“Escrever não é uma questão apenas de satisfação pessoal”, disse o filósofo e educador pernambucano Paulo Freire, na abertura de suas Cartas a Cristina, revelando a importância do hábito ritualizado da escrita para o desenvolvimento de suas ideias, para a concretização de sua missão e disseminação de seus pontos de vista. Freire destaca especial importância à escrita pelo desejo de “convencer outras pessoas”, de transmitir seus pensamentos e de engajar aqueles que o leem na realização de seus sonhos.
KNAPP, L. Linha fina. Comunicação Empresarial, n. 88, out. 2013.
Segundo o fragmento, para Paulo Freire, os textos devem exercer, em alguma medida, a função conativa, porque a atividade de escrita, notadamente, possibilita
A) levar o leitor a realizar ações.
B) expressar sentimentos do autor.
C) despertar a atenção do leitor.
D) falar da própria linguagem.
E) repassar informações.

Resolução em texto
📚 Matérias Necessárias para a Solução da Questão:
Funções da linguagem, Interpretação de texto, Filosofia da linguagem segundo Paulo Freire.
📔 Nível da Questão:
Fácil
✅ Gabarito:
A) levar o leitor a realizar ações
🎯 Tema/Objetivo Geral:
Compreender como a função conativa da linguagem é aplicada à escrita com propósito transformador.
🔷 Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo
📌 1.1 Retomada do Comando
“Segundo o fragmento, para Paulo Freire, os textos devem exercer, em alguma medida, a função conativa […]”
📌 1.2 Explicação Detalhada
O enunciado solicita que identifiquemos qual é a função prática da escrita, segundo Paulo Freire, associando-a corretamente a uma função da linguagem — no caso, a função conativa (ou apelativa).
📌 1.3 Palavras-chave
- “convencer outras pessoas”
- “engajar aqueles que o leem”
- “realização de seus sonhos”
Essas expressões sugerem ação sobre o leitor — uma tentativa de influenciar seu comportamento, o que caracteriza a função conativa.
📌 1.4 Objetivo
Determinar qual alternativa expressa corretamente o objetivo social e político que Paulo Freire atribui à escrita, a partir da ideia de que ela serve para inspirar e mobilizar.
Agora que sabemos que o foco está na função conativa da linguagem, vamos relembrar esse conceito fundamental.
🔷 Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários
📌 1. Funções da linguagem
As funções da linguagem definem a intenção predominante de um texto. São seis, mas vamos focar em três para esta questão:
✔ Referencial: foca no conteúdo, nos dados (ex: notícias, relatórios).
✔ Emotiva: expressa sentimentos do emissor (ex: poemas, desabafos).
✔ Conativa ou apelativa: tenta influenciar o leitor/ouvinte, levando-o a agir (ex: propagandas, discursos políticos, ordens, apelos).
📌 2. A função conativa
✔ Também chamada de apelativa, busca convencer, persuadir ou mobilizar o receptor.
✔ Utiliza frequentemente verbos no imperativo ou frases que pedem atitude.
✔ Exemplo: “Participe!”, “Lute por seus direitos!”, “Vote consciente!”
📌 3. Escrita como transformação social (Paulo Freire)
✔ Freire via a linguagem como ferramenta de emancipação, de diálogo, e ação política.
✔ Escrever era um ato de compromisso com a transformação, e não só de expressão pessoal.
Com esses conceitos em mente, vamos interpretar o texto de forma detalhada.
🔷 Passo 3: Tradução e Interpretação do Texto
📌 Análise do Contexto
O fragmento mostra que Paulo Freire não escreve apenas por prazer ou vaidade. Ele valoriza a escrita como instrumento de missão, compromisso, convencimento e mobilização de sonhos.
📌 Frases-chave
- “não é uma questão apenas de satisfação pessoal”
- “desejo de convencer outras pessoas”
- “engajar aqueles que o leem”
Essas expressões são características da função conativa, porque indicam que o autor quer influenciar o leitor a pensar e agir.
📌 Relação com o conteúdo linguístico
O texto é um exemplo claro de como a linguagem pode ter função apelativa/conativa — Paulo Freire escreve para transformar o mundo através das pessoas.
Agora, vamos aplicar essa análise ao desenvolvimento completo do raciocínio.
🔷 Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio
📌 O objetivo de Freire é usar a escrita como ferramenta de mudança social. Ele não vê o texto como algo meramente pessoal ou descritivo.
📌 Ele escreve com intenção clara de alcançar o outro, comunicar uma ideia forte, construir engajamento e estimular a ação.
📌 Isso está diretamente ligado à função conativa da linguagem, que se manifesta quando um autor quer influenciar ou mobilizar o leitor para realizar algo, especialmente em contextos educativos, políticos ou sociais.
📌 Paulo Freire dizia que “ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho: os homens se libertam em comunhão” — e é esse espírito que move sua escrita: escrever para inspirar a ação coletiva.
🔷 Passo 5: Análise das Alternativas (ou Argumentos) e Resolução
📌 Reescrita das Alternativas
A) levar o leitor a realizar ações
B) expressar sentimentos do autor
C) despertar a atenção do leitor
D) falar da própria linguagem
E) repassar informações
✅ Alternativa Correta – Letra A
✔ A função conativa da linguagem busca influenciar o leitor.
✔ Paulo Freire queria que o leitor refletisse e agisse.
✔ Ele escreve para mobilizar consciências.
✔ Essa função está perfeitamente alinhada com seu objetivo pedagógico e ideológico.
❌ Alternativas Incorretas – Análise e Cenários Hipotéticos
- B) expressar sentimentos do autor
❌ Cenário hipotético: Um texto poético ou confessional.
❌ Erro: A função aqui seria emotiva, não conativa. Paulo Freire não está desabafando. - C) despertar a atenção do leitor
❌ Cenário hipotético: Um anúncio chamativo, slogan publicitário.
❌ Erro: Essa seria uma função fática ou apelativa superficial, mas sem mobilização profunda. - D) falar da própria linguagem
❌ Cenário hipotético: Um texto metalinguístico, como um dicionário ou poema sobre escrever.
❌ Erro: Paulo Freire está tratando do impacto da linguagem, e não da linguagem em si. - E) repassar informações
❌ Cenário hipotético: Um texto jornalístico, científico ou técnico.
❌ Erro: Isso representaria a função referencial, mas o foco aqui é mobilizar o leitor, não apenas informar.
🔷 Passo 6: Conclusão e Justificativa Final
📌 Resumo do Raciocínio
O texto evidencia que, para Paulo Freire, a escrita tem função social: ela deve engajar, influenciar e transformar. Isso corresponde à função conativa da linguagem, que se refere à intenção de levar o leitor a realizar ações.
📌 Reafirmação da Alternativa Correta
✅ Alternativa A – levar o leitor a realizar ações.
🔍 Resumo Final
A escrita, para Paulo Freire, deve ser um ato político e educativo. Seu valor está na capacidade de engajar o leitor em transformações sociais reais. Isso representa a essência da função conativa da linguagem.