dois agentes econômicos centrais descritos no texto.
  • 🔴 (E) Incorreta. Como explicado na armadilha, o texto descreve a figura do “lavrador de cana”, que nesse contexto era majoritariamente um trabalhador livre. Confundir o lavrador com o trabalhador escravizado é um erro conceitual.

🏆 Passo 6: Conclusão e Justificativa Final

Resumo do Raciocínio 📌
O texto de Antonil descreve uma relação de mão dupla: os lavradores dependiam dos senhores para acessar a terra e o maquinário de moagem, enquanto os senhores competiam para atrair os lavradores, pois dependiam da cana-de-açúcar produzida por eles. Essa dependência mútua caracteriza uma interdependência econômica.

Gabarito Reafirmado 📌
A alternativa correta é a D, que descreve com precisão essa relação de interdependência entre os dois principais agentes da produção de cana.

Resumo Final para Revisão 🔍
Lembre-se: a sociedade açucareira era complexa. Além da relação senhor-escravo, existia a importante figura do lavrador de cana, um homem livre que vivia em uma relação de interdependência com o poderoso senhor de engenho.

Encontrou algum erro?

Clique no botão abaixo e reporte para os nossos corretores.