
Os versos fazem parte de um jongo, gênero poético-musical cantado por escravos e seus descendentes no Brasil no século XIX, e procuram expressar a
A) exploração rural.
B) bravura senhorial.
C) resistência cultural.
D) violência escravista.
E) ideologia paternalista.

Resolução Em Texto
🎯 Tema / Objetivo da Questão: Identificar, por meio de análise textual e contextual, o papel do jongo como forma de resistência cultural dos escravizados e seus descendentes no Brasil do século XIX.
📚 Matérias Necessárias para a Solução
- Cultura afro-brasileira
- Escravidão no Brasil
- Formas de resistência cultural
- Manifestações musicais afrodescendentes (jongo, samba, capoeira)
🎯 Nível da Questão: Médio
✅ Gabarito: C) resistência cultural
📖 Resolução Passo a Passo
🔍 Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo
O enunciado afirma que os versos fazem parte de um jongo, gênero poético-musical cantado por escravos e seus descendentes no século XIX. Em seguida, pergunta o que esses versos procuram expressar.
📌 Palavras-chave:
- Jongo
- Escravos e descendentes
- Século XIX
- Expressar
🎯 Objetivo da questão:
Identificar a função sociocultural dos versos do jongo — ou seja, entender o papel desse gênero musical na vivência e expressão das experiências da população negra durante a escravidão e pós-escravidão.
📖 Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários
🔸 Jongo:
Ritual de origem africana, o jongo é uma prática musical e poética afro-brasileira, com percussão, dança e improvisação de versos. Foi muito presente em comunidades escravizadas do sudeste do Brasil.
🔸 Função cultural do jongo:
Além do aspecto religioso e festivo, o jongo funcionava como meio de comunicação e resistência simbólica à opressão escravista, permitindo críticas veladas, expressão de identidade e preservação da memória coletiva.
🔸 Resistência cultural:
Refere-se à manutenção e valorização das tradições e expressões culturais de um grupo oprimido, como forma de afirmar sua existência, dignidade e memória frente às tentativas de apagamento cultural.
📖 Passo 3: Tradução e Interpretação do Texto
Embora o enunciado não traga os versos diretamente, sabemos que:
- A árvore embaúba e a expressão “tanto pau no mato” são utilizadas como metáforas.
- O tom é crítico e simbólico, contrastando a natureza bruta (pau no mato) com o poder representado pelo “coroné”.
📌 Interpretação:
- Os versos criticam, de forma metafórica, a desigualdade social e o poder senhorial.
- Essa crítica é velada por meio de metáforas, já que a censura e punição direta eram comuns.
🎭 Assim, o jongo é uma forma de expressão poética que esconde críticas sociais sob um véu cultural, funcionando como resistência.
📖 Passo 4: Análise das Alternativas e Resolução
A) exploração rural 🔴
- Erro: O texto não foca no aspecto agrário ou produtivo da escravidão.
- Correção possível: Se os versos criticassem diretamente as condições de trabalho no campo.
B) bravura senhorial 🔴
- Erro: Inverte o foco — os versos são críticos ao “coroné”, não elogiosos.
- Correção possível: Se exaltassem o senhor como protetor ou líder heróico, o que não ocorre.
C) resistência cultural 🟢
- Correta: Como demonstrado, o jongo permitia a expressão simbólica da resistência dos escravizados, com metáforas e tradições preservadas.
- Relação direta com os versos: A crítica simbólica ao poder senhorial revela o uso cultural como resistência.
D) violência escravista 🔴
- Erro: Embora a violência seja um pano de fundo, os versos não descrevem atos violentos, e sim uma crítica simbólica.
- Correção possível: Se os versos abordassem diretamente castigos, abusos ou punições físicas.
E) ideologia paternalista 🔴
- Erro: O paternalismo é a tentativa dos senhores de se apresentarem como “protetores” dos escravizados. Os versos não reproduzem essa ideologia.
- Correção possível: Se os versos exaltassem o “coroné” como benfeitor ou figura “generosa”.
🏆 Passo 5: Conclusão e Justificativa Final
A alternativa C (resistência cultural) é a correta porque os versos do jongo representam uma forma de crítica simbólica à estrutura social escravista, utilizando elementos da cultura afro-brasileira para expressar inconformismo e manter viva a identidade coletiva dos escravizados e seus descendentes. O jongo não apenas entretinha, mas também resistia — e essa é a chave para resolver a questão.