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Questão 19, caderno azul do ENEM 2019 – DIA 1

Expostos na web desde a gravidez

Mais da metade das mães e um terço dos pais ouvidos em uma pesquisa sobre compartilhamento paterno em mídias sociais discutem nas redes sociais sobre a educação dos filhos. Muitos são pais e mães de primeira viagem, frutos da geração Y (que nasceu junto com a internet) e usam esses canais para saberem que não estão sozinhos na empreitada de educar uma criança. Há, contudo, um risco no modo como as pessoas estão compartilhando essas experiências. É a chamada exposição parental exagerada, alertam os pesquisadores.

De acordo com os especialistas no assunto, se você compartilha uma foto ou vídeo do seu filho pequeno fazendo algo ridículo, por achar engraçadinho, quando a criança tiver seus 11, 12 anos, pode se sentir constrangida. A autoconsciência vem com a idade. 

A exibição da privacidade dos filhos começa a assumir uma característica de linha do tempo e eles não participaram da aprovação ou recusa quanto à veiculação desses conteúdos. Assim, quando a criança cresce, sua privacidade pode já estar violada.

OTONI, A. C. O Globo, 31 mar. 2015 (adaptado).

Sobre o compartilhamento parental excessivo em mídias sociais, o texto destaca como impacto o(a)

A) interferência das novas tecnologias na comunicação entre pais e filhos.

B) desatenção dos pais em relação ao comportamento dos filhos na internet.

C) distanciamento na relação entre pais e filhos provocado pelo uso das redes sociais.

D) fortalecimento das redes de relações decorrente da troca de experiências entre famílias.

E) desrespeito à intimidade das crianças cujas imagens têm sido divulgadas nas redes sociais.

✍ “Resolução Em Texto”

Matérias Necessárias para a Solução da Questão

  • Interpretação de Texto (Texto Jornalístico/Opinativo).
  • Ética e Cidadania na Era Digital.
  • Direitos da Criança e do Adolescente (Privacidade).

Tema/Objetivo Geral:

Analisar as consequências éticas e sociais do fenômeno do sharenting (pais que compartilham excessivamente a vida dos filhos na internet).

Nível da Questão

Fácil.
O texto é explícito ao apontar o problema (violação de privacidade). A relação de causa e efeito é direta e não exige conhecimentos externos complexos, apenas a leitura atenta do segundo e terceiro parágrafos.

Gabarito

Letra E.
O texto conclui que a exposição sem consentimento cria uma “linha do tempo” pública que a criança não aprovou, caracterizando uma violação/desrespeito à sua privacidade e intimidade.


1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Decodificação do Objetivo:
A questão quer identificar qual é o efeito negativo (o impacto ou risco) causado pelo hábito de pais postarem fotos e vídeos demais dos filhos.

Simplificação Radical (A Analogia Central):
Imagine um diário.

  • Normalmente, você escreve o seu próprio diário e esconde a chave.
  • Neste caso, os pais estão escrevendo o diário do filho em um outdoor na praça central, antes mesmo de a criança saber ler.
    O verdadeiro desafio aqui é distinguir a motivação dos pais (que é boa: buscar apoio) da consequência para os filhos (que é ruim: perda de privacidade).

Plano de Ataque:

  1. Identificar o Fenômeno: O texto fala de pais compartilhando experiências.
  2. Localizar o “Mas”: Encontrar a conjunção adversativa que introduz o problema (no texto: “Há, contudo, um risco…”).
  3. Mapear o Dano: O que acontece com a criança segundo o autor? (Constrangimento, violação).

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

A ferramenta principal aqui é a Leitura de Causa e Consequência.

O Fluxograma do “Sharenting”:

  1. A Causa (Intenção): Pais da Geração Y querem saber se estão sozinhos na educação, buscam apoio.
  2. A Ação: Postam fotos/vídeos (às vezes “ridículos” ou engraçadinhos).
  3. O Problema Ético: A criança pequena não tem consciência e não deu consentimento.
  4. A Consequência (Impacto):
    • Curto prazo: Likes para os pais.
    • Longo prazo: Constrangimento aos 11/12 anos e privacidade violada.

Conceito-Chave: O texto trata da Identidade Digital Involuntária. A criança ganha um “rastro digital” antes mesmo de saber usar um computador.


3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Vamos rastrear o argumento do autor:

  1. O Início Positivo: O texto começa dizendo que os pais usam as redes para “saberem que não estão sozinhos”. Isso é positivo (apoio mútuo).
  2. A Virada: Logo surge o alerta: “Há, contudo, um risco… É a chamada exposição parental exagerada”. A questão foca nesse risco (o compartilhamento excessivo).
  3. A Prova do Crime: O texto diz: “a criança… pode se sentir constrangida” e “sua privacidade pode já estar violada”.
  4. A Conclusão: O impacto principal não é sobre a relação pai-filho em casa, mas sobre o direito da criança à sua própria imagem pública.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO! Não confunda o motivo com o impacto.
Se a pergunta fosse “Por que os pais postam?”, a resposta seria “para trocar experiências” (Letra D). Mas a pergunta é sobre o impacto do excesso (o lado ruim). O aluno desatento lê o primeiro parágrafo e marca a letra D. O aluno detetive lê até o fim e marca a letra E.

A Bússola (O Perfil do Culpado):

  • Síntese do raciocínio: O texto alerta que postar a vida dos filhos sem permissão fere o direito deles de controlar a própria imagem.
  • Expectativa: A alternativa correta deve falar em “privacidade”, “intimidade”, “direitos” ou “constrangimento”.

4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

A) interferência das novas tecnologias na comunicação entre pais e filhos.

  • Diagnóstico do Erro: Fuga ao Tema.
  • Análise: O texto não diz que os pais pararam de conversar com os filhos por causa do celular. O problema não é a falta de diálogo em casa, é o excesso de exposição para fora de casa.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

B) desatenção dos pais em relação ao comportamento dos filhos na internet.

  • Diagnóstico do Erro: Inversão do Agente.
  • Análise: O texto não fala sobre o que os filhos fazem na internet (se acessam sites perigosos, etc.), mas sim sobre o que os pais fazem com a imagem dos filhos na internet.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

C) distanciamento na relação entre pais e filhos provocado pelo uso das redes sociais.

  • Diagnóstico do Erro: Inferência Inválida.
  • Análise: O texto sugere que os pais são até “corujas” demais (querem mostrar cada gracinha), o que denota proximidade, e não distanciamento afetivo. O problema é ético, não afetivo.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

D) fortalecimento das redes de relações decorrente da troca de experiências entre famílias.

  • Diagnóstico do Erro: Confusão entre Causa/Benefício e Consequência Negativa.
  • Análise: O texto menciona isso no início como o motivo pelo qual os pais usam a rede. Porém, o comando da questão foca no “compartilhamento parental excessivo” e no “risco” apontado. O texto destaca isso como o gatilho, mas o impacto final criticado é a violação da privacidade.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

E) desrespeito à intimidade das crianças cujas imagens têm sido divulgadas nas redes sociais.

  • Análise de Correspondência: Perfeita.
    • “Desrespeito à intimidade” = “Sua privacidade pode já estar violada”.
    • “Imagens divulgadas” = “compartilha uma foto ou vídeo”.
    • A alternativa resume a tese de que a criança é um sujeito de direitos que está sendo ignorado pelos pais.
  • Conclusão: ✔️ Alternativa correta.

5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Frase de Fechamento:
A alternativa E é a correta pois identifica que o compartilhamento excessivo (oversharing) atropela o direito fundamental da criança à privacidade, criando uma biografia digital que ela não escolheu.

Resumo-flash (A Imagem Mental):
“O filho não é um troféu de likes; postar a fralda suja hoje é o bullying da escola amanhã.”

🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
Esse tema se conecta diretamente com a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) e o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Juridicamente, a imagem da criança é um dado sensível. Na França, por exemplo, filhos já processaram pais por postarem fotos deles na infância. O “direito ao esquecimento” na internet é um dos maiores debates jurídicos do século XXI.

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