Questão 17, caderno branco (09) do ENEM PPL 2015

Sabe-se o que era a mata do Nordeste, antes da monocultura da cana: um arvoredo tanto e tamanho e tão basto e de tantas prumagens que não podia homem dar conta. O canavial desvirginou todo esse mato grosso do modo mais cru: pela queimada. A fogo é que foram se abrindo no mato virgem os claros por onde se estendeu o canavial civilizador, mas ao mesmo tempo devastador.

FREYRE, G. Nordeste. São Paulo: Global, 2004 (adaptado).

Analisando os desdobramentos da atividade canavieira sobre o meio físico, o autor salienta um paradoxo, caracterizado pelo(a)

A) demanda de trabalho, que favorecia a escravidão.

B) modelo civilizatório, que acarretou danos ambientais.

C) rudimento das técnicas produtivas, que eram ineficientes.

D) natureza da atividade econômica, que concentrou riqueza.

E) predomínio da monocultura, que era voltada para exportação.

Resolução Em Texto

📚 Matérias Necessárias para a Solução da Questão

  • História Colonial do Brasil
  • Meio ambiente e biomas brasileiros (Mata Atlântica e Nordeste)
  • Impactos ambientais da monocultura canavieira
  • Economia colonial e modelo civilizatório brasileiro

📝 Tema/Objetivo Geral

Analisar o paradoxo presente no modelo civilizatório colonial do Nordeste, especialmente em relação ao impacto ambiental da monocultura da cana-de-açúcar sobre a mata nativa.

📊 Nível da Questão

Médio

🎯 Gabarito

Alternativa B) modelo civilizatório, que acarretou danos ambientais.


Resolução Passo a Passo

Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo

📌 O enunciado pede para identificar o paradoxo destacado pelo autor Freyre, a partir da descrição da transformação do espaço natural no Nordeste com a expansão da monocultura da cana.

🔎 Palavras-chave: paradoxo (contradição entre progresso e destruição), monocultura da cana, mata do Nordeste, devastação ambiental.

🎯 Objetivo cristalino: Compreender que o modelo econômico e social adotado trouxe progresso econômico/civilizatório, mas causou forte impacto ambiental negativo.


Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdos Necessários

  • Monocultura da cana-de-açúcar: sistema agrícola baseado no cultivo extensivo de uma única cultura, com objetivo econômico, especialmente para exportação.
  • Mata do Nordeste (Mata Atlântica): bioma original, denso e rico em biodiversidade, devastado pela expansão agrícola.
  • Modelo civilizatório colonial: padrão socioeconômico que trouxe desenvolvimento econômico com base no trabalho escravo e exploração da terra, mas sem preocupação ambiental.
  • Queimada: técnica usada para limpar áreas de vegetação natural, mas que promove forte destruição do ecossistema local.

Passo 3: Tradução e Interpretação do Texto

O texto mostra como a mata originalmente densa e vasta foi destruída pelo uso das queimadas para abrir espaço para o canavial. O autor destaca que esse processo é “civilizador” (progressista economicamente), mas também “devastador” (ambientalmente destrutivo).
Portanto, o paradoxo é que o avanço econômico/civilizatório acontece à custa da degradação ambiental.


Passo 4: Análise das Alternativas e Resolução

A) Demanda de trabalho, que favorecia a escravidão.
🔴 Errada: Embora a escravidão fosse parte do sistema canavieiro, o texto não destaca o trabalho escravo como paradoxo, mas sim o impacto ambiental. Se a alternativa falasse em impacto social e ambiental, ficaria mais correta.

B) Modelo civilizatório, que acarretou danos ambientais.
🟢 Correta: Expressa exatamente o paradoxo do texto, que aponta o avanço civilizatório acompanhado pela devastação ambiental provocada pela monocultura.

C) Rudimento das técnicas produtivas, que eram ineficientes.
🔴 Errada: O texto não indica que as técnicas eram rudimentares ou ineficientes, e sim que foram destrutivas. Para ficar correta, a alternativa deveria mencionar o impacto ambiental causado pelas técnicas.

D) Natureza da atividade econômica, que concentrou riqueza.
🔴 Errada: A questão foca no impacto ambiental e no paradoxo da civilização versus devastação, não na concentração de riqueza. Para ficar correta, precisaria relacionar riqueza à exploração ambiental.

E) Predomínio da monocultura, que era voltada para exportação.
🔴 Errada: Embora verdadeira, essa afirmação não expressa o paradoxo do texto, que é o conflito entre progresso civilizatório e destruição ambiental. Se destacasse o impacto ambiental da monocultura, estaria correta.


Passo 5: Conclusão e Justificativa Final

O texto de Freyre revela um paradoxo entre o desenvolvimento econômico e civilizatório proporcionado pela monocultura da cana-de-açúcar e os severos danos ambientais causados ao bioma original da Mata do Nordeste. Esse conflito entre avanço e destruição é o foco da questão, o que confirma a alternativa B como a mais adequada.

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